domingo, 6 de julho de 2014

Deus Silvano e o Brasão Cappai...

OUTRA CURIOSIDADE NA PESQUISA DA ORIGEM DA FAMILIA CAPPAI:

A cidade de Silano (NU): cidade na província de Nuoro, na ilha da Sardenha, é muito antiga (anterior ao ano de 1200) e leva o nome do Deus Silvano (o deus romano da floresta). Deus Silvano, um deus romano que desdobra de Fauno ou Deus Pã, dos gregos. Silano é também o berço da família Cappai na Sardenha, um dos dez sobrenomes mais comuns nesta localidade.

E regressamos assim à análise da "alma" do Brasão da família que é a árvore, símbolo do Regno de Arborea, ao qual a Dinastia Cappai tem importante papel na história da ilha, de cujo ventre de Vera Cappai de Villasalto descende os reis e rainha da Sardenha. Esta árvore incrustada na "alma" do Brasão da família, analisando como profissional ligado à agronomia, muito me encanta suas origens. Qual seu significado real? Estaria ligado às crueldades feudais? Ou quem sabe ao "albero eradicato" e a ocupação de terras selváticas? Quem sabe uma homenagem ao Deus romano das Florestas?

Este Deus Silvano que, a exemplo do Deus Pã, se associa às matas e também ao instrumento de sopro (flauta de Pã), aquela que enfeitiça. E por muita simpatia, associamos também à milenar e tradicional Launeddas, tão presente na cultura dos sardos; cuja matéria prima se extrai nas matas. E nesta interação de elementos mitológicos romanos e gregos, de culturas muito distintas e que se expressam em diferentes épocas históricas da ilha, o Deus Pã dos gregos (e por extensão de analogias ao Deus Silvano), os chifres possuem grande significado ao popolo sardo, por sua tradicional e milenar criação de cabras que convivem ou exigem o controle das áreas de florestas. Também é na floresta que esconde os animais selvagens, os lobos (volpes), inimigo de suas cabras. Desta forma, a árvore no Brasão da família, além de simbolizar o Reino de Arborea, traz em si muitos significados...





Deus Romano Silvano - O Deus da Floresta.




O Fauno e o Deus Pã dos gregos, associado ao Deus Romano Silvano.
Fonte: Imagens da Internet.


sábado, 5 de julho de 2014

Família de meu avô Raffaele Cappai


Família de meu avô Raffaele Cappai, nascido em Villasalto, Sardenha, Itália.
Imigração em 1897 para Leopoldina, Minas Gerais. Chegada Porto Santos, Navio Equitá.
Meu pai João Capaz de Oliveira está sentado na cadeira pequena.

Uma árvore...Um símbolo... Uma dinastia.

Uma informação histórica muito interessante diz respeito às "Contas Villasalto Muravera", da qual a família Cappai era um feudo importante dentro do Reino de Arborea, no sul da Ilha da Sardenha. Neste período histórico medieval, o símbolo do "Regno di Arborea" era uma árvore e está presente nos Brasões (Stemmas) das cidades, como ocorre em Oristano; cidade que no período medieval, pelo ano de 1280, é a cidade de Mariano IV Cappai de Arborea e da lendária Eleonora Cappai de Arborea, autora da Lei "Carta de Logu". Esta árvore está na alma do Brasão da família de meu avô Raffaele Cappai. Estamos falando de um Reino sardo e suas leis que perdurou por mais de 500 anos, antes do Resorgimento (Unificação da Itália).

Próximo dali, a cidade de Villasalto deveria ser uma vila feudal com menos de 600 habitantes. Hoje é uma cidade de 1351 habitantes. Desta, no ano de 1240, sairia do ventre de Vera Cappai, a casta de reis e rainha da Sardenha, da Dinastia Cappai de Baux, a partir de seus filhos Andreotto e Mariano. Da união deste feudo Cappai com o Regno de Arborea viria seus títulos de nobreza e feitos históricos; eventos aos quais dedico hoje meus estudos de historiador. Pouco se resgata da história da personagem Vera Cappai, de Villasalto; talvez pela temporalidade (reportamos ao distante ano de 1200, cujos registros são poucos nesta história medieval, que ora termina na fogueira da inquisição ou na mão de rivais e inimigos) ou talvez pelo fato que os homens da época tinham mais de uma mulher e as questões de família eram puro interesse de somar forças e conquistas, sob os olhos reprovadores da igreja. E a Dinastia Cappai não foge a estas regras...

Outra informação curiosa da "Alma do Brasão" de minha família: A árvore que representa a união da Dinastia Cappai ao "Regno de Arborea" é uma alusão ao "albero eradicato", muito provavelmente faz menção à ocupação de uma região inóspita, ao desbravamento e corte de árvores; ligado aos códigos agropecuários de Mariano IV Cappai. Mas também, revestido das lutas sangrentas típicas do período medieval, tão bem retratados pelo cinema, que faz menção aos catalães a ameaçarem os sardos a "cortar as mãos e os pés, pois estes permaneciam relutantes no confisco de seus bens." E este embate também está estampado na bandeira da Sardenha, com os quatro mouros, representando a vitória dos sardos contra os sarracenos (muçulmanos); que ameaçavam invadir no passado a ilha. Aliás, invadir e dominar a “ilha paraíso” é uma intenção que está enraizada na história da Sardenha, milênios antes de Cristo...


Se por um lado, constatamos este período medieval com informações estarrecedoras e cruéis, também vemos um embrião da “democracia” nesta Sardenha antiga. É o único lugar na história do feudalismo que o povo poderia oficialmente eliminar o rei. O rei ou o juiz tinha como base uma aliança com o povo, o chamado Consenso Bano. Se o soberano falhasse, poderia legitimamente ser destronado e morto pelas próprias pessoas, sem prejuízo da transmissão hereditária deste título dentro da dinastia régia. Isto aconteceu com dois reis na Dinastia Cappai. Imagine isto no futebol hoje, haveria poucos juízes corajosos a arriscar suas cabeças...


Stemma da cidade de Oristano, cidade de  Eleonora Cappai de Arborea, com a árvore símbolo do Reino de Arborea; presente na "alma" do Brasão de minha família.


Seres alados protegem o Reino de Arborea, simbolizado pela árvore ao centro. Uma coluna de sustentação na cidade de Oristano, Sardenha, Itália.


Vitro na Igreja de San Martino, em Oristano, apontando a realeza de Arborea, à direita.


Estátua em Oristano, demonstrando a força dos guerreiros de Arborea através do leão segurando o escudo e o simbolo do Reino de Arborea.


Simbolo de Arborea na fachada de uma residência antiga em Oristano, Sardenha, Itália. 


Brasão da Família Cappai, contendo na sua "alma", seu interior, a árvore símbolo do Reino de Arborea, cuja família teve origem na pequena vila medieval de Villasalto, região de Gerrei, Sardenha, Itália.


terça-feira, 1 de julho de 2014

Na busca dos irmãos de Raffaele...

Hoje, 01/07/2014, tive uma informação interessante em minhas pesquisas genealógicas da Família de meu avô sardo. A maior parte da família de meu bisavô CAPPAI GIUSEPPE, no Brasil com o nome de José Capaz, migrou com quatro filhos para a região norte do Espírito Santo, cidade de Nova Venecia. Esta migração ocorreu após meu bisavô ficar viúvo em 1917. Sua esposa GESSA Maria Annica foi enterrada no Distrito de Providência, em Minas Gerais. Os filhos de Giuseppe que migraram para o Espírito Santo são: Antonio, Salvatore, Filomena e Danielle. Ficaram dois filhos em Leopoldina - Minas Gerais, a Maria e o Raffaele, que é meu avô. No Italiano meu avô se chamava Raffaele Cappai e, no Brasil, Rafael Capaz.

A Informação interessante veio nos contatos do Facebook, quando localizei a Rosinéia Capaz, da região de Linhares (ES). Inicialmente disse que era neta de Antero Capaz e Rosa Ferreira Alba, hoje residentes no sul da Bahia, região próxima de Nova Venecia, onde segundo fontes de historiadores de Leopoldina, MG, apontam a migração de alguns sardos no inicio da década de 20. Hoje, a Rosinéia Capaz confirmou que seus bisavós eram Daniel Capaz e Maria Capaz. Há boa chance do Daniel Capaz ser irmão de meu avô, cujo nome italiano era Danielle Cappai e o sr. Antero Capaz, ser primo de meu pai. Estas informações apontam que estou no caminho de descobrir a saga desta família de sardos no Brasil.

No Facebook também localizei o Salvador Capaz Neto, filho de Geraldo Capaz, residente em Nova Venecia (ES) e primo de Salvador Capaz, filho de José Capaz, este de Cachoeira do Itapemerim (ES). Muito certamente, o sobrenome também tenha sido alterado na história da imigração, assim como ocorreu com minha família. Por sinal, um dos filhos migrantes de meu bisavô se chamava Salvatore. Boas chances de serem descendentes de Giuseppe Cappai e Maria Annica Gessa, os primeiros imigrantes sardos que chegaram em 1897 e migraram para o Espírito Santo no início da década de 20.

Este é o novo braço da pesquisa que dedico hoje: descobrir a localização da família de Giuseppe Cappai (José Capaz) no Espírito Santo. E mais, saber onde está enterrado meu bisavô e prestar minhas homenagens ao grande aventureiro, que deu início a toda a história desta família no Brasil...

Rosinéia Capaz, de Linhares (ES).

segunda-feira, 31 de março de 2014

segunda-feira, 3 de março de 2014

A História Familiar em nossas veias...

No inicio de janeiro deste ano, 2014, viajei até Leopoldina, zona da mata, MG. Está a cerca de 500 km de Pouso Alegre, onde resido com minha família. Visitei meu pai João Capaz e juntos fomos ao cemitério colocar uma nova Placa de Identificação no túmulo de meu avô CAPPAI RAFFAELE. Dia de sol e muito calor em Leopoldina. A viagem fez descer de 830 metros para 220 metros de altitude em Leopoldina. O evento encerrava o trabalho de pesquisa de quase 1,5 ano de muitas emoções e descobertas, iniciando um novo estágio com muitas perguntas por responder. Mas ali estávamos de corpo e alma. Como parte da primeira e a segunda geração de sardos no Brasil, colocamos a placa no túmulo, em silêncio e reverência...

Um momento muito especial estar com meu pai refazendo singelamente o passo a passo da história, de reconstruir o que estava disperso e perdido nos documentos históricos. Meu avô veio para o Brasil como italiano e morreu como italiano. Muito certamente pensavam melhorar de situação e retornar para a Ilha da Sardenha. Só assim explica porque a família não se naturalizou como brasileiros. Depois de estudar a ilha, percebo o quanto estou ligado também à sua história, costumes e crenças; que por capricho da natureza, nasci em terras distantes, mas com espírito igualmente sardo...

E ao acender a vela e orar no túmulo de meu avô, percebi uma centelha em minha alma, que vai muito além do reconhecimento da cidadania italiana e da inquietude interior, PRECISO RETORNAR PARA A ILHA DA SARDENHA, POIS UMA PARTE DE MIM ESTÁ LÁ TAMBÉM. E para completar o ciclo e o ritual, preciso orar na Igreja do padroeiro de Villasalto, terra de meus ancestrais, a nosso protetor São Miguel Arcanjo. Simbolicamente, na pessoa do neto, a família toda retornará para a ilha. Preciso respirar o ar de Villasalto (Sardenha) e saudar esta terra em nome de todos meus ancestrais. Eu não estaria vivo para contar esta história, se eles não tivessem feito a última aventura de suas vidas, no além mar. Mas no fundo de meu espírito e borbotões, surge uma tênue convicção, eles ainda continuam bem vivos...

      "A HERANÇA HISTÓRICA DE NOSSA FAMÍLIA, CORRE EM NOSSAS VEIAS"




A IMIGRAÇÃO E SEUS EFEITOS COLATERAIS...

Entre os anos de 1880 e 1930, o Brasil recebeu milhares de italianos, numa imigração que só assemelha à diáspora bíblica dos hebreus. Enquanto a Itália passava por uma forte crise econômica, principalmente pós a unificação, com excesso de patrícios e poucos empregos, o Brasil precisa de mão de obra na cafeicultura, com a abolição da escravatura e, posteriormente, como o apelo da industrialização.

Na Itália incentivava a vinda dos italianos com panfletos e publicidade para "fazer a América". Aqui no Brasil, a história era outra, porque era precário e extremamente simples a recepção e o procedimento de registro dos imigrantes e suas famílias pelos órgãos do governo. Vinham abarrotados em navios, eram acolhidos nas Hospedarias dos Imigrantes, cuja ordem era a urgência em despachar os que chegavam para as lavouras. Não havia espaço para todos. Muitos ficaram no anonimato ou morreram como indigentes. Os que morreram em alto mar, foram esquecidos para sempre. A diferença da cultura, do idioma e o despreparo na recepção dos imigrantes separou famílias por toda uma geração.

Em face de todos os erros e desencontros da imigração em massa, a história e a cultura do Brasil foi marcada para sempre com a vinda dos imigrantes italianos. Entre 1870 e 1953 entraram no Brasil 1.565.835 italianos. Deste total, apenas 6.000 eram sardos, os que ficaram no Brasil. Estima-se que na Argentina, o número de imigrantes sardos foi maior dos que ficaram no Brasil, em torno de 17.000. Ainda assim, os sardos eram uma pequena parte na grande parcela de imigrantes italianos.

A família de meu bisavô sardo CAPPAI GIUSEPPE chegou na Hospedaria dos imigrantes em 1897, estava destinado à Fazenda de Café do sr. Antônio Belizandro dos Reis Meirelles, Fazenda Bella Vista, município de Leopoldina. E dentre os poucos sardos que vieram neste ano, seguiu o rito de entrada do imigrante. Dos registros que tenho, ele ficou viúvo em 1912, de sua esposa GESSA Maria Annica, que faleceu com 49 anos no município de Providência, Distrito de Leopoldina, zona da mata mineira. Em 1913 casou seu filho CAPPAI SALVATORE em Leopoldina e mudou-se para Nova Venécia, Estado do Espírito Santo. Em 1917, retornou para acompanhar o casamento de meu avô CAPPAI RAFFAELE. E a partir deste registro, não há mais informações a seu respeito.

O meu trabalho é reconstruir a história, porque ela é a única coisa palpável da família que se dispersou, fragmentou-se após ter o sobrenome alterado no Brasil. Decerto, os CAPPAI são realmente uma família CAPAZ, meu sobrenome no país, e só o tempo para solucionar as lacunas deixadas...

Para ilustrar estes comentários, segue uma propaganda italiana incentivando a imigração, pois no início o governo italiano chegou a colaborar com dinheiro para os imigrantes. Por parte das Hospedarias no Brasil, havia um ritual simples para receber, cuidar e alimentar o imigrante por alguns dias, destinando-os em seguida para o contratante dos serviços. Poucos são os registros deste tempo...