domingo, 15 de junho de 2025

O tipo sanguíneo O

        A ciência já desvendou o mistério do tipo sanguíneo dos nossos ancestrais primitivos. O sangue mais antigo da humanidade é o tipo O. A dieta base deste tipo sanguíneo é a proteína animal, porque eram caçadores e nômades. A primeira grande imigração da humanidade foi responsável pela ocupação das Américas, no outro lado do Oceano Atlântico, a mais de 15 mil anos atrás. Este tipo sanguíneo trouxe vantagens para estes primitivos desbravadores, como coração forte, rusticidade e cicatrização rápida, em casos de acidentes. Viviam pouco, no máximo 35 anos de idade, mas eram muito resistentes, adaptando-se bem a ambientes extremos e hostis, desde várzeas úmidas e frias até a altitudes extremas como o alto das Cordilheiras, a mais de 4.000 metros acima do nivel do mar. Este tipo sanguíneo foi responsável pela seleção natural dos indivíduos. É predominante na Europa, na África e nas Américas. 

        Quando fiz o Teste de DNA para a ancestralidade, sabendo que sou O positivo, tive a surpresa de confirmar que tenho leve propensão a riscos cardíacos, menos de 5%; o que confirma as descobertas da ciência. E com certeza, nossos destemidos ancestrais que atravessaram o mar para ocuparem o território brasileiro, numa época de crise econômica e social na Europa, trouxeram nas veias este sangue "pré histórico" e rústico. Esteve também nas veias do povo nurágico que construiu milhares de torres pela ilha da Sardenha...  Grazie a Dio, siamo sardi....

Na alma do Brasão da Família Cappai, o símbolo de Arborea.

          A história é, sem dúvida, o maior valor que herdamos na genealogia. 

        É a herança que vale "ouro" e sobrepõe a qualquer patrimônio ou posse; porque o tempo pouco corrói ou consome. Os registros estão todos ai, para serem pesquisados. Mas se não forem contados e repassados pela oralidade nos grupos de família, poderão ser enterrados a cada geração, caindo no total esquecimento. Toda família tem registros fascinantes e histórias para serem pesquisadas e contadas a seus descendentes. São elementos que conectam os viventes a todos aqueles que partiram e deram sua contribuição. É uma forma de gratidão pela própria existência, porque somos todos frutos da história viva e transformadora. Por isto, precisamos sempre buscar os registros da família e ampliar esta pesquisa num contexto maior, como visitar museus, sítios arqueológicos e monumentos. O meio em que estamos inseridos ou do qual originamos, também tem muita história para contar; pessoas fascinantes e com muitas experiências de vida para compatilharem. Viajar é mais do que entrar num avião e atravessar fronteiras, mas "viajar" com o deleite em resgatar memórias e recordações de pessoas, lugares e culturas. Somos reflexos de tudo isto, gravados em nosso DNA, basta abrir a mente, ter a curiosidade e ser receptivo. Mas não esperem ficar velhos, para pensar nesta possibilidade. Há um universo à nossa espera...

           Somos frutos da história.

        Esperei dez anos para conhecer a Sardenha, desde que comecei a escrever o livro "A Ilha que atravessou o mar". E para surpresa, descobri que nossa origem não foi apenas na Ilha da Sardenha, porque pelo lado materno, também temos origem nas Ilhas dos Açores. Sim, somos filhos de duas ilhas. E quantos sardos e açorianos temos espalhados pelo gigantesco Brasil. São imigrantes que trouxeram a força do trabalho, a forte cultura que se traduz na musica e na fé religiosa, os mutirões para plantio e colheita, a arquitetura típica, a gastronomia como a polenta e as reuniões de família, que infelizmente, está se perdendo nestas novas gerações. A quebra de identidade, familiar e individual, foi política dos governos no país por décadas, para que não surgissem revoltosos e anarquistas entre os imigrantes; principalmente na época do fascismo na Europa. Mas, aqui e acolá, surge sempre interessados em recuperar a memória familiar e a história que atravessou o mar. A esperança é que mais famílias interessem pela genealogia e, quem sabe um belo dia, possa ser uma disciplina na grade curricular de nossas escolas. A família é a base de uma sociedade mais justa, solidária e participativa. Do contrário, temos um Estado totalitário e opressor, que destrói o sentimento de pertencimento do seu povo e de suas raízes; impondo uma ideologia auto destrutiva.

       O Símbolo de Arborea

      Na Sardenha, temos registros no Reino de Arborea, um sistema de governo muito peculiar na época medieval, que deixou símbolos e personagens históricos até hoje comemorados na ilha. Este sistema que, a princípio possa nos parecer primitivo, traz o germe da democracia em muitas de suas decisões, antes mesmo da Unificação da Itália ou Risorgimento. O Brasão da família Cappai traz a árvore símbolo do Reino de Arborea, o "Albero eradicato", no período estimado entre 1280 a 1470. A família Cappai era um "feudo das contas de Villasalto/Muravera" neste passado distante. O título de "Cavaleiro hereditário e Nobre Sardo" da Família Cappai foi obtido em 2 de novembro de 1677 e faz parte do histórico do Brasão de Família. O símbolo de Arborea é visto na fachada de prédios antigos, nas portas e no piso de igrejas e em estandartes, principalmente na cidade de Oristano. Tive o prazer de visitar, fotografar e comprar livros sobre a história fascinante da Sardenha. Coletei informações nas visitas, sempre bem recepcionados e conversei com atenciosos sardos pelas andanças na ilha, juntamente com minha esposa Mara. Após esta viagem que ocorreu no início deste mês de junho de 2025, comecei a revisar a segunda edição do Livro "A Ilha que atravessou o Mar". Foi muito emocionante, após uma década de pesquisa...



                         Torre medieval de 19 metros de altura, construída no ano de 1290, por Mariano III,  filho de Vera Cappai, da pequena Villasalto.



Estátua da rainha Eleonora de Arborea, na cidade charmosa de Oristano, na Ilha da Sardenha.


Símbolo do Reino de Arborea à esquerda, o Albero eradicato, presente no Brasão de Família.



                       O Leão, símbolo de bravura, segura o símbolo do Reino de Arborea;                            reino que governou por centenas de anos a Ilha da Sardenha.








                          O símbolo que representa o Reino de Arborea está em vários monumentos antigos e no piso da igreja na Província de Oristano, na costa oeste da ilha.

        

quinta-feira, 15 de maio de 2025

Estou na ilha, finalmente!!!

Chegar na ilha da Sardenha e conhecer a pequena e grandiosa Villasalto foi um sonho de toda vida. Descobri minhas raízes aos 50 anos, quando consegui a Certidão de nascimento de meu nonno Raffaele Cappai. O sobrenome da família (Capaz) estava errado nos documentos. A partir daí, veio o fascínio e a emoção de várias descobertas nos ultimos onze anos. Fui ajudado e ajudei várias pessoas a buscar seus familiares perdidos e suas raízes, uma jornada muito gratificante. Por isto, ao chegar na ilha, chorei de emoção. No dia anterior a chegada em Villasalto, dia 05 de maio de 2025, fiquei triste e desolado, estava limitado a apenas um ônibus por dia para a pequena cidade de 1300 habitantes no alto da serra, onde pegaria um Taxi e sem saber como voltaria a Cagliari, após uma viagem cansativa. Mas uma ideia de relampejo veio e abriu o caminho. Baixei o aplicativo Facebook no celular e entrei num grupo de genealogia de Villasalto com cerca de 3 mil participantes, inclusive de cidades vizinhas, e fui abraçado pela amizade e disposição dos sardos. Fui recepcionado com almoço, café e até licor de Limoncello pelos simpáticos e atenciosos moradores de Villasalto. Foi muito emocionante. 

A viagem para a ilha da Sardenha é um teste de resistência, pois depende do trânsito em aeroportos, bom planejamento e muita paciência nos vôos, que estão cada vez mais tecnológicos, burocráticos e corridos. Para se chegar na ilha, partindo do Brasil, é preciso sair do Aeroporto de Guarulhos, passar por Lisboa, Milão e, por fim, chegar em Olbia ou Cagliari. Ida e Volta da Ilha da Sardenha totalizam 6 voos num total de 26 horas de voo, com as empresas TAP Portugal e EasyJat e, na ilha o melhor é utilizar os Trens da Trenitália. Taxi e Ubers oneram a viagem e o ideal é usar os trens ou ônibus, preferencialmente, fora da temporada. No verão, a ilha fica lotada, por se tratar um local de veraneio da Europa, com muitas praias e locais paradisíacos para passear. O ideal é ir fora de temporada, na primavera de preferência, para evitar picos de temperatura.

O tempo de viagem de Guarulhos para Lisboa é 9 horas e 30 miutos, em média. De Lisboa para Milão, em torno de 2 horas. E de Milão para a ilha é 1 hora e meia. Uma viagem de 14 dias pode chegar a custo atual de 25 mil reais para duas pessoas. Minha esposa Mara, me acompanhou nesta viagem fantastica, a busca das origens. Minha idade é 61 anos, sou a transição da "pré-história" para a tecnologia. Estudei datilografia e ensinei jornalismo para a turma que escrevia a caneta ou na maquina manual. O computador e o celular vieram com força no meio do curso de jornalismo, por volta de 1990. Tive que me adaptar, mas boa parte desta geração já sofre com a adaptação aos novos tempos da aviação. Cada vez mais, estamos dependentes da tecnologia, do celular e do afastamento de pessoas no atendimento dos aeroportos. Isto aconteceu com os bancos, pois a solução passou a estar na palma da mão. No celular, tem o agendamento dos voos, códigos de barra para todos os fins, Check in on line, compra de bilhetes, translados e procedimentos de urgência em voos cancelados. Tudo na palma da mão, sem uma pessoa para orientar. A correria já é inerente aos aeroportos e a falta de paciência também. Enfim, a tecnologia irá excluir quem não se adaptar. 

 
A pequena Villasalto lembra "São Tomé das Letras", a cidade de pedra em Minas Gerais.

 
Nossa anfitriã Teresina que nos recepcionou com almoço típico sardo, no B&B, em Villasalto.

A família de Humberto Cappai, outro imigrante que veio para o Brasil, para Muquí (ES)

A calorosa recepção de moradores no único bar da cidade, em frente ao Comune, na entrada da cidade.

No último instante, antes de pegar o ônibus de volta a Cagliari, o emocionante encontro com Mauro, parente direto na árvore genealógica, com traços bem parecidos a meu pai.

Villasalto é um comune na Sardenha (piccola Cittá) com cerca de 1300 habitantes. 
No dialeto sardo se chama "Bidda de Sartu".  


quinta-feira, 9 de dezembro de 2021

Família Cappai, de outra região.

É muito gratificante e prazeroso ter retorno de leitores do livro "A ILHA QUE ATRAVESSOU O MAR", principalmente quando se tem a mesma origem na Sardenha milenar, raízes na família Cappai e resultados da rara imigração da ilha para o interior de Minas Gerais, Brasil. Desta feita, quem entrou em contato foi Francisco, de Belo Horizonte, tio de Fabrícia Cappai

A história de sua família inicia com Salvador Cappai, que nasceu por volta de 1858, no comune de Nuoro, na Sardenha. Como resultado da imigração, faleceu em Belo Horizonte no dia 24 de novembro de 1921. Filho de Salvador Cappai e Maria Carezo. Casou com Maria Bárbara, filha de Lussuro Anjoni e Angela Carezo. Filhos do casal foi Francisco Cappai (24 de novembro de 1900) e João Cappai. Este ultimo casou com Maria Pudo, sobrenome também comum na ilha da Sardenha. Maria Pudo, que é filha de João Pudo e Maria Raphaela Esquirro. João Cappai nasceu por volta de 1892 e faleceu no ano de 1964. Outros filhos deste casal de origem em Nuoro foram: Salvatorangelo, Giovanni Lussorio Cappai, Francesca e Salvatora. Parte da família tem registros e documentos anexados no site dos Mórmons, Family Search. 

A Pesquisa apenas começou, porque não localizamos os registros de entrada no país, na hospedaria, nos Censos e como se deu a adaptação inicial, nem mesmo o local onde esta família de imigrantes iniciou sua vida além mar. Sabe-se que eram construtores, assim como meu avô Raffaele Cappai que construiu boa parte das casas, mercearia e igreja do Distrito de São Lourenço, município de Leopoldina, na zona da Mata Mineira. Esta informação de que eram construtores, muito me comove, porque é a origem também da minha família; que iniciou no café e posteriormente se entregou-se à construção civil. 

Outra associação muito comum na imigração é quanto ao sobrenome. Por inúmeras razões, as grafias são alteradas de tal forma, que geram dúvidas e até dificuldades nas pesquisas das famílias. Assim, na minha família, o nome de meu avô sardo Raffaele Cappai, se tornou "Rafael Capaz" ou "Raphael Capaz". Meu pai que deveria ser Giovanni, se tornou João Capaz. Por conta destas disparidades, só conheci a história de minha família, após completar 50 anos de idade. 

Quanto à família do Francisco, de Belo Horizonte, o sobrenome sardo "Cappai" foi preservado. Mas ao inverso de meu pai, há uma história um pouco cômica, em que um imigrante Giovanni insistiu no cartório para mudar seu nome para "João", porque achava bonito o nome "abrasileirado". O titular do cartório o intimou a honrar suas raízes no início do século, permanecendo o nome de origem italiana. Mas durante toda a vida, o tal Giovanni se dizia ser "João", contrariando os documentos. Eu gosto de meu nome José, mas ficaria imensamente honrado se um dia tivesse minha cidadania reconhecida e chamasse Giuseppe, nome do meu bisavô que veio de Villasalto, da Sardenha...

Para os "primos" que iniciam a pesquisa, meus cumprimentos sardos. Que a ilha seja o maior incentivo para abrir caminhos no conhecimento de nossas raízes, com a bravura de nossos ancestrais. 

Buona fortuna a tutti.



sábado, 2 de outubro de 2021

Os nobres da Sardenha, com raízes em Villasalto - Família Cappai

 LINK da pesquisa genealógica disponível na internet.


https://www.classicistranieri.com/it/articles/c/a/p/Cappai.html


https://drive.google.com/file/d/1pRYLDhJmM8xEoIsGW2R7jLKRJhITYFxK/view?usp=sharing

quinta-feira, 9 de setembro de 2021

"A ILHA QUE ATRAVESSOU O MAR", edição revisada."

 É com muita satisfação que estou pesquisando o braço materno de minhas origens, que remete a uma extensa lista de representantes da família DUTRA, por parte de minha mãe MARIA JOSÉ DUTRA, que tem origem na cidade de Leopoldina, zona da mata mineira. Meu avô é AURELIANO DUTRA NICÁCIO, que segundo genealogistas daquela região, é filho de LAURINDO DUTRA NICÁCIO e de MARIA DE JESUS MOREIRA. Isto é tudo que sabemos até o momento.

A poucos quilômetros de Leopoldina (MG), tem as cidades de Cataguases e Astolfo Dutra, cuja fundação e história remetem a um personagem político mineiro da República Velha, que é Astolfo Dutra Nicácio. Até o momento, apesar do sobrenome composto e similar ao deste personagem histórico, não consegui estabelecer o elo de parentesco e não avancei neste ramo da árvore genealógica, além do nome de meus bisavós maternos. Continua o mistério, até que eu possa deslocar cerca de 500 km de estrada até esta localidade para efetuar pesquisas. Os descendentes dos imigrantes ainda constinuam a pesquisar parentes...

Fato é que esta pesquisa de meus ancestrais, pelo lado materno, vai de encontro a informações da imigração de uma outra ilha, esta de Portugal, que é a ilha dos AÇORES, d'onde veio o primeiro "Dutra" para a ocupação do território brasileiro. Este é nosso parente direto e de tantos outros que se orgulham em ter este sobrenome no documento de RG e na alma. 

Por este aspecto geográfico muito peculiar, tenho o prazer, assim como os membros de minha fámilia, de "ser filho de duas ilhas".  Na verdade, o título de meu trabalho não deveria ser no singular, mas sim no plural, ou seja, "AS ILHAS QUE ATRAVESSARAM O MAR", prestigiando as ilhas dos AÇORES, em Portugal e a ilha da SARDENHA, na Itália. 

Assim, saúdo todos meus ancestrais, também da família DUTRA.


quarta-feira, 30 de junho de 2021

AS ILHAS QUE ATRAVESSARAM O MAR.

 

Seis anos após o inicio das pesquisas genealógicas e a compilação de dados para formar este Blog e iniciar meu livro, consolidou-se a complexidade do título deste trabalho. Não é “A ilha que atravessou o mar”, mas sim, “As ilhas que atravessaram o mar”. Sim, deveria ser no plural. Nas descobertas da genealogia das famílias CAPPAI e DUTRA fica latente o gosto da família pelo mar, porque a maioria dos ramos de nossa árvore genealógica saíram destas duas ilhas: da Sardenha e dos Açores. É por isto, com certeza, que nossas almas e aspirações mais profundas apontam para o mar...

           Saramago me faz pensar sobre as raízes, quando leio fragmentos reluzentes de seus escritos, quando diz: "É necessário sair da ilha para ver a ilha, que não nos vemos se não saímos de nós, se não saímos de nós próprios". E o poeta conclui: "Somos todos ilhas desconhecidas". Para nossa família, esta "viagem filosofal" de Saramago, é mais que uma analogia, é uma questão geográfica literal e envolvente. Nosso DNA e nossas raízes históricas, das famílias CAPPAI e DUTRA, se remetem a duas ilhas. E, incontinenti e visceral, que toda nossa introspecção e saudades tenham raízes neste "não pertencimento" a esta terra, a uma extensão espiritual além mar, a uma alma imigrante e solitária. NOSSOS ANCESTRAIS DEIXARAM AS ILHAS, MAS NOSSO DNA E PENSAMENTOS MAIS PROFUNDOS CONTINUAM NAS ILHAS, GERAÇÃO APÓS GERAÇÃO DISTANTES DO PARAÍSO. Como descendente de segunda geração de imigrantes sardos e açorianos, sinto como "ilhas à deriva", desconhecidas e entremeadas pelo grande oceano da obscuridade histórica... 

Ao analisar a fecunda e fascinante história de nossa ancestralidade, concluo que nos demais ramos e membros da família, a maioria se convergiam para o arquipélado dos Açores, como as Ilhas Faial (Angústias e Horta), Lajes do Pico, Ilha de São Jorge, Ilha terceira (Angra do heroísmo), Ilha das Flores e, mais próxima do continente português, a Ilha da Madeira. Nove ilhas compõem o arquipélago de Açores, sendo de origem vulcânica e distribuídas num trecho de 1500 quilômetros do mar territorial português. O início da ocupação teve seu auge com Pedro de Portugal, 1.º Duque de Coimbra (1392-1449), regente na menoridade de Afonso V de Portugal. Estas ilhas portuguesas começam como vilas de pescadores, parada de embarcações e criações de animais. Atualmente são ilhas autônomas (não dependem do continente); como ocorre com nossa querida ilha da Sardenha, na Itália. 

A emigração açoriana iniciou precocemente por volta de 1550, com o forte apelo da colonização do Brasil, em especial a fundação da Bahia e, posteriormente, a ocupação do nordeste e sul do país; com a finalidade de impedir a invasão estrangeira no “novo mundo”. Motivos não faltaram para os açorianos e para Portugal, sejam sociais, econômicos ou ambientais; como a consciência do isolamento, a escassez de emprego, interesses de comerciantes, interesses do Estado, grande atividade vulcânica em 1630, os incêndios e terremotos que castigaram as ilhas no findar de 1729 e a “Crise dos cereais” por volta de 1780, entre outros. Na contrapartida, os contratantes no Brasil buscavam “gente honrada e de lavoura”, enquanto a maioria queria apenas fugir da miséria e os jovens “escaparem” do serviço militar nas ilhas.

           A imigração nos fez órfãos da memória cultural e histórica, de raízes nebulosas ao que se aplica ao conhecimento das origens. Somos gratos pelos bravos e destemidos ancestrais que deram suas vidas para existirmos neste território americano, mas infelizmente o coração é partido pela fraca memória do passado, brutalmente fragmentada pelo mar que nos separa. Literalmente, nos tornamos ilhas, sem que nunca as ilhas tenham saído de nós. Saudade das ilhas que nunca conheci, dos parentes diretos que nunca conheci, das conversas que não tivemos e das paisagens que não vi, mas persistem tudo e todos no vazio existencial, todo santo dia. Resta o orgulho de ser sardo e açoriano, sangue correndo nas veias deste imigrante trabalhador, ainda acontecendo, geração pós geração. 

            SE QUER SABER MAIS SOBRE NOSSAS ORIGENS, LEIA MEU LIVRO "A ILHA QUE ATRAVESSOU O MAR".  Clique no ícone do livro nesta página e terá ele gratuito, imediatamente. Em breve, estarei disponibilizando a versão revisada.  Obrigado pelos leitores que entraram em contato e visitaram o Blog.