terça-feira, 6 de janeiro de 2015

Uma oração "italiana", muito especial.


"A Oração da Paz, também denominada de Oração de São Francisco, é uma oração de origem anônima que costuma ser atribuída popularmente a São Francisco de Assis. Foi escrita no início do século XX, tendo aparecido inicialmente em 1912 num boletim espiritual em Paris, França.
Em 1916 foi impressa em Roma numa folha, em que num verso estava a oração e no outro verso da folha foi impressa uma estampa de São Francisco. Por esta associação e pelo fato de que o texto reflete muito bem o franciscanismo, esta oração começou a ser divulgada como se fosse de autoria do próprio santo.
No Brasil mais antiga versão conhecida desta oração é publicada em Anais da Câmara dos Deputados do Brasil em 1957."
FONTE:  Wikipédia

Palavras à "Donna" italiana; a "moglie" de nossas vidas.

QUAL O SENTIDO QUE TEMOS DE NÓS MESMOS???

Provar que somos homens valentes?
Somos fortes e inabaláveis, como defensores da “ilha paraíso”?
De que somos bravos até o ultimo momento, no bom estilo que “italiano que é bom, morre de pé”? Que homem, mesmo agredido, não chora? E quantas foram as agressões em toda a imigração... Que as perdas devem ser contidas por fortes muros de pedra, para impedir novos invasores, como centenas de nuraghes por toda vida? Será que resistirão até o ultimo instante? Quem sabe inconscientemente seremos um sardo sempre armado, à espera de sua caça ou guardando o rebanho? Até onde permaneceremos tão rudes.

Penso hoje que somos um pouco de tudo isto, mas não teríamos humanidade, se não fossem as mulheres em nossas vidas. Este é o maior teste que Deus deu ao homem, a de ter uma companheira em nossas jornadas. EU PODERIA ANDAR PELO VALE DA MORTE, mas se tenho a companheira ao lado, tenho coragem para enfrentar. Lembre que na “louca” decisão de Giuseppe, o sardo, tinha a Maria Annica para atravessar um grande mar e tempos difíceis. E assim se deu várias vezes depois com outras famílias de nossas origens, em outras Cidades e Estados: Abaíba, Providência, Leopoldina, Nova Venecia, Boa Esperança, Castelo, Cariacica, Cachoeiro do Itapemerim, Vitória, Rio de Janeiro, entre outras.

Que reverência estaremos dando às nossas matriarcas, quantas Marias, sem as quais não existiríamos? Que respeito e gentileza estamos dando à mãe de nossos filhos?
Que homens teríamos tornado se não fossem as mulheres? Seríamos perversos? Seríamos animais? Estaríamos perdidos para sempre? Este ponto é importante nas nossas vidas, saber conviver com as mulheres. Porque, se elas são simbolicamente parte de nós, a ponto da Bíblia citar que saiu de uma das nossas costelas, interessa A Quem as criou que cuidemos bem delas. Isto é fato. E esta é nossa prova final. Não podemos perder a paciência, a ponto de rebaixar e depreciar a maior obra de Deus. É pelo interior das mulheres que o milagre da vida se propaga.

Voltamos a nosso exemplo. Giuseppe poderia vir só, tentar a vida na América. Muitos vieram, até clandestinos e morreram sem nunca terem retornado. Eu não teria existido, nem meu pai, muito menos nossas famílias. Mas Giuseppe veio e trouxe Maria, e trouxe sua família. Sabe por que? Porque o maior santuário de um sardo autentico é sua família. E a “madonna”, mãe de Jesus, está personificada na mãe, que é o esteio da família. Giuseppe, pai de Raffaele, não veio só, porque era uma família, como nós. Podemos não concordar, mas é preciso respeitar. E pela concordância e respeito, José e Maria (tradução em português) vieram para o Brasil.

E esta tem sido “minha bíblia”, a história dentro da história familiar. Passo todos os dias, buscando conhecer o rosto de meu bisavô Giuseppe e bisavó Maria Annica, uma missão de vida e de total reverência a nossos ancestrais. Imagine a situação: Giuseppe teve uma visão de que deveria pegar a família e seguir outros para uma tal América. Rezou e Deus deu-lhes força para convencer Maria, porque acreditava que a crise no seu país iria massacrar a todos. MAS SE GIUSEPPE fosse temeroso de viajar e renitente como meu pai João Capaz. É simples, não existiríamos aqui para conversar sobre genealogia. E graças à Maria Annica, esta grande mulher e minha bisavó, que aceitou a empreitada da imigração, trouxe no colo o meu pequeno avô Raffaele. Assim a vida germinou em terras brasileiras...

Os sardos são um povo com milhares de anos. A raiz de nosso sobrenome Cappai aponta para o judaísmo na Sardenha, com origens bíblicas, naquele povo que caminhou pelo deserto (Gabbaj) na tribo de Benjamim. Isto pode confirmar que somos de origens rudes, muito antigas e estamos procurando pela terra prometida há muitas e muitas centenas de anos. Não podemos ficar perdidos tanto tempo assim. Já estamos conscientes demais de nossos papeis, por isto, procuro refazer e entender a história familiar. É preciso buscar meios de unir a família, num grande encontro de gerações, esta é a missão...

Consegui reestabelecer parte do elo da corrente, rompida pelo tempo, mas a pesquisa continua. A leitura desta história precisa avançar e ser repassada aos nossos descendentes. Em algum tempo ou lugar, terá outro José ou Maria, meus descendentes, para trilhar estes caminhos. Não posso ficar surdo e mudo diante da história, porque sinto uma obrigação visceral pela pesquisa da história familiar. Em tudo que fazemos, SOMOS DEUS EM AÇÃO, porque fomos criados à sua imagem. Negar a história é negar a própria identidade.


Passei a bendizer tudo que me aconteceu, agradeço a vida que levo, o passado que tive e a vida que poderei ter futuramente. A criação de Deus está no ar que respiro, na água que me serve, no barulho do riacho, nas nuvens, no sorriso, no semblante do próximo, na palavra amiga, na gentileza, na vivência do mundo, no etéreo, na espiritualidade e na crença de uma nova etapa na vida. Alguns viajam de bicicleta, outros de moto, de ônibus, de carro de luxo ou de avião, seja de qualquer forma, mas todos chegarão lá. Alguns fazem caminhos tortos e complicam, demoram, mas chegam também lá. Serão negros, brancos ou amarelos; podem ser drogados, prostitutas ou ladrões, mas chegarão lá. Lembro-me que Jesus perdoou dois ladrões, crucificados a seu lado, para dizer que não podemos ser preconceituosos, não jogar pedras. Muito da nossa história familiar ficou para sempre perdida, por conta de preconceitos, como na maioria da história das famílias. É importante perdoar o passado e construir uma nova história. A austeridade já fez muitas vítimas e distanciou pessoas. É preciso ser paciente e tolerante com nós mesmos. Este é meu entendimento pessoal de ser Cristão. 

Saudações à todas as mulheres da família e a meus ancestrais sardos, imigrantes e corajosos. Amém. 

Um passeio de carro pela Cordilheira dos Andes, além da fronteira, em 2012.

domingo, 4 de janeiro de 2015

Palavras ao meu pai sardo-mineiro - Parte III



TRANQUILIZA SEUS PENSAMENTOS E SEU CORPO, porque venceu o bom combate.

A morte chega a todo vivente, e não se deve resistir e cultuar o corpo, é apenas um empréstimo. Somos espíritos com experiência de corpo, como diz os preceitos da velha religião na Sardenha.
Não devemos torturar com pensamentos e rancores em vão, quem nos acompanha a jornada. As inquietações do velho combatente devem ser estancadas, porque um novo tempo há de vir.
Toma como exemplo os centenários desdentados da Sardenha, com o riso maroto no rosto. As rugas dos sofrimentos não apagaram a singeleza e a tranquilidade de suas almas.
Pelo contrário, tomam seu vinho, caminham ao sol, conversam nas praças e são amigos entre si. Os geneticistas estudam o DNA dos velhos da Sardenha para saber por que vivem tanto.
Após ler e comungar pensamentos ancestrais, posso dizer que entenderam o sentido da vida. Nossos ancestrais Giuseppe e Maria, Raffaele e irmãos, não morreram. Está aqui nestas palavras.
Creio que voltaram juntos para a ilha, a que todos os residentes chamam de “ilha paraíso”.
A ilha de nossos ancestrais reporta à antiga Atlântida, uma terra de grande energia concentrada. Historicamente, foi repetidas vezes invadida por bárbaros e protegida bravamente pelos sardos.Quantas vezes nosso “paraíso” interno, o equilíbrio pessoal é invadido ao dia? Uma bárbarie. E quantas vezes, esta invasão, clama pelo ideal de termos a família, toda unida perto de nós?

Giuseppe e Maria sonharam um dia em ter uma fazenda para toda família, gravado em nosso DNA. Uma comunidade agrícola autossustentável, que você sonhou e eu também sonhei, uma utopia.

Mas hoje temos a missão de perpetuar a história, a saga da família Cappai.

Palavras ao meu pai sardo-mineiro - Parte II



ACALMA ESTE CORAÇÃO VALENTE, DE DESCENDENTE SARDO, MEU PAI.

Uma origem distante, das terras milenares da Sardenha, uma veia além-mar.
O gosto por ferramentas, o lavrar da madeira e o erigir sistemático de obras reais e fantasiosas.
Sulcado na alma a ferro e fogo, a valentia e o sonho de espíritos inquietos, sem fronteiras.
Rude nas origens do “popolo sardo”, homem do campo, construtor e semeador.
Errante protetor da família, solitário e resistente criador de ovelhas, afastando lobos e fantasmas. Incompreendido em sua forma bruta, como animal enjaulado e solto em terras estranhas.

Giuseppe Cappai, um homem da ilha que enfrentou o mar, simplesmente José. Maria Annica, uma mulher forte com seis filhos, que seguiu seu marido, simplesmente Maria. O casal José e Maria, nomes de nossa origem, apontam nossa fé e destino comum.

Na leitura desta raiz comum está nossa existência e nosso fim, a reflexão da própria vida. José e Maria pensavam retornar à ilha, mas morreram sardos em terras brasileiras. Seus filhos dispersos lutaram para atenuar a maior apunhada ao homem do mediterrâneo. A perda do elo familiar, cuja base é Maria, falecida cinco anos antes do casamento de Raffaele. E por falar em Raffaele, nome de anjo; o padroeiro de Villasalto é Arcanjo Miguel, nosso protetor.

São estas histórias que encouraçam nossos corpos na batalha, como cristãos nesta terra.Somos uma igreja viva, regida pela esperança e o descanso em uma terra prometida. Nossa história não tem pedras erigidas, nem cadeados e grilhões, é a face da liberdade e do sonho.

Giuseppe e Maria, Raffaele e seus irmãos, passaram. Assim como nós, voltaremos a terra.

Palavras ao meu pai sardo-mineiro - Parte I

SOSSEGA SEU CORAÇÃO MEU PAI, que o tempo é para refletir.

Não é tempo de preocupar com os filhos, que bem formados e instruídos estão.
O passar das horas são dádivas de um Pai maior, aos filhos maduros e aprendizes.
De todas as lições da vida, ainda que o peso seja implacável aos ombros, ainda está em curso.

Pense que os maiores bens e conquistas são interiores e este ninguém os leva, senão tu.
Que mesmo os faraós que se fecharam em tumbas, tiveram seus profanadores com o tempo. Este tempo terreno e suas matérias são irrelevantes e inexpressivos comparados à alma.
A alma generosa e com a vida em oração não se deteriora e nem se apega a este mundo.
É vero! Deste mundo nada se leva, mas quanta energia e tempo gastamos com esta matéria.
O passar das horas, nesta batalha entre o surgir e o partir, são glórias e momentos de solidão. Nascemos sozinhos e partimos na solidão, porque somos projetos individuais de uma Grande Obra.
Eis que chega um momento que é desgarrar-se deste mundo, fato incompreensível a muitos. As paredes que nos abriga, um dia serão ruínas e lembranças familiares. Muitos dos infortúnios e martírios serão para sempre apagados, porque são ultra pessoais.

Quem é João? Que passou Rafael? Onde anda Giuseppe? A quantos importam tais respostas.
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Meu pai João Capaz de Oliveira, filho de Raffaele Cappai, tem hoje 81 anos de idade hoje. É forte, muito ativo no dia-a-dia e uma memória oscilante. Tem mania de fechar tudo com chave e cadeado. Adora uma conversa. Dorme tarde e acorda de madrugada para fazer café. Tem um pequeno santuário em casa, onde reza todas as manhãs. É ministro da eucaristia, mas afastou um pouco por conta da saúde. Teve renovada recentemente sua carteira de motorista, mas por lapsos de memória e "apagão", os filhos pediram para não dirigir mais. Como bom descendente sardo, irá viver mais, sempre atento às histórias da Sardenha e dos ancestrais. Ao meu pai, dedico minhas atenções literárias e leituras...

A busca de fotos dos ancestrais na Sardenha.

Buon giorno. Il mio nome è Cappai José Dutra. Io Sono di Minas Gerais, in Brasile. I miei antenati sono nati in Villasalto. Mio nonno Cappai Raffaele è il figlio di Cappai Giuseppe e Gessa Maria Annica. Arrivati in Brasile nel 1897. Il mio bisnonno Cappai Giuseppe è il figlio di Cappai Antonio e Agus Marianna, che sono sepolti a Villasalto. La ricerca genealogia familiare a Villasalto. Mi piacerebbe avere una foto dei miei bisnonni. 

La ringrazio molto se mi potete aiutare nei ricerca. Grazie Mille.