sábado, 17 de novembro de 2018

LIVRO GRATUITO, DISPONÍVEL NESTE BLOG.


Caros leitores e seguidores do BLOG "italianocapaz":

Continua disponível gratuitamente neste Blog, o livro "A ILHA QUE ATRAVESSOU O MAR", com 220 páginas de informações sobre a rara imigração sarda para o Brasil. Há também curiosidades da imigração italiana, uma vez que a ilha da Sardenha faz parte da Itália, sobre o processo de pesquisa e busca da cidadania italiana, assim como curiosidades históricas e geográficas da Ilha da Sardenha. Vale a pena ler o livro e conhecer sobre a imigração, que muito contribuiu para o desenvolvimento do Brasil!

Faço também uma pesquisa bibliográfica sobre a "Síndrome de Ulisses", conhecida também como a Síndrome dos imigrantes, que aflige milhares de imigrantes e seus descendentes, ainda hoje. Como representante da segunda geração de sardos no Brasil, jornalista e especialista em historiografia, faço um aprofundamento da pesquisa acadêmica em torno deste tema, buscando elementos que separaram, de 1903 até os dias de hoje, a família CAPPAI em três instantes históricos. Esta separação, originada na malograda imigração (principalmente pelas campanhas e falsas promessas do governo mineiro, documentadas na Itália), levou a geração de meus pais e a minha a não falar o italiano ou sardo e a não conhecer a história e a cultura da Sardenha. Esta desagregação acarretou problemas psicológicos profundos, conscientes e inconscientes, que se arrasta por gerações. E aprofundo na análise destas questões, na vivência que tive com meu pai João Capaz de Oliveira e seus relatos de meu avô Raffaele Cappai, que não naturalizou brasileiro e foi enterrado em Leopoldina - MG. 

O livro levou quase cinco anos para ser escrito, dada a falta de informações, a árdua garimpagem que dependia de fontes brasileiras e italianas e a pequena família que está espalhada nos Estados de MG, RJ e ES, distanciados pelo tempo e pela história. Utilizo este Blog, a partir do término deste livro, para avançar nas pesquisas e, quem sabe, fazer sua reedição.

Boa leitura a todos que atravessaram o mar...
Grazie mille.





ÁRVORE GENEALÓGICA DAS FAMÍLIAS KERSUL E MARRA


Utilizo o espaço da família CAPPAI, para postar parte das descobertas da árvore genealógica das famílias KERSUL e MARRA, sobrenomes de minha esposa Mara. Tenho grande carinho por aqueles que me acolheram como parte da família. E frequentemente tenho recebido pedido de pesquisas de membros destas famílias. Esta postagem é a pesquisa preliminar, que precisa ser aprofundada na parte documental e entrevistas. 

Na ocasião do 5º Encontro Anual da Família Marra, um leitor e representante da família Marra de Uberlândia e cidades do Triângulo mineiro, apresentou sua família: Antônio Marra, Henriqueta Marra. Julieta Marra, Júlia Marra e Pompilio Marra. No momento, não temos condições de estabelecer os elos da árvore genealógica, porque extrapolam a pesquisa, o tempo e as fronteiras. Por serem famílias mineiras e compartilhando o mesmo sobrenome, há chances de parentesco de 2º, 3º e 4º grau; mas só após o aprofundamento das pesquisas é possível afirmar. Compartilho neste Blog a árvore genealógica de minha esposa ROSEMARA KERSUL (Filha de Expedito Kersul e Marta Marra, ambos da região de Pouso Alegre/MG), que pode ser a base de uma sondagem de meus leitores, junto aos mais idosos de suas famílias. Vamos atualizando, sempre que possível. Agradeço por informações.


Genealogia é um trabalho de paciência, um quebra cabeça que estimula a curiosidade pela família, estreitando laços de amizade. Não desistam! Sempre digo que, a cada funeral na família, enterramos parte de nossa história e biblioteca familiar. Não podemos deixar que isto aconteça, porque sempre terão outros (talvez nem tenha nascido), que irão se interessar. Uma vez conscientes deste espírito famíliar, não podemos deixar de documentar e facilitar o caminho para outros.

Aproveito para incluir os sobrenomes sardos MOCCO e PIREDDA à lista que já apresentei neste Blog. A pedido de um leitor e descendente, estes sobrenomes também fizeram parte da rara imigração sarda para o Brasil. 

Grazie. Buona fortuna a tutti.

COM TODOS OS SOBRENOMES DA FAMÍLIA.


Teve alguns séculos atrás era costume utilizar todos os sobrenomes (apelidos ou nome) da família. Em alguns círculos da sociedade, por questões políticas e notoriedade, quanto mais nomes ostentasse, teria mais probabilidade de aceitação e acesso no meio social. E isto se ocorreu, mais destacadamente com a família real portuguesa no Brasil. Basta ver o nome completo de D. Pedro I e D. Leopoldina, para perceber o quanto pesava o nome com recuo de 3 a 5 gerações. E foi movido por esta curiosidade que fiz a composição do meu nome e de minha esposa, recuando quatro gerações nas famílias.

Talvez nos possa parecer que determinados sobrenomes estejam tão distantes, que não fazem parte de nós. São olhados com certa estranheza. Contudo, é importante lembrar que somos herdeiros geneticamente deste passado, compondo a história da imigração e deste emblemático país. Com o passar do tempo e evolução dos costumes, fomos nos despindo dos sobrenomes, se atendo somente à família mais próxima e imediata. Muitas das histórias foram esquecidas, não contadas e enterradas definitivamente. Mas, é fato, somos testemunhas de que estas histórias ocorreram (acertadas ou desacertadas). 

Então, ao montar também sua árvore genealógica e deparar com vários sobrenomes nas ultimas 4 ou 5 gerações, agradeça e reverencie seu passado. O capricho da história propiciou que casais se formassem a partir da simpatia, ideias em comum, sincronicidade, na lida diária, do "lavoro", para que estivéssemos aqui hoje, compartilhando este tempo. Originamos destas diferentes formas de ver a vida, idiossincrasias e, porque não, até de divergências. Assim caminha a humanidade...

Meu nome:  José Capaz Dutra Cappai

Como seria meu nome completo (11):   José Capaz Dutra Campos Carvalho Vieira Nicácio Moreira Agus Gessa Congiu Cappai.

Origens:  Composição do DNA, conforme Laboratório My Heritage, Texas (EUA).



Nome da esposa:   Rosemara Kersul C. Capaz

Como seria o nome completo (13):   Rosemara Kersul Marra Godoy Nogueira Modesto Damiani Ameno da Silva Narciso Brasil Bianchi Cappai Capaz.

Origens:  Composição do DNA feito por irmão, conforme Laboratório My Heritage, Texas (EUA).


E, ao buscar a composição das raízes de minha esposa, tive uma grata surpresa. Nos conhecemos há quase 30 anos. Fomos colegas na primeira turma de Jornalismo da Univas, de Pouso Alegre/MG, formandos de 1992. Como autor do livro "A ILHA QUE ATRAVESSOU O MAR", consciente de minha alma sarda, descobri que a família de minha esposa também possui uma parte da ilha da Sardenha. Traz na alma a bravura do popolo sardo, a ancestralidade guerreira de Shardana, o espírito laborioso de pastores e o empreendedorismo destemido daqueles que atravessaram o mar. 

A história da imigração também deixou pistas para a família de minha esposa. Seus trisavós Anselmo Bianchi e Josephina Bianchi deram o nome da filha ISOLA Bianchi. A palavra "isola" em italiano é ilha. Bem certo, assim como aconteceu com meus ancestrais, fizeram reverência à "Isola paradiso". E da Itália, sua família carrega outros sobrenomes como Damiani e Marra, com menor percentual, também presentes no continente e na ilha.

Tanta musicalidade e misticismo herdados pelas famílias, traduz perfeitamente "A ILHA QUE ATRAVESSOU O MAR", porque este "Popolo di mare" ainda constrói histórias além mar, como eternos desbravadores que são. Pedras sobre pedras, Nuraghes após Nuraghes, onde quer que estejam, unindo os mares e outros povos. E certamente, para os que acreditam que a vida não termina aqui, prosseguem além vida suas trajetórias. 

GRAZIE A DIO, SIAMO SARDI.

Capaz & Mara, um fragmento da Sardenha além mar.


quinta-feira, 1 de novembro de 2018

"O PRENOTA ON LINE É UM MONSTRO INFORMÁTICO"


Quem disse esta frase foi o Cônsul Geral da Itália em Curitiba, o sr. Raffaele Festa, num evento público em 29 de agosto de 2017. E isto conclui de forma catastrófica e revoltante meu processo de cidadania, que dura quatro anos de espera na fila do consulado. Juntei todos os documentos, gastei consideravelmente com certidões e suas atualizações, apostilamentos, traduções juramentadas e muitas viagens atrás de documentos. 

Com certeza, o programa de agendamento do Consulado italiano no Brasil, principalmente pela dependência de fusos horários e horários de verão, favorecem técnicos de informática e seus programas criados para monitorar os segundos para a disponibilidade da vaga. Estas vagas são preciosas e vendidas a valores que chegam a R$ 3.000,00. Quem vende e está bem visível em sites de internet, são prestadores de serviço ou pessoas fora do Consulado que passam esta "facilidade". Após quatro anos de espera numa fila e gastos que chegam a quase oito mil reais, sinto-me com cara de palhaço, estarrecido e sem poder reclamar a ninguém. 

Curti e emocionei com cada descoberta na pesquisa genealógica. Chorei ao encontrar fotos e documentos de meus ancestrais, ao conversar com parentes próximos e distantes, ao chegar as Certidões de casamento de meus bisnonnos e de nascimento do nonno, emocionei com a alteração do meu nome ao ver o resgate de minha história, fiz torcida a cada evolução da lista do consulado ao acompanhar meu requerimento, escrevi o livro da história familiar "A ILHA QUE ATRAVESSOU O MAR" (disponibilizei gratuitamente aos internautas e oriundis que me acompanham) e passei a emoção da cidadania a muitas pessoas. Mas o "jeitinho brasileiro" me atropelou quando chegou o mais importante momento de minha vida. Apresentar meus documentos ao Consulado era sim um momento mágico, de coroar todo meu trabalho e vivência destes anos de pesquisa. ALGUM DISGRAZIATO VENDEU MINHA VAGA. Destruiu meu momento mágico e de tantos outros que aguardavam ansiosamente nesta maledetta fila...

Enviei email apavorado para o Consulado e não me responderam. Consultei advogados, que nada puderam fazer. A Ouvidoria Consular em Brasília nada puderam fazer, por não se tratar de competência do Ministério das Relações Exteriores. A atenciosa deputada Renata Bueno, que representa a América Latina no Parlamento italiano, confirmou a existência do problema, porque já havia denunciado este sistema de agendamento e pagamentos. Mas como no Brasil, as burocracia na Itália é insipiente e nada foi melhorado em Minas Gerais. Meu prazo encerrou ontem 31/10/2018 e, hoje pela manha, meu email já não estava cadastrado no sistema do Consulado. Vários acessos e dormindo tarde para monitorar a agenda do Consulado e fracassei. Meus leitores que buscam a cidadania, a sensação de "morrer na praia" após anos de espera, é desesperadora. Muita atenção para este final do processo. Todo trabalho que teve para pesquisar, buscar e apostilar documentos não é nada! Se não conseguir agendar no Consulado, estará tudo perdido.

Para retomar meu processo, terei que entrar em outra fila e esperar por outros quatro anos. Vou perder todas as Certidões e apostilamentos, porque os Cartórios no Brasil ganham uma fábula com estas histórias mal sucedidas, haja visto que quaisquer Certidões possuem validade de apenas três meses. Serviços cartoriais no Brasil são acachapantes! Tenho que provar que eu estou vivo, que não casei novamente, que o tradutor existe e blá...blá...blá, tudo novamente, a cada três meses. O processo de cidadania não é barato, mas nunca imaginei que seria ASSALTADO no final de meu processo. È vero! A maioria dos que monitoram o sistema de agendamento dos serviços consulares não são os verdadeiros interessados no serviço. São aves de rapina em busca do dinheiro fácil, para destruir os sonhos de pessoas de bem. É uma decepção...

Cheguei a pensar a comprar o lugar na fila, esquecendo que eu teria o direito após esperar por quatro anos este momento especial. Mas, por princípios e berço, eu optei por não alimentar este mercado maquiavélico. A maioria se desesperam e pagam. É tão errado como ser receptor de mercadoria roubada. Sou descendente de pastores sardos e tenho em meu DNA a pìu vecchia religione di Sardegna. Saberei esperar com resiliência a hostilidade climática da ilha que se tornou também meus pensamentos, esperando o dia para conhecer pessoalmente o berço de meus ancestrais. Vou lutar dia a dia, todos meus dias, neste ideal de vida. Estas raposas que rondam a agenda do Consulado italiano de Belo Horizonte, que rastreiam impunes e sedentas por valiosas vagas, arrancando-as de ingênuos e sonhadores oriundis, DEUS TOME CONTA!  Se o Brasil não extirpar os oportunistas e criminosos, definitivamente, estes acabarão com o país. Tudo começa na esperteza de "ganhar dinheiro fácil" até chegar nas grandes negociatas, no Congresso Nacional e na má fama internacional.

Eu saio desta fila maledetta de cabeça erguida e reforçado para nova luta. Alerto meus leitores e vistantes do Blog italianocapaz, para este problema na finalização da cidadania, requerida no Brasil. A Sardenha me aguarda, com a proteção de São Miguel Arcanjo, Protetor de Villasalto, terra de meus ancestrais sardos.


sexta-feira, 26 de outubro de 2018

CIDADANIA - "A lei da selva"


O título que dou a esta postagem é uma externação de minha indignação pelo ser humano e, com especial destaque para o jeito latino ou "jeitinho brasileiro", que sempre vê uma chance em tudo, de ganhar o "maledeto" dinheiro fácil às custas dos outros. Talvez, num ambiente mais amplo, esbarramos na corrupção política e no atraso do país em várias áreas, porque não se age com honestidade e respeito ao outro. Assim, ficamos todos reféns, nas mãos dos espertinhos. E, refém desta situação no meu processo de cidadania, não posso deixar de falar do problema que atinge a centenas de outros "oriundis" aflitos...

Depois de esperar QUATRO ANOS NA FILA, gastar na obtenção de todos os documentos, tradução e apostilamentos, chegamos ansiosos no agendamento da entrega dos mesmos no Consulado. O sistema de agendamento é "on line", direto no site do Consulado, onde se aguarda uma vaga. O dia estando "verde" no calendário, clica no dia em aberto e assim ocorre o agendamento. Simples assim?! Não é o que ocorre. Todos os dias estão ocupados e, segundo informações, o Consulado atualiza o sistema sempre à 24:01hs. Isto mesmo, conta este precioso segundo da virada. 

Você pode acreditar neste segundo, porque é neste segundo (APÓS QUATRO ANOS DE ESPERA) que estará sua esperança de se tornar oficialmente um italiano, mesmo que seu DNA seja 100% europeu. É neste precioso segundo que se aloja os oportunistas e o "jeitinho brasileiro". Ao invés de aguardar e clicar nesta vaga (liberada todos os dias no sistema, às 24:01hs) SOMENTE AQUELES QUE ESTÃO COM TODA SUA DOCUMENTAÇÃO PRONTA PARA SER ENTREGUE, entra em ação os "espertinhos" para segurar este precioso lugar na fila. Possivelmente, seguram a vaga, até quem não tenha interesse na cidadania, mas possa vender o lugar na fila. Assim a angustia dos honestos é a tônica deste momento, após correr tanto atrás de documentos. E pasmem!!! O valor da vaga que seguraram desonestamente, com certeza, é de quase R$ 3.000,00 (Três mil reais). Além da fraude no sistema, o valor é bem superior ao que o Consulado Italiano cobra para analisar os documentos, que é de 300 euros ou, em valores de hoje, R$ 1.252,71. E tem "consultores" ou "facilitadores" que oferecem este serviço na internet, conforme verão no "Print screen" da tela, a seguir. É por isto, que estou tão descrente deste país...

Da parte do Consulado Italiano, creio que não saibam da ocorrência destes fatos que são bem explanados em vídeos do Youtube ou em sites ditos "especializados". Por outro lado, o Consulado não responde emails e muito menos reclamações (Em sites como "Reclame aqui"), não se envolve nestas questões. Eu tive um acidente na lavanderia de casa em fevereiro, sofrendo um trauma no cóccix e tenho dificuldades para ficar assentado, principalmente em carro. Resido em Pouso Alegre, a 390 km do Consulado Italiano em BH, cerca de cinco horas de viagem. Enviei email pedindo orientações e não obtive nenhuma resposta. Este não é o problema, porque posso tomar analgésicos para amenizar a coccidínia e viajar parte do trajeto em pé no ônibus. Mas o problema principal é que não consigo agendar no Consulado a entrega dos documentos. Hoje é dia 26/10/2018 e meu prazo encerra em 31/10. Faz mais de mês que não consigo agendar e posso perder os quatro anos de espera na fila, assim como todo os gastos que tive com cartórios, traduções e apostilamentos. 

Por princípio de honestidade, que veio com meus ancestrais imigrantes e do berço, eu não pago para "facilitadores desonestos" qualquer quantia. A exploração dos imigrantes no passado se estende até os dias atuais. Se eu não tiver vaga nesta bendita agenda do Consulado, eu esperarei paciente por uma chance de ir pessoalmente na Sardenha para requerer minha cidadania. Que dure mais cinco ou dez anos, mas eu não compactuo ou fomento corrupção! Se eu não conseguir, vou cuidar de minha saúde e juntar recursos para ir a Villasalto, com as bençãos de seu Patrono, São Miguel Arcanjo. COSÌ SIA.


Um dos anúncios na internet, oferecendo vaga no agendamento do Consulado por elevado valor.

Interface do site do Consulado, apontando inexistência de vagas no momento da consulta. 


domingo, 21 de outubro de 2018

ENCONTRO ANUAL DA FAMÍLIA MARRA


Ocorreu entre os dias 19 e 21 de Outubro de 2018, o Encontro anual da Família Marra. O local deste ano foi novamente no aconchegante Hotel Fazenda Vale Verde, em Estiva (MG). Foram dias de Confraternização e reencontro com familiares, com descontraídos eventos para as gerações de "oriundis"; nos quais a musicalidade, declamações de poesias e troca de informações realimentou o espírito italiano de todos. Tenho participado desde 2013, quando iniciou este evento memorável da família de minha esposa Mara.

Gostaria muito que estes Encontros Anuais de Família fossem uma realidade também para a Família Cappai, mas me parece remota de acontecer, dada a condição de nossa rara descendência (são poucos os sardos que restaram da imigração tardia no país, sendo atualmente desconhecidos entre si), a migração desastrada pós guerra para outras regiões dos poucos remanescentes e a tímida e quase inexistente atividade dos "Circolos Sardos". Por ora, não existe uma entidade social que cadastre, reaviva e resgate a cultura dos sardos no país. Por isto convido por meio deste Blog, que comecemos a pensar num evento de aproximação. Num primeiro momento, através da rede social e de mensagens, a organização de informações e palestras (nas quais posso me apresentar como historiador e escritor sobre o tema, juntamente com outros "oriundis"), até que possamos começar nossos encontros anuais. Estejam onde estiverem, a Sardenha é nossa origem comum. E podemos fazer desta saudosa origem, um belíssimo reencontro de descendentes sardos...

O Encontro da Família Marra, onde participo como "agregado", tem sido um forte estímulo para que eu prossiga em minhas pesquisas. Semanas atrás viajei na ideia de montar um espaço aberto ao público, para divulgar e preservar a memória da imigração dos sardos. Agradeço muito a  família Marra, que me acolheu com o mais puro espírito italiano, alegre e fraternal. Estou grato a Deus e ao capricho da história, por este inestimável presente. Este espírito de união, cada vez mais raro, é com toda certeza a semente que deixaram além-mar e que continuará a frutificar aqui por muitas gerações.

Em homenagem ao Encontro, disponibilizo aqui as fotos dos painéis dos Encontros Anuais da Família Marra. Assim como fiz a árvore genealógica de minha Família Cappai, que já está disponível no site do "MY HERITAGE", irei auxiliar a Família Marra para que também disponibilize na rede social a sua árvore genealógica. É uma louvável ação para que os arquivos de família não se percam com o tempo e estejam sempre a disposição de outras famílias, agora e no futuro.







Moradia no "Timbó", perto de Careaçu (MG) no sul de Minas, onde os primeiros imigrantes da Família Marra iniciaram sua belíssima trajetória. 



sábado, 29 de setembro de 2018

Pesquisar para economizar - Cidadania


Passei por uma experiência esta semana muito interessante, durante o processo de apostilamento das Certidões. E acho interessante passar esta experiência. Sempre achamos que o preço de cartórios é tabelado e não há como escapar. De fato, os cartórios cobram caro e tudo é motivo e brecha para cobrar mais, seja no reconhecimento de firma, mais selos ou certidões vencidas. Resignado com as tabelas dos cartórios em Minas Gerais, que sempre apresentavam valores parecidos, independente da localidade, acabei deixando levar e gastei uma boa soma durante o período de quatro anos de espera na fila. Não sabia quando iria ser chamado a apresentar os documentos, por isto procurava estar sempre de posse das Certidões válidas. Esqueci que no Brasil, mesmo o Consulado sendo italiano, a burocracia é exercício para "monges tibetanos". Num dado momento, descobri que as Certidões deveriam ser de inteiro teor e os valores foram mais salgados... Haja paciência e "denaro"...

Recentemente precisei apostilar duas Certidões minhas, juntamente com as traduções juramentadas. Estas foram feitas pela Patrícia Rizzotto, excelente tradutora de Uberlândia. Por surpresa ao tentar apostilar mais Certidões em minha cidade (Pouso Alegre, sul de Minas), fui orientado que não poderiam apostilar, porque a tradutora não reconheceu firma de sua assinatura. Prestem atenção! O apostilamento em Minas Gerais é R$ 106,00 por documento e mais R$ 25,00 por folha acrescida. De tal forma, que o serviço que eu precisava, iria ficar em mais de R$ 470,00. Estava inconformado por pagar mais esta leva de documentos, mas estou numa fase que não dá mais para desistir. E foi assim que liguei para a tradutora para saber como iríamos fazer com o reconhecimento de firma de sua assinatura.

A tradutora orientou a entrar em contato com o Cartório JK, em Brasília (DF), onde tem firma reconhecida. Achei curioso, porque até então lidava com quatro cartórios diferentes em regiões diferentes de Minas Gerais, mas daí a mandar os documentos para Brasília era no mínimo uma "aventura burocrática" além dos limites do Estado. Mas os tempos são outros. No site do Cartório JK mostra uma Brasília eficiente, pois os documentos "ficam prontos em 24 horas". E foi assim que enviei a documentação. Mas, pasmem com o preço!!! O custo do apostilamento é de apenas R$ 38,00 por documento, sem acréscimos. E foi assim que os 470 reais de Minas Gerais se transformou em apenas 177 reais em Brasília. Foi ai que concluí, o que todo empresário mineiro já conhece há décadas, que Minas Gerais é o Estado mais voraz da Federação.

Outra questão específica, antes de localizar a prestimosa tradutora Patrícia Rizzotto, procurei por tradutores juramentados no sul de Minas. Verifiquei a inexistência deles no interior do Estado. Pedi informações a vários contatos e acabei com uma indicação no próprio cartório. Um tal "JB" se apresentou como tradutor em três idiomas e me pediu o valor de R$ 1.200,00 nas duas Certidões. Fiquei apavorado com o preço. Entrei em contato com vários tradutores em Belo Horizonte e alguns cobraram em torno de R$ 600,00. Tive a curiosidade de checar a lista de tradutores na JUCEMG - Junta Comercial e o tal "JB" não constava na lista, mas justificou que trabalhava com uma liminar. Enfim, não aprofundei na questão e fiz nova pesquisa, até que encontrei a Rizzotto Traduções ao valor de R$ 350,00. Estou citando os preços, porque na JUCEMG me informaram que as traduções tem PREÇOS TABELADOS pelo governo. Seja o que for, há muita coisa suspeita neste segmento. Se no passado, haviam atravessadores no agenciamento de imigrantes para a lavoura de café que vitimavam nossos antepassados em seus sonhos na América, hoje temos aproveitadores que estão enganando os oriundis no retorno às raízes...

Então, meus caríssimos oriundis em busca da cidadania, ATENÇÃO! Muita atenção para com os valores que estão pagando por serviços e também junto aos cartórios. Pesquise preços, porque a diferença vai te surpreender também...

LINK do Cartório JK: http://www.cartoriojk.com.br/

Buona fortuna!!!
Un mega abbraccio a tutti.

José Capaz


quarta-feira, 22 de agosto de 2018

LIVRO "A ILHA QUE ATRAVESSOU O MAR", disponível para downloader.


Prezados leitores do Blog "Italianocapaz",

Depois de muitas pesquisas com editoras e gráficas, estudando qual a melhor forma de disponibilizar para venda o livro "A ILHA QUE ATRAVESSOU O MAR", decidi deixar ele disponível em PDF no próprio Blog.

A "ILHA QUE ATRAVESSOU O MAR" é uma obra que durou quase cinco anos de pesquisa para se concretizar. Dediquei a esta pesquisa jornalística com zelo e afinco, como profissional formado na área, com especialização em historiografia. Espero que gostem do resultado. Pretendo pesquisar num futuro breve os documentos e pessoas na Sardenha, para transformar (quem sabe!) num romance com o mesmo título. Afinal, a raridade, as informações e os fatos que levaram os sardos a esta imigração rara, merecem nossa especial atenção, dentro da imigração italiana que ajudou a  formar este país.

Não é fácil editar e publicar obras no Brasil. Procurei editoras, gráficas independentes e por  impressões a preços populares, sempre com o objetivo de viabilizar o custo final da obra. Por fim, analisei no fundo da alma o "porque" de ter mergulhado nesta pesquisa. Fiz isto buscando minhas raízes e finalmente entendo hoje que, mesmo fragmentados, somos partes de um todo. SOMOS UMA GRANDE E DISPERSA FAMÍLIA, próximos ou não, mas para sempre SARDOS!!! Ou, quem prefira, italianos! 

Mas esta jornada não termina aqui. Estou disponibilizando para downloader o meu trabalho de anos de pesquisa. Irei continuar estudando as árvores genealógicas da família Cappai no Brasil, quiçá de outros sardos. Por isto, coloco-me a disposição de dúvidas e orientações a outros curiosos da imigração italiana. É um trabalho independente, sem prazo para terminar, custeados pelo autor. 

ACESSE GRATUITAMENTE SEU LIVRO, através do LINK ao lado.

Espero que gostem do livro "A ILHA QUE ATRAVESSOU O MAR". Façam seus comentários e tire suas dúvidas, através do email do autor:

sardocapaz@gmail.com

O AUTOR.



sábado, 18 de agosto de 2018

CONHECER E PERDOAR - O caminho para a cura


Nos últimos cinco anos, boa parte do meu tempo está cercado de estudos sobre a ancestralidade, mas também dedico ao conhecimento das áreas ambiental, mineração a agricultura, as quais estou envolvido com 33 anos de profissão. Minha visão é de um neófito e parcialmente leigo em certas ocasiões no que refere ao místico. Mas sou bem conduzido pela racionalidade e pela visão antropológica, me preservando em minhas crenças e convicções. Considero esta postura saudável, frente a tantos “doxas” divagantes na mídia, que fazem uma salada das teorias filosóficas, antropológicas, correntes humanistas e terapêuticas, pensadores e TUDO, TUDO MESMO, no viés de uma época com excesso de informações, um marketing constante de produtos e ideias. Mais confunde, do que explica.

Há três anos me tornei vegetariano, após a morte de nosso labrador de 13 anos e tenho me interessado também pela cura e tratamentos alternativos. Vivemos uma “época naturalista”, abrilhantada pelas centenas de “especialistas em generalidades” que invadem a rede, como alunos assíduos do “Tio Google”.  Um exemplo que tive esta semana veio com o “zumbido nos ouvidos”, que se persiste por duas semanas. Vejam bem, que se trata de uma questão física, conhecida pela medicina como Tinnitus. Fiz uma pesquisa na internet, consultei médicos (que inclusive tem o problema) e passei a me observar. Irei apontar as possíveis causas deste “Zumbido nos ouvidos”, para depois associar e concluir algo pessoal em relação aos estudos da ancestralidade, que nos interessa neste Blog.

Chegaram para mim diversas informações sobre o Tinnitus, o famoso zumbido nos ouvidos que atinge 28 milhões de brasileiros (15% da população brasileira, sg USP), independente da idade. Sabe-se pela ciência que não tem causa certa ou cura imediata. Mas os “achologistas de plantão” mergulham em explicações como mediunidade, glândula pineal, comunicação com espíritos e aliens, frequências de outras dimensões ou da própria terra , comunicações telepáticas ininteligíveis, possessão, etc... Para os médicos não tem causa certa, podendo ser perda de audição pela idade (tenho 54 anos) ou exposição a ruídos frequentes ou som alto, o que não é o caso. Por opção, não irei tomar mais antibióticos, principalmente pela incerteza da causa e seus efeitos colaterais. Por fim, observando minha rotina, passei a questionar minha vida vegetariana e esbarro nas deficiências minerais da vitamina B12 e Ferro. Vou fazer exame de sangue para tirar esta dúvida. Prossigo na trilha da biologia, sem divagar pelo misticismo.

Agora sim, vamos falar de nossa querida ANCESTRALIDADE. É inquestionável pelo que estudamos até então, a importância da herança genética (DNA) e o que somos hoje, entenda-se também as idiossincrasias ou heranças psíquicas. Entre estas, podemos citar a “Síndrome de Ulisses” ou o “Mal dos estrangeiros”, que aborda problemas de adaptação ao meio, ansiedade, depressão e sentimentos de não pertencimento ao lugar e a cultura; herdado inclusive de nossos ancestrais imigrantes. Em alguns esta Síndrome é latente e em outros se externam em violência e marginalidade, podendo ser evidenciada por gerações. ISTO É CIÊNCIA. Existem tratados e estudos científicos contemporâneos que abordam este tema atual, bem brasileiro, porque somos uma nação formada pelo braço de imigrantes, muitos explorados pela economia e politica desastrosa de uma época recente.

Mas os “achologistas” entendem profundamente da herança genética também. E no abstracionismo das causas internas, “o bicho pega”. E assim o camarada está possesso por espíritos de seus antepassados, está carregado, é pobre porque está estigmatizado pelos seus ancestrais, está amarrado por questões negativas do passado, precisa fazer regressão para saber porque é assim (e até descobre que foi um rei rico e opressor) e assim, nesta viagem sem rumo, surgem terapias e remédios miraculosos fantásticos que podem lhe transformar numa nova e bem sucedida pessoa, num passe de mágica que “depende de você”. Algumas terapias são perigosas, talvez ideológicas, que induz a pessoa a desligar de seu passado, como se não existisse, que você tivesse uma origem. Diz que esta “nova vida” (plena, feliz, independente e rica, de sucesso individual...), repito, necessita seu “desligamento do passado”. Alega que todas as heranças ruins foram herdadas do passado, como se fossem somente isto, mas esquecem da dualidade de todas as questões que envolvem a vida e suas interações.

Para quem visita meu BLOG e gosta de estudar a ancestralidade, vou dar um conselho despretensioso. Sou apenas um jornalista, que gosta de história. Desconfie de toda técnica, terapia, ideologia ou ideia que impõe um ponto de vista único, radicalizado, que pregue a ruptura como única saída. DIZER NÃO A SUAS RAÍZES ANCESTRAIS, EVITANDO-A OU A CONDENANDO COMO CULPADA DE TODAS SUAS MAZELAS MATERIAIS OU ESPIRITUAIS É UM ERRO. Toda questão tem duas ou mais versões. Pesquise antes. No meu ponto de vista, conhecer e perdoar é o caminho para a cura. Quando você culpa seus antepassados, gera rancor e raiva e isto traz doenças. Quando você rejeita o passado ou não está “nem ai” para as coisas velhas, isto cria e perpetua doenças psíquicas. Nossa geração é um pouco mais esclarecida, inclusive pela mídia e alta carga de informação que temos, mas é preciso FILTRAR AS INFORMAÇÕES. A cura está no conhecimento atual de si mesmo, mas também através de nossa história. Isto é humanização, independente do “lixo cultural” que está no ar, independente de gurus, crenças ou seitas.  

Num ambiente mais amplo, INTERESSA PARA GOVERNOS POPULISTAS E MANIPULADORES QUE OS INDIVÍDUOS NÃO TENHAM HISTÓRIAS, NÃO TENHAM PASSADO E NEM MESMO FAMÍLIAS; que sejam realmente empreendedores, individualistas e bons pagadores de impostos. É esta a oratória de nosso tempo, que muitas vezes reproduzimos seus jargões com “sapiência” ingênua. Um país que escravizou os negros e iludiu os imigrantes para substituir sua mão de obra e que perpetua por séculos uma elite corrupta no poder, DE FATO, não interessa que famílias unidas e íntegras formem cidadãos conscientes. È vero! Toda ideologia que fragmenta o indivíduo e a família com falsas promessas serve a este “status quo”, a este governo da desordem. Esteja atento ao bombardeio de informações neste país e preserve sua família e história.

Desejo que São Miguel Arcanjo proteja seus caminhos, descobertas, sua cura e de suas gerações passadas, atuais e porvir.

José Capaz
18-08-2018



quinta-feira, 16 de agosto de 2018

Apostimentos de Documentos para a Cidadania


Respondendo a dúvidas de outros colegas na busca da cidadania italiana:

O apostilamento, com base na APOSTILA DA CONVENÇÃO DE HAIA é o reconhecimento da autenticidade do documento oficial (Neste caso, as Certidões dos Cartórios de Registro Civil no Brasil), atribuindo a ela o valor e reconhecimento no Exterior, em outros países. Ela simplifica e agiliza os processos de reconhecimento da cidadania. Os documentos apostilados nos Cartórios de Notas no Brasil podem ser levados direto aos órgãos oficiais de outros paises (aqueles relacionados na Convenção de Haia), para que sejam analisados e juntados em outros processos. Vários são os Cartórios  de Notas que já aderiram no Brasil ao apostilamento. O custo varia de região para região e de Estado, mas aqui em Pouso Alegre, no sul de Minas, saiu por R$ 106,40 o documento (frente e verso) e acrescenta R$ 22,40 por folha a mais no documento.

Para recordar. Este apostilamento ocorre em cada Certidão de Inteiro Teor atualizada, referente aos eventos NASCIMENTO, CASAMENTO E ÓBITO de cada ancestral. Segundo informações que obtive, mesmo que nossas Certidões tenham tempo útil pequeno aqui, 90 dias (coisa de Brasil), na Itália considera que se não houver nenhuma alteração, a Certidão pode ser aceita no período de até um ano. As certidões  italianas tem validade bem superior as do Brasil.  

A reta final de agendar a entrega de documentos no Consulado nos deixa ansiosos. É uma grande emoção depois de tantas pesquisas, documentos perdidos e gastos. Mas vale a pena os esforços. É o sentimento profundo da aproximação de nossas raízes e ancestralidade. Infelizmente não localizei os documentos originais do meu "nonno", que faleceu em terras brasileiras como legítimo sardo. Ao conquistar a cidadania, todas as vezes que segurar os documentos italianos nas mãos como GIUSEPPE, sentirei ainda mais cercado de meus ancestrais. ESTÁ NO NOSSO DNA, ESTARÁ NOS DOCUMENTOS E EM NOSSAS ALMA ESTE "PERTENCIMENTO".

Não percam a esperança, porque somos frutos de desbravadores e destemidos imigrantes. Desejo Buona fortuna e proteção a todos que pesquisam, valorizam a cultura italiana e estão no caminho de obter sua cidadania.

Abaixo, segue a imagem do documento resultante do APOSTILAMENTO, específico à Certidão de Óbito de meu "nonno" RAFFAELE CAPPAI, seguido de sua foto e da família que constituiu no Brasil.

Apostilamento da Certidão de Óbito de meu "nonno". Este documento específico, obtido no Cartório de Notas, deve acompanhar todas as Certidões e Documentos no processo de cidadania.

RAFFAELE CAPPAI, meu nonno, filho eterno da Sardenha.

Família de meu "nonno" Raffaele Cappai. 

SARDO SIAMO, PER SEMPRE!!!


segunda-feira, 6 de agosto de 2018

COMO A POLÍTICA E A ECONOMIA IMPUSERAM AS REGRAS


Durante a ditadura de Getúlio Vargas, na década de 40, o governo brasileiro pressionou de fato os imigrantes, que já traziam o temor e a desconfiança em suas bagagens e experiências em terras estranhas a seus costumes e origens. Nos dados históricos, constatamos que as ações governamentais eram bem rigorosas quanto a expressão da cultura e o idioma por parte dos imigrantes. O governo temia que as influências externas pudessem vir com os imigrantes, podendo abalar a estrutura do governo com o anarquismo e prejudicar o nacionalismo que era estimulado com a ditadura de Vargas. Este povo valente fez mais pelo país, do que ameaçar com esta temível "anarquia" e "vandalismos". Os imigrantes contribuíram muito por impulsionar o país na industrialização e no desenvolvimento, após serem explorados em sua grande parte como mão de obra barata pela voraz aristocracia cafeeira. 

Neste aspecto, o autor de "A ILHA QUE ATRAVESSOU O MAR", aponta os fatos históricos que mostram a eficácia do país, principalmente o Estado de Minas Gerais, em arrebanhar grandes levas de miseráveis com a falsa promessas de um "Paraíso nas Américas", com predicativos como: "país da oportunidade", "abundâncias", "riquezas minerais", ter seu próprio "castelo" e, é claro, com todas as ajudas do governo. Na verdade, o governo buscava a mão de obra para jogar nas mãos dos ávidos fazendeiros, que perderam seus escravos após a Abolição dos escravos no país. Uma vez dentro do país, eram abandonados a própria sorte nas mãos dos fazendeiros. Mas antes disto, eram habilmente cadastrados pelo governo na chegada do Porto e nas hospedarias, para que as famílias fossem separadas e não pudessem se organizar contra o governo. Muitas tragédias familiares foram deliberadamente provocadas, com muitos "indigentes" enterrados em valas comuns. Sem alternativas para "o que restou das famílias", muitas retornaram a seus países e migraram para países vizinhos. 

Na escravidão, a regra era a chibata nas costas dos escravos e, posteriormente, os contratos leoninos e a exploração politico-econômica com os imigrantes. O Brasil foi construído desta forma, com base na exploração sem limites de seres humanos; um Kharma que se arrasta e tem sua perpetuação nos corruptos, larápios e corruptos atualmente no poder, cheios de falácias e dissimulações, enganando o povo, enquanto enriquecem... Ainda hoje, pouco mais de 100 anos do fim da imigração que marcou este país, este "poder público" contribui para a formação de favelas, a marginalização, a pobreza, a precária falta de infraestrutura e educação no país. Os malfeitores se organizam em partidos políticos e defendem regras que só a eles interessam. O problema não era com os imigrantes, mas já se encontrava aqui e enraizou de forma cancerígena no DNA de alguns brasileiros...

Os cartazes ameaçavam os imigrantes a abandonarem seus costumes e culturas no país e eram espalhados nas regiões onde se concentravam, como este no Rio Grande do Sul, a seguir:


Aviso colocado em locais de frequentação pública. Este no Rio Grande do Sul, no ano de 1942.  Fonte: Acervo de Edilberto Luiz Hammes.


Cartaz motivacional que era utilizado para busca de mão de obra na Itália, algumas com subsídios do próprio governo italiano. Estes imigrantes foram iludidos para "conquistar" um paraíso que não existia. Muitos descendentes de italianos não conhecem as histórias de seus ancestrais, não tem documentos ou fotos, porque foram intencionalmente apagadas por pressões do governo, que impôs uma identidade aos novos cidadãos. Meus ancestrais NÃO NATURALIZARAM brasileiros, foram um dos poucos nesta RARA IMIGRAÇÃO que não retornaram à Sardenha... morreram como sardos nestas terras...

No livro "A ILHA QUE ATRAVESSOU O MAR", conto fragmentos de minha família sarda, separados pelas fases históricas no país e como este representante da segunda geração de sardos percebe esta herança cognitiva e psicológica. É minha parca contribuição a minhas raízes, do qual me orgulho profundamente.

Autor: José Capaz
Jornalista e escritor.

REGISTRO DA CHEGADA DOS SARDOS EM MINAS GERAIS



A família CAPPAI veio no vapor EQUITÁ (Este que está na foto de época), cuja chegada foi registrada na edição do jornal “Diário Oficial – Minas Geraes”, de 29 de Junho de 1897, terça-feira. Entre os passageiros estavam meus ancestrais sardos, que deram entrada na Hospedaria Horta Barbosa de Juíz de Fora (conforme registros no APM - Arquivo Público Mineiro e cópias obtidas pelo Autor do livro "A ILHA QUE ATRAVESSOU O MAR").

O jornal anunciava nesta edição de 1897 os seguintes dizeres: “IMMIGRAÇÃO: Segundo communicação telegráphica da agencia fiscal do Rio de Janeiro, a 27 do corrente, chegou áquele porto o vapor “Equitá” trazendo 443 immigrantes para este Estado, os quaes no mesmo dia vieram para a hospedaria de Juiz de Fóra”.

Cópia digital do "Diário Oficial" de 1897, anunciando a chegada de imigrantes no Porto de Santos, dentre eles poucos sardos e a família Cappai.


Cópia do registro original da entrada dos imigrantes na Hospedaria Horta Barbosa, com registro da chegada da família de sardos Giuseppe Cappai e Maria Annica Gessa (Primeira família da lista)


Certidão do APM - Arquivo Público Mineiro atestando a chegada de meus ancestrais sardos em Minas Gerais em 1897, Brasil.


A HISTÓRIA DOS SARDOS NO BRASIL




Uma história além-mar que envolve uma família italiana, orgulhosamente sardos. Um momento histórico e dramático no continente europeu, os reis da Sardenha, o sonho de dias melhores no “paraíso” chamado América e as fazendas repletas de flores brancas nos cafezais mineiros. Uma viagem em mar aberto, sem volta, deixando o passado para traz e o início de uma nova vida. Quem pesquisa é o neto descendente, jornalista e historiador mineiro José Capaz Dutra Cappai, que vasculha a história fecunda e adormecida nos documentos históricos e, na bateia, diante de tantos fatos inusitados, o levam a reverenciar ainda mais seus ancestrais.



Curiosidades no livro "A ILHA QUE ATRAVESSOU O MAR"



"Os sardos se organizaram em várias regiões e países, em grupos fechados: os CIRCOLOS SARDOS. A finalidade é manter viva a memória da sua terra, fomentar a cultura da ilha e estimular o resgate cultural de seus descendentes.  Os Circolos Sardos no Brasil são: Circolo Social Sardo Su Nuraghe (SP), Circolo Social Cultural Sardo Giuseppe Dessi (SP), Circolo Sardo de Minas Gerais (MG), Circolo “Gennargentu” (PR) e Circolo “Grazia Deledda” (RJ). Nos países vizinhos ao Brasil, registram-se: Circolo Sardo Cileno (Providência - Chile), Circolo Sardo del Noroeste Argentino (San Miguel De Tucuman - ARG), Circolo "Antonio Segni" (Buenos Aires - ARG), Circolo sardo Rosario (Santa Fé – ARG), Circolo Italo Argentino Raices Sardas (San Isidro – ARG), Circolo Sardo de Salta (Bolivia), entre outros. No Brasil, por dispersão dos grupos e retorno da maioria das famílias imigrantes logo após 1897, com a crise do café em Minas, parte desta identidade foi pulverizada, como ocorreu na família Cappai."

Pesquisa:  José Capaz


quinta-feira, 2 de agosto de 2018

AS RAÍZES DA HISTÓRIA SARDA NO BRASIL

Da árvore genealógica dos "CAPPAI", da família dos sardos Giuseppe Cappai e Maria Annica Gessa, que veio no navio EQUITÁ (imigração tardia) em 28 de junho de 1897, estava meu nonno Raffaele Cappai e mais cinco irmãos:  Antônio, Maria, Salvatore, Filomena e Daniele

Poucas informações tenho de meus tios avós, exceto de Maria que faleceu no Asilo de Leopoldina e parte de Salvatore, cuja família reside em cidades serranas do Espírito Santo. Recentemente, contatos feitos a partir do "Blog", obtive algumas informações de Antônio e Daniele, através de seus netos; que também pesquisam e buscam a cidadania. Mas infelizmente, não há informações da composição de suas árvores genealógicas, paradeiros e fotos. Esta falta de informações e localização dos parentes sardos se estende sistematicamente para minha bisavó, de sobrenome GESSA. Não consegui rastrear nada deste sobrenome na zona da mata. 

Possivelmente, esta malograda imigração rara dos sardos, terminou com a pequena leva de imigrantes retornando para a ilha da Sardenha, por problemas de adaptação (poucos falavam o italiano). A própria história de Minas Gerais, com a queda da monocultura do café, forçou algumas famílias de sardos a mudarem para São Paulo, o sul do país e países vizinhos, onde a industrialização apelava por uma mão de obra diferenciada, descontextualizada da zona rural. Os imigrantes sardos ficaram ainda mais marginalizados, porque descendiam da cultura agrícola e do pastoreio. Na separação das famílias pela pressão econômica e adaptação ambiental, algumas ficaram no país por falta de opção, mas a maioria retornou para a Sardenha.

Encerrei animado o mês de julho 2018, com os contatos de Renato (SP) e Fabiano José (PR). O Renato Capai (com apenas um "p") é neto de Salvador Capai e bisneto de meu tio avô ANTÔNIO CAPPAI. O avô Salvador Capai casou com Anna Benedito Benedetti em 04/02/1928, em São Manoel (PR) e faleceu em 05/12/1990 em Maringá - PR. Seu bisavô ANTÔNIO CAPPAI casou com Amabile Maria Françoso e teve o Salvador com cerca de 28 anos. 

Outro tio avô que tive informações é DANIELLE CAPPAI, que no Brasil atendia pelo nome Daniel Capaz, foi casado com Maria José Diana, em 27/12/1919, em Palma - MG. Morreu em 19/04/1966, em Paiçandu, distrito de Água Boa, Paraná. É pai de Sebastião Rodrigues Capaz, que tem como filha Ilza Maciel de Oliveira, mãe de Fabiano José Pereira de Oliveira. O Fabiano que entrou em contato comigo através do "Blog". Outra história que passa a compor minhas pesquisas.

Estas duas histórias que conheci agora, só foi possível conhecer através dos contatos de Renato e Fabiano. Meus tios avós saíram da região da zona da mata mineira há muitos anos para o Paraná e as famílias perderam totalmente o contato. Assim também ocorreu com a família do tio avô SALVATORE CAPPAI, que no Brasil atendia pelo nome Salvador Capaz, cuja família reside toda no Estado do Espírito Santo. Uma parte da família de Salvatore corrigiu o sobrenome (de Capaz para Cappai) no Cartório Civil de Providência, também para fins de obter a cidadania italiana.

No meu livro "A ILHA QUE ATRAVESSOU O MAR", 220 páginas, relato todas minhas pesquisas jornalísticas a partir desta pequena família de sardos, dentro do contexto histórico, social e político, da rara imigração dos sardos para o Brasil. Este livro estará disponível em breve para aquisição aos interessados. Trata-se de uma obra "aberta", passível de reedições, considerando o ingresso de novas informações por parte dos arquivos pessoais de parentes e possíveis fontes históricas. É um tema bem escasso de fontes e documentos, mas muito cativante.

É importante anotar que, tão raro quanto a imigração, é o registro dos sardos no país; principalmente pela carência de informações e arquivos nas próprias famílias. O Brasil é um país que pouco investe na preservação de sua história. Foi predominantemente construído pelos braços de imigrantes, que entende o imigrante como um "ser sem história", que abandonou sua história em troca de outra. Agindo ainda assim, vejo um país sem identidade, com sérios problemas sociais e psiquiátricos. O DNA da grande maioria do seu povo, se reporta a raízes que, culturalmente e politicamente, foram forçadas à morte prematura. As famílias dos imigrantes foram separadas intencionalmente, devido ao medo do governo da época, destas se organizarem em rebeliões. Por lei, foram proibidas a não falarem seu idioma de origem, muito menos expressarem sua cultura. A punição era multa e cadeia, tratadas como marginais. Meu pai João Capaz de Oliveira, falecido no ano passado, ficou apavorado quando soube que eu buscava nossas raízes sardas e a cidadania italiana. Ele que nasceu em 1934, só expressou pavor de guerra e perseguições políticas ao saber de minha decisão. 

Assim, o autor do BLOG, como a segunda geração de sardos no Brasil, com DNA 100% europeu (Teste feito pelo My Heritage, nos EUA), não conheceu seus parentes, não teve contato com o idioma de seus ancestrais e, mesmo formado em jornalismo, teve muitas dificuldades em rastrear a história da imigração dos sardos. Mas eu carrego a persistência do Popolo sardo e a bravura de Shardana, aprendi a edificar resiliente meus Nuraghes de pedra, porque a isola paradiso está gravada PER SEMPRE em minha alma. O físico é brasiliano porque nasci nestas terras, mas minha alma e história é da Sardenha. Partirei deste mundo, com o espírito e identidade da Sardenha, como meus ancestrais. Estas são as minhas raízes, que reconstruo, preservo e me orgulho delas. E nesta busca diária, estou protegido por San Michele, patrono de Villasalto, a terra de meus ancestrais sardos.

Agradeço aos amigos e parentes que puderem me ajudar com informações e fotos da família "CAPPAI". 
A kENTANNOS!!!


domingo, 24 de junho de 2018

QUANTO CUSTA REQUERER A CIDADANIA ITALIANA?


Esta é uma pergunta frequente entre os "oriundis", os descendentes de italianos no Brasil. Muitos não buscam a cidadania por desconhecer os procedimentos, pela tão comentada burocracia e custos elevados do processo. Outros, porque não pretendem ir em busca de suas raízes na Europa. Mas, ainda assim, alimentam a curiosidade em obter a cidadania italiana. Por isto, resolvi apontar no BLOG os custos de hoje (junho de 2018), para que todos tenham uma base.

Em primeiro lugar é importante conhecer os benefícios de ter a cidadania. Quem tem filhos e netos, ou um dia os terão, entenderá que a conquista é compartilhada entre os familiares, perpetuando os laços e a energia vital familiar entre as gerações. Pelo fato dos nossos ancestrais estarem mortos, eles não deixam de existir. É nossa origem. Eles atravessaram o mar, enfrentaram situações difíceis num país com cultura e idioma diferente e sobreviveram. Tudo isto, traz um sentido maior. Estamos vivos hoje, graças a estes contumazes  aventureiros. E este elo é refeito com a cidadania italiana, que nos permitirá livre circulação dentro dos países da União Européia, acesso a estudos com valores reduzidos e serviços de saúde e emergências. É um legado para os filhos e netos.

Vamos considerar que o interessado já tenha conseguido localizar seu parente próximo, que veio da Itália durante a imigração. Que tenha localizado o registro do navio e sua entrada na Hospedaria dos Imigrantes, através do ARQUIVO PÚBLICO MINEIRO. Também que esteja em suas mãos a CERTIDÃO DE NASCIMENTO ITALIANA do seu ancestral, obtida na Itália através de um conhecido lá ou através de uma consultoria especializada. E que também tenha feito a TRADUÇÃO JURAMENTADA desta Certidão. E mais que isto, tenha reunido de seus ancestrais (Avô e Pai) todas as CERTIDÕES DE INTEIRO TEOR, respectivo ao Nascimento, Casamento ou Óbito de cada um deles. E também tenha feito o APOSTILAMENTO destas Certidões no Cartório de Notas, o que atribui a estas Certidões o selo de "documento oficial", para que seja aceito e analisado em outros países; procedimento aceito a partir da Convenção de Haia de 14/08/2016.

E agora, é chegado a hora de agendar a entrega dos documentos, após QUATRO ANOS DE ESPERA na filha do Consulado Italiano. Neste ponto, considerando que o "Nonno" seja nosso ancestral italiano não naturalizado brasileiro, é possível falar dos gastos. Vejamos:

07 (sete) Certidões de Inteiro Teor - CIT  = R$ 623,00
09 (nove) Apostilamentos das Certidões (incluindo as suas) = R$ 961,92
02 (duas) Traduções juramentadas (as suas Certidões) = Cerca de R$ 500,00
07 (sete) Reconhecimentos de firmas nos requerimentos CIT aos cartórios = R$ 41,93
Taxa do Consulado Italiano para o serviço consular = 300 euros = R$ 1.299,00

SUB-TOTAL:  R$ 3.425,85

Lembra da Certidão de Nascimento do "Nonno" que solicitou na Itália e também sua tradução juramentada? Acrescente seu valor nestes custos, que hoje fica por volta de R$ 750,00. Então teremos o custo final:

TOTAL DOS GASTOS PARA OBTER A CIDADANIA ITALIANA = R$ 4.175,85

Voltando a falar dos benefícios, é interessante dar o exemplo da filha de um amigo. Ela conseguiu a cidadania. Não esperavam que os rumos dos estudos, levassem ela a mudar para a Dinamarca, com apenas 23 anos. Com a cidadania e o passaporte europeu, isto foi possível para esta família. Hoje ela reside e trabalha na Europa, sem problemas com vistos, residências ou acesso a serviços essenciais. A cidadania possibilitou que ela pudesse trabalhar de forma legal e ser respeitada como cidadã. Por isto, sempre enfatizo que a cidadania é um direito constitucional daquele país, mas que (uma vez conquistado) abrirá perspectivas para as novas gerações. E atravessar novamente o mar, como descendentes daqueles destemidos imigrantes, é revitalizante...

Espero que tenha ajudado. 
A KENTANNOS!!!



domingo, 27 de maio de 2018

Bem de família começa pela memória


Meu avô sardo construiu sua casa no Distrito de Leopoldina, chamado São Lourenço, na serra. Desta casa saiu a geração de pai, com oito filhos. Era imigrante, pedreiro e carpinteiro. Vi com orgulho suas obras no Armazém, algumas casas e na igreja do vilarejo. Sinto a luta e o suor em casa caco do tijolo manual e vão da argamassa, contando história viva. Não é história soterrada, mas registro vivo. Está viva a história, porque como neto deste sardo imigrante (que não naturalizou brasileiro), está aqui relatando. Meu pai, antes de falecer em 09 de maio de 2017, aos 83 anos, me contou suas histórias e narrou seus feitos.

O sardo Raffaele Cappai, cujo nome no Brasil era Rafael Capaz, deixou seu legado. Sistemático, de pouca fala, engenhoso em suas ideias e muito dedicado à família, tem sua história de luta gravada nas paredes desta antiga casa e no vilarejo. Olhei o brilho nos olhos do meu pai, nesta visita ao vilarejo, a empolgação do filho contando a antiga roda d’água, o engenho, o pomar feito com zelo, o carro de boi feito no canivete, a receita impecável da polenta e tantas outras histórias... E estas histórias me encheram de vontade de comprar a antiga casa de meu avô, para manter a memória da família.

Mas vários fatores me puxam para a realidade. Minha família está distante mais de 500 quilômetros do local. O investimento seria alto e sem chance de se efetivar. A nova geração jamais entenderia os motivos. Os elos sentimentais são efêmeros diante das urgências atuais, implicando em mudanças de rotas e planos. Como gostaria de comprar esta antiga fazenda!!! Para outros, história é uma “grande bobagem”. Enxerga a maioria dos que estão nesta encruzilhada, que o recurso financeiro é superior a toda vivência e arquivos de família. Ao contrário do velho mundo, que se orgulha de preservar e falar do berço de várias gerações. Na Europa é até um sacrilégio desfazer de um bem de família, pois algumas servem há mais quinhentos anos a suas gerações. No Brasil, salvo poucas excessões, não mais importa a distância e o tempo, porquanto não se dá valor à memória e poucos esforços se movem para reconstituir e perpetuar a história familiar. Vale o consenso e o valor que grita mais alto.

E embrenho neste vão de raciocínio, abraçando duvidoso a dissonância cognitiva, de tantos sardos que na saudade extremada de seu berço “isola paradiso”, a falta de adaptação em terras estranhas, abandonou a malograda imigração e retornou de onde nunca deveriam ter saído. E apreciando orgulhoso a casa construída pelo meu “nonno” sardo, entendo a temporalidade do abrigo, porque ele também sonhava um dia retornar para sua terra natal. Deus é bondoso em permitir ao ver a firmeza destas obras, que ostentam 100 anos de construção e de vivida lembrança da luta de meus ancestrais. Talvez não seja o fato de ter sua posse, exceto a captura pelo olhar, porque a Sardenha ainda grita na memória de seu descendente. A demolição da casa do "nonno" com o passar dos anos é mera fatalidade temporal, mas a memória viaja muito longe...




terça-feira, 3 de abril de 2018

Lucinha Dettori é parte da ilha que atravessou o mar.


Lucinha Dettori criou filhos e participa da educação dos netos, plantou com certeza muitas árvores e agora lança finalmente seu tão esperado livro. Completa um ciclo de evolução na descoberta mais fantástica de sua vida, que está em comunhão com todos os "oriundis" que fizeram e fazem deste país uma terra melhor para se viver. É um evento memorável e que comemoramos com alegria e muita simpatia. Lucinha é uma descendente engajada na rara imigração sarda para o Brasil. Sua vida é uma reverência aos seus e aos nossos ancestrais que atravessaram o grande mar, doaram as suas vidas em terras distantes, mas que nunca esqueceram a paixão pela "isola paradiso". Tem a genética da bravura de Shardana e da determinação milenar do "popolo sardo", que alça voo bem acima de Gernnagentu para contemplar a beleza da criação...
Além do seu DNA que alimenta os sonhos do reencontro de suas raízes no distante mediterrâneo, traz na voz e no olhar a doçura e a firmeza da poesia sarda. É incansável pesquisadora de nossas raízes de imigrantes, vibrando a cada descoberta e compartilhações no blog "Sardegna sa terra mia". Desperta e alimenta assim a comunhão dos poucos descendentes sardos que ainda permanecem em solo brasileiro, sonhando o dia do retorno.

Fragmentos em comum...

"Acaso espera o tempo?! Farei retornar a esta terra jamais experimentada? Que registros há neste solo, que me atrai como o imã a limalha, E quão grande é a distância que nos separa dos sonhos. Oh! Deus, que mosaico virou a vida, quando as raízes afloraram, Quando poucas respostas vieram pela insistência de seu servo, Rasgando a terra que parecia firme, convicta, agora fértil de indagações.

Sempre gostei do mar, de navegar, da pesca e da brisa, Que diria as palmeiras dançando ao vento, no frescor arrancado pelo olhar, Do cantar das águas do rio, que desaguava no espírito irrequieto, E o lavrar da madeira metamorfoseando-se em “mamutones”, Horas martelando a madeira, criando vida. E lá estava ela, a ilha que concentrava no coração, do esquelético ser, Agora preenchido pela descoberta de que não era um ser isolado, Este minúsculo ser perdido no nada, na complexidade do nexo, Mas sim era a ilha que habitava no mais profundo de minhas memórias, E assim, nas entranhas do DNA, dos Memes, no borbulhar dos pensamentos, Está a ancestralidade sarda que atravessou o mar..."


Parabéns Lucinha. Desejo sucesso no lançamento de seu livro e grandes emoções na visita a ilha. Quando chegares em Cagliari, reza para Nossa Senhora de Bonária, a protetora dos navegantes. Assim como nossos ancestrais que atravessaram o grande mar e possibilitou nossas existências, como descendentes à procura de nossas raízes, nos tornamos igualmente navegantes. Que os bons ventos guiem seus caminhos. A"kentanos mia sorella...


Capa do livro "Lagrimas por Rosello", da autora sarda mineira Lucinha Dettori.
Busca arrecadações para seu lançamento, através do Link 






quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018