sábado, 17 de novembro de 2018

LIVRO GRATUITO, DISPONÍVEL NESTE BLOG.


Caros leitores e seguidores do BLOG "italianocapaz":

Continua disponível gratuitamente neste Blog, o livro "A ILHA QUE ATRAVESSOU O MAR", com 220 páginas de informações sobre a rara imigração sarda para o Brasil. Há também curiosidades da imigração italiana, uma vez que a ilha da Sardenha faz parte da Itália, sobre o processo de pesquisa e busca da cidadania italiana, assim como curiosidades históricas e geográficas da Ilha da Sardenha. Vale a pena ler o livro e conhecer sobre a imigração, que muito contribuiu para o desenvolvimento do Brasil!

Faço também uma pesquisa bibliográfica sobre a "Síndrome de Ulisses", conhecida também como a Síndrome dos imigrantes, que aflige milhares de imigrantes e seus descendentes, ainda hoje. Como representante da segunda geração de sardos no Brasil, jornalista e especialista em historiografia, faço um aprofundamento da pesquisa acadêmica em torno deste tema, buscando elementos que separaram, de 1903 até os dias de hoje, a família CAPPAI em três instantes históricos. Esta separação, originada na malograda imigração (principalmente pelas campanhas e falsas promessas do governo mineiro, documentadas na Itália), levou a geração de meus pais e a minha a não falar o italiano ou sardo e a não conhecer a história e a cultura da Sardenha. Esta desagregação acarretou problemas psicológicos profundos, conscientes e inconscientes, que se arrasta por gerações. E aprofundo na análise destas questões, na vivência que tive com meu pai João Capaz de Oliveira e seus relatos de meu avô Raffaele Cappai, que não naturalizou brasileiro e foi enterrado em Leopoldina - MG. 

O livro levou quase cinco anos para ser escrito, dada a falta de informações, a árdua garimpagem que dependia de fontes brasileiras e italianas e a pequena família que está espalhada nos Estados de MG, RJ e ES, distanciados pelo tempo e pela história. Utilizo este Blog, a partir do término deste livro, para avançar nas pesquisas e, quem sabe, fazer sua reedição.

Boa leitura a todos que atravessaram o mar...
Grazie mille.





ÁRVORE GENEALÓGICA DAS FAMÍLIAS KERSUL E MARRA


Utilizo o espaço da família CAPPAI, para postar parte das descobertas da árvore genealógica das famílias KERSUL e MARRA, sobrenomes de minha esposa Mara. Tenho grande carinho por aqueles que me acolheram como parte da família. E frequentemente tenho recebido pedido de pesquisas de membros destas famílias. Esta postagem é a pesquisa preliminar, que precisa ser aprofundada na parte documental e entrevistas. 

Na ocasião do 5º Encontro Anual da Família Marra, um leitor e representante da família Marra de Uberlândia e cidades do Triângulo mineiro, apresentou sua família: Antônio Marra, Henriqueta Marra. Julieta Marra, Júlia Marra e Pompilio Marra. No momento, não temos condições de estabelecer os elos da árvore genealógica, porque extrapolam a pesquisa, o tempo e as fronteiras. Por serem famílias mineiras e compartilhando o mesmo sobrenome, há chances de parentesco de 2º, 3º e 4º grau; mas só após o aprofundamento das pesquisas é possível afirmar. Compartilho neste Blog a árvore genealógica de minha esposa ROSEMARA KERSUL (Filha de Expedito Kersul e Marta Marra, ambos da região de Pouso Alegre/MG), que pode ser a base de uma sondagem de meus leitores, junto aos mais idosos de suas famílias. Vamos atualizando, sempre que possível. Agradeço por informações.


Genealogia é um trabalho de paciência, um quebra cabeça que estimula a curiosidade pela família, estreitando laços de amizade. Não desistam! Sempre digo que, a cada funeral na família, enterramos parte de nossa história e biblioteca familiar. Não podemos deixar que isto aconteça, porque sempre terão outros (talvez nem tenha nascido), que irão se interessar. Uma vez conscientes deste espírito famíliar, não podemos deixar de documentar e facilitar o caminho para outros.

Aproveito para incluir os sobrenomes sardos MOCCO e PIREDDA à lista que já apresentei neste Blog. A pedido de um leitor e descendente, estes sobrenomes também fizeram parte da rara imigração sarda para o Brasil. 

Grazie. Buona fortuna a tutti.

COM TODOS OS SOBRENOMES DA FAMÍLIA.


Teve alguns séculos atrás era costume utilizar todos os sobrenomes (apelidos ou nome) da família. Em alguns círculos da sociedade, por questões políticas e notoriedade, quanto mais nomes ostentasse, teria mais probabilidade de aceitação e acesso no meio social. E isto se ocorreu, mais destacadamente com a família real portuguesa no Brasil. Basta ver o nome completo de D. Pedro I e D. Leopoldina, para perceber o quanto pesava o nome com recuo de 3 a 5 gerações. E foi movido por esta curiosidade que fiz a composição do meu nome e de minha esposa, recuando quatro gerações nas famílias.

Talvez nos possa parecer que determinados sobrenomes estejam tão distantes, que não fazem parte de nós. São olhados com certa estranheza. Contudo, é importante lembrar que somos herdeiros geneticamente deste passado, compondo a história da imigração e deste emblemático país. Com o passar do tempo e evolução dos costumes, fomos nos despindo dos sobrenomes, se atendo somente à família mais próxima e imediata. Muitas das histórias foram esquecidas, não contadas e enterradas definitivamente. Mas, é fato, somos testemunhas de que estas histórias ocorreram (acertadas ou desacertadas). 

Então, ao montar também sua árvore genealógica e deparar com vários sobrenomes nas ultimas 4 ou 5 gerações, agradeça e reverencie seu passado. O capricho da história propiciou que casais se formassem a partir da simpatia, ideias em comum, sincronicidade, na lida diária, do "lavoro", para que estivéssemos aqui hoje, compartilhando este tempo. Originamos destas diferentes formas de ver a vida, idiossincrasias e, porque não, até de divergências. Assim caminha a humanidade...

Meu nome:  José Capaz Dutra Cappai

Como seria meu nome completo (11):   José Capaz Dutra Campos Carvalho Vieira Nicácio Moreira Agus Gessa Congiu Cappai.

Origens:  Composição do DNA, conforme Laboratório My Heritage, Texas (EUA).



Nome da esposa:   Rosemara Kersul C. Capaz

Como seria o nome completo (13):   Rosemara Kersul Marra Godoy Nogueira Modesto Damiani Ameno da Silva Narciso Brasil Bianchi Cappai Capaz.

Origens:  Composição do DNA feito por irmão, conforme Laboratório My Heritage, Texas (EUA).


E, ao buscar a composição das raízes de minha esposa, tive uma grata surpresa. Nos conhecemos há quase 30 anos. Fomos colegas na primeira turma de Jornalismo da Univas, de Pouso Alegre/MG, formandos de 1992. Como autor do livro "A ILHA QUE ATRAVESSOU O MAR", consciente de minha alma sarda, descobri que a família de minha esposa também possui uma parte da ilha da Sardenha. Traz na alma a bravura do popolo sardo, a ancestralidade guerreira de Shardana, o espírito laborioso de pastores e o empreendedorismo destemido daqueles que atravessaram o mar. 

A história da imigração também deixou pistas para a família de minha esposa. Seus trisavós Anselmo Bianchi e Josephina Bianchi deram o nome da filha ISOLA Bianchi. A palavra "isola" em italiano é ilha. Bem certo, assim como aconteceu com meus ancestrais, fizeram reverência à "Isola paradiso". E da Itália, sua família carrega outros sobrenomes como Damiani e Marra, com menor percentual, também presentes no continente e na ilha.

Tanta musicalidade e misticismo herdados pelas famílias, traduz perfeitamente "A ILHA QUE ATRAVESSOU O MAR", porque este "Popolo di mare" ainda constrói histórias além mar, como eternos desbravadores que são. Pedras sobre pedras, Nuraghes após Nuraghes, onde quer que estejam, unindo os mares e outros povos. E certamente, para os que acreditam que a vida não termina aqui, prosseguem além vida suas trajetórias. 

GRAZIE A DIO, SIAMO SARDI.

Capaz & Mara, um fragmento da Sardenha além mar.


quinta-feira, 1 de novembro de 2018

"O PRENOTA ON LINE É UM MONSTRO INFORMÁTICO"


Quem disse esta frase foi o Cônsul Geral da Itália em Curitiba, o sr. Raffaele Festa, num evento público em 29 de agosto de 2017. E isto conclui de forma catastrófica e revoltante meu processo de cidadania, que dura quatro anos de espera na fila do consulado. Juntei todos os documentos, gastei consideravelmente com certidões e suas atualizações, apostilamentos, traduções juramentadas e muitas viagens atrás de documentos. 

Com certeza, o programa de agendamento do Consulado italiano no Brasil, principalmente pela dependência de fusos horários e horários de verão, favorecem técnicos de informática e seus programas criados para monitorar os segundos para a disponibilidade da vaga. Estas vagas são preciosas e vendidas a valores que chegam a R$ 3.000,00. Quem vende e está bem visível em sites de internet, são prestadores de serviço ou pessoas fora do Consulado que passam esta "facilidade". Após quatro anos de espera numa fila e gastos que chegam a quase oito mil reais, sinto-me com cara de palhaço, estarrecido e sem poder reclamar a ninguém. 

Curti e emocionei com cada descoberta na pesquisa genealógica. Chorei ao encontrar fotos e documentos de meus ancestrais, ao conversar com parentes próximos e distantes, ao chegar as Certidões de casamento de meus bisnonnos e de nascimento do nonno, emocionei com a alteração do meu nome ao ver o resgate de minha história, fiz torcida a cada evolução da lista do consulado ao acompanhar meu requerimento, escrevi o livro da história familiar "A ILHA QUE ATRAVESSOU O MAR" (disponibilizei gratuitamente aos internautas e oriundis que me acompanham) e passei a emoção da cidadania a muitas pessoas. Mas o "jeitinho brasileiro" me atropelou quando chegou o mais importante momento de minha vida. Apresentar meus documentos ao Consulado era sim um momento mágico, de coroar todo meu trabalho e vivência destes anos de pesquisa. ALGUM DISGRAZIATO VENDEU MINHA VAGA. Destruiu meu momento mágico e de tantos outros que aguardavam ansiosamente nesta maledetta fila...

Enviei email apavorado para o Consulado e não me responderam. Consultei advogados, que nada puderam fazer. A Ouvidoria Consular em Brasília nada puderam fazer, por não se tratar de competência do Ministério das Relações Exteriores. A atenciosa deputada Renata Bueno, que representa a América Latina no Parlamento italiano, confirmou a existência do problema, porque já havia denunciado este sistema de agendamento e pagamentos. Mas como no Brasil, as burocracia na Itália é insipiente e nada foi melhorado em Minas Gerais. Meu prazo encerrou ontem 31/10/2018 e, hoje pela manha, meu email já não estava cadastrado no sistema do Consulado. Vários acessos e dormindo tarde para monitorar a agenda do Consulado e fracassei. Meus leitores que buscam a cidadania, a sensação de "morrer na praia" após anos de espera, é desesperadora. Muita atenção para este final do processo. Todo trabalho que teve para pesquisar, buscar e apostilar documentos não é nada! Se não conseguir agendar no Consulado, estará tudo perdido.

Para retomar meu processo, terei que entrar em outra fila e esperar por outros quatro anos. Vou perder todas as Certidões e apostilamentos, porque os Cartórios no Brasil ganham uma fábula com estas histórias mal sucedidas, haja visto que quaisquer Certidões possuem validade de apenas três meses. Serviços cartoriais no Brasil são acachapantes! Tenho que provar que eu estou vivo, que não casei novamente, que o tradutor existe e blá...blá...blá, tudo novamente, a cada três meses. O processo de cidadania não é barato, mas nunca imaginei que seria ASSALTADO no final de meu processo. È vero! A maioria dos que monitoram o sistema de agendamento dos serviços consulares não são os verdadeiros interessados no serviço. São aves de rapina em busca do dinheiro fácil, para destruir os sonhos de pessoas de bem. É uma decepção...

Cheguei a pensar a comprar o lugar na fila, esquecendo que eu teria o direito após esperar por quatro anos este momento especial. Mas, por princípios e berço, eu optei por não alimentar este mercado maquiavélico. A maioria se desesperam e pagam. É tão errado como ser receptor de mercadoria roubada. Sou descendente de pastores sardos e tenho em meu DNA a pìu vecchia religione di Sardegna. Saberei esperar com resiliência a hostilidade climática da ilha que se tornou também meus pensamentos, esperando o dia para conhecer pessoalmente o berço de meus ancestrais. Vou lutar dia a dia, todos meus dias, neste ideal de vida. Estas raposas que rondam a agenda do Consulado italiano de Belo Horizonte, que rastreiam impunes e sedentas por valiosas vagas, arrancando-as de ingênuos e sonhadores oriundis, DEUS TOME CONTA!  Se o Brasil não extirpar os oportunistas e criminosos, definitivamente, estes acabarão com o país. Tudo começa na esperteza de "ganhar dinheiro fácil" até chegar nas grandes negociatas, no Congresso Nacional e na má fama internacional.

Eu saio desta fila maledetta de cabeça erguida e reforçado para nova luta. Alerto meus leitores e vistantes do Blog italianocapaz, para este problema na finalização da cidadania, requerida no Brasil. A Sardenha me aguarda, com a proteção de São Miguel Arcanjo, Protetor de Villasalto, terra de meus ancestrais sardos.