domingo, 2 de fevereiro de 2020

QUANDO OS RAROS SARDOS CHEGARAM...


"1897. O ano teve início e término numa sexta-feira. O Brasil vivia os primeiros tempos da República e a moeda corrente no país era “Réis”. Nascia Pixinguinha (compositor), Humberto Mauro (cineasta), Di Cavalcanti (pintor), Castello Branco (29º Presidente do Brasil), Papa Paulo VI (263º Papa), Virgulino Ferreira da Silva, o “Lampião”, entre outros. Fundava-se a Academia Brasileira de Letras. Minas Gerais transferia a capital do Estado de Ouro Preto para Belo Horizonte. Inaugurava-se a nova capital mineira. Guglielmo Marconi, inventor italiano, fazia a primeira transmissão de rádio. Inaugurava-se a primeira linha submarina de telégrafo no Brasil e os primeiros bondes elétricos de Salvador (BA). Terminava a primeira epidemia de febre amarela em São Simão (São Paulo). Thomas Edison requeria a patente do “kinetoscopio”, o primeiro projetor de cinema. Produzia-se no Brasil o primeiro “curta-metragem”, a expedição polar de S. A. Andrée. Euclides da Cunha cobria a Guerra de Canudos, narrado em “Os Sertões”. Morria o beato Antonio Conselheiro, o líder dos revoltosos de Canudos. Joseph John Thomson media a carga específica do elétron. E chegava à Hospedaria Horta Barbosa, em Santo Antonio do Parahybuna (atual Juiz de Fora, em Minas Gerais), a maior leva de imigrantes europeus, a maioria italiana, para atender a mão de obra cafeeira em Minas Gerais. Entre eles, meus ancestrais sardos.

A viagem da Europa para o porto de Santos era muito precária. No caso de meus ancestrais sardos, eles partiram do porto de Cagliari (capital da ilha) para o Porto de Gênova, e de lá vieram para o Rio de Janeiro. Os emigrantes vinham na terceira classe, nos porões dos navios. Havia superlotação, a comida era ruim e não havia assistência médica. Nestas condições, no período das imigrações, alguns morriam durante a viagem, que durava até 46 dias. Meus ancestrais sardos, naturais de Villasalto, chegaram ao Porto de Santos, no vapor EQUITÁ. Deram entrada na Hospedaria dos Imigrantes Horta Barbosa em Juiz de Fora na data de 28 de junho de 1897. Saíram da hospedaria no dia 4 de julho de 1897 e partiram de trem para a Fazenda Bela Vista do contratante sr. Antônio Belizandro dos Reis Meireles, localizada no então distrito de Rio Pardo, hoje o município de Argirita (Arquivo Público Mineiro - APM, Microfilme Rolo 4, Arquivo F, Gaveta 1, em Belo Horizonte/MG). A família do bisnonno Giuseppe ficou uma semana na hospedaria até que fossem liberados para seu destino; tempo normal de permanência, o que indica que chegaram e saíram saudáveis na empreitada."

TRECHO DO LIVRO "A ilha que atravessou o mar".
Livro em formato PDF e disponível gratuitamente neste Blog.
Buona ricerca!



A GENEALOGIA DOS MEUS ANCESTRAIS SARDOS



Por erro ou opção, a família CAPPAI passa a adotar no início da década de 1910 o sobrenome CAPAZ. Nos documentos históricos e das famílias, ora surge um ou outro sobrenome correto nos imigrantes, mas na primeira geração de descendentes nascidos no Brasil, definitivamente assumem o sobrenome CAPAZ. E isto ocorreu nos Estados de MG, RJ e ES. A imigração trouxe marcas profundas na família, que estão melhor descritas no livro “A ILHA QUE ATRAVESSOU O MAR”, deste autor, e está disponível gratuitamente neste Blog.

Minha família Cappai tem origem em Villasalto, no sul da Sardenha, região de Cagliari. Uma pequena cidade na montanha com 1.351 habitantes, que tem como origens históricas uma vila feudal. A família Cappai possuía este feudo, que cobria as terras de Villasalto/Muravera. E a genealogia sarda registra o sobrenome Cappai no ano de 1255 nesta pequena vila feudal e, mais tarde, o título de nobreza da família, intitulado “Cavaleiro hereditário e nobre sardo” no ano de 1667.

Repasso aos meus leitores as últimas pesquisas, a relação dos nossos antepassados e dos que chegaram na zona da mata mineira, Brasil, no ano de 1897, pela hospedaria Horta Barbosa de Juiz de Fora – MG, que trabalharam inicialmente em propriedades na região de Leopoldina/MG. São eles:

ANTÔNIO CAPPAI
Meu trisavô paterno nasceu por volta de 1829. Morreu em 28 de outubro de 1883. Casou com MARIANNA AGUS, nascida e falecida em datas desconhecidas. Tiveram três filhos: MARIANNA, SALVATORE FRANCESCO e GIUSEPPE. Viveram e faleceram em Villasalto, Sardenha. Ainda não tenho registro de quem seriam os pais de Antônio Cappai, meus tetravós paternos. Giuseppe Cappai é meu bisavô, filho de Antonio, que veio para o Brasil em 1897, trazendo a esposa e seis filhos pequenos.

RAIMONDO GESSA
Meu trisavô materno nasceu por volta de 1815 em Villasalto, Cagliari, Ilha da Sardenha. Faleceu em Villasalto em 21/06/1875. Filho de LUIGI GESSA e ROSA CAPPAI, meus tetravós ou “tataravós” maternos. Casou com BÁRBARA CONGIU (1829 - 14/10/1899), filha de GIOVANNI CONGIU e MARIA CAPPAI, meus tetravós ou “tataravós” maternos. Tiveram duas filhas: MASSIMA GESSA (1860-1917) e MARIA ANNICA GESSA (1852-1912), esta última é minha bisavó materna.


GIUSEPPE CAPPAI
Meu bisavô nasceu em 1º de junho de 1852, em Villasalto, Cagliari, Ilha da Sardenha. Filho de Antônio Cappai e Marianna Agus. Há registros que acrescentam “Michele” ou “Agus” no sobrenome, mas na Certidão de Casamento não consta. Casou em 29 de Dezembro de 1883, 6:40hs, com MARIA ANNICA GESSA (1852 – 1912). Tiveram seis filhos: ANTÔNIO, MARIA, SALVATORE, FILOMENA, DANIELE e RAFFAELE. Este último é o caçula da família e meu “nonno”. Imigrou para Leopoldina, MG, Brasil em 28 de junho de 1897, com 45 anos. Migrou com três dos filhos para o Espírito Santo, Brasil, em 1913. Foi enterrado em local, até agora desconhecido. Conforme apurado no Livro da Hospedaria Horta Barbosa JF (Arquivo Público MineiroAPM), Livro AS-920, Pág.:145.


MARIA ANNICA GESSA
Minha bisavó nasceu em 6 de Abril de 1862, em Villasalto, Cagliari, Ilha da Sardenha. Filha de Raimondo e Bárbara. Casou em 29 de dezembro de 1883, 6:40hs, com GIUSEPPE CAPPAI. Tiveram seis filhos: ANTÔNIO, MARIA, SALVATORE, FILOMENA, DANIELE e RAFFAELE. Imigrou para Leopoldina, MG, Brasil em 28 de junho de 1897, com 35 anos. Faleceu em 1912, com 49 anos, e foi enterrada em Providência, MG, Brasil. Conforme apurado no Livro da Hospedaria Horta Barbosa JF (Arquivo Público Mineiro – APM), Livro AS-920, Pág.:145.

O casal de sardos Giuseppe Cappai e Maria Annica Gessa deu entrada na Hospedaria Horta Barbosa no dia 28 de junho de 1897, acompanhado de seis filhos. Saíram no dia 4 de julho de 1897 para trabalhar na Fazenda Bela Vista, de propriedade do cafeicultor Antonio Belizandro dos Reis Meireles, localizada no então distrito de Rio Pardo, hoje município de Argirita, zona da Mata Mineira. Entre os filhos, estava meu nonno Raffaele Cappai.

Meu pai, João Capaz de Oliveira, filho de Raffaele Cappai, tinha o apelido de "Tonico", em homenagem a seu bisavô sardo, pai de Giuseppe, que ficou na Sardenha. 


Foto recuperada, de meu bisavô sardo, Giuseppe Cappai. Imigrante e não naturalizado, 
enterrado em algum município do Espírito Santo.

Foto de meu avô sardo, Raffaele Cappai. Imigrante e não naturalizado, 
enterrado em Leopoldina, MG.

Foto de meu pai, João Capaz de Oliveira, primeira geração de descendentes sardos no Brasil. Enterrado em Leopoldina, MG.


O Autor da obra "A ILHA QUE ATRAVESSOU O MAR", José Capaz Dutra Cappai, agradece a todas as visitas em seu Blog e aos incentivos à pesquisa genealógica. Grazie mille a tutti.


terça-feira, 29 de outubro de 2019

O caminho jurídico para a obtenção da cidadania



ACESSE O LINK:

“O tempo de espera nas filas consulares é extremamente longo. Ferindo assim o princípio da razoabilidade da duração do processo. Os tribunais italianos têm reconhecido em suas jurisprudências, que o tempo que os descendentes de italianos permanecem na fila de espera dos Consulados é ilegal. A Lei Italiana (articoli 2 e 4 della legge 7 agosto 1990, n. 241) prevê que os processos de reconhecimento da cidadania italiana devem ser concluídos em um prazo máximo de 730 dias. O tempo de duração da fila de espera no Consulado Italiano de São Paulo é de aproximadamente 12 anos." (Não muito diferente do que ocorre em Minas Gerais). "O desrespeito ao prazo estipulado pela Lei Italiana, por parte dos Consulados fere um direito certo dos descendentes."

Qual a medida Cabível contra a ilegalidade do tempo de duração das filas consulares?
Ação Judicial no Tribunal de Roma.

Como funciona esta Ação Judicial?
Os descendentes de italianos terão que reunir toda a documentação (certidão de nascimento, casamento e óbito) desde o italiano até o requerente + o comprovante de que está inscrito na fila de espera do Consulado. As certidões deverão ser traduzidas para o italiano, por um tradutor juramentado e apostiladas segundo a Convenção de Haia.

E quando os interessados são irmãos, netos, bisnetos, primos, tios e possuem o mesmo ascendente italiano?
Todos poderão participar juntos do mesmo processo judicial. Desde que possuam em comum o ascendente italiano. Assim como dividir os custos com processuais.

Os Requerentes precisam ir até a Itália?
Não é preciso que os requerentes vão até a Italia. O advogado mediante uma procuração os representará.

É possível escolher qualquer advogado?
Não. O advogado que for atuar no Tribunal de Roma, deverá estar inscrito na Ordem dos Advogados Italiana.

Qual o prazo de duração da Ação Judicial?
O prazo varia em média de 10 a 24 meses.

Após a sentença o que acontece?
Os requerentes serão reconhecidos italianos.
Serão emitidas certidões italianas pelo Comune, que permitirão a inscrição no AIRE do pais de residência. Após esta etapa, os novos cidadãos italianos poderão solicitar a emissão do passaporte italiano.”

Interessados no reconhecimento da cidadania italiana judicial podem entrar em contato com a profissional deste artigo (Link acima) pelo seu Email: poliany.cestari@gmail.com. 





Cidadania: Os riscos da via administrativa presencial na Itália



O título acima é de um artigo muito bem feito acerca da cidadania italiana, com orientações e dicas dadas por um profissional devidamente habilitado nesta área. Trata-se do Dr. Luiz Scarpelli, “Avvocato stabilito iscritto nell’Albo della Ordine Degli Avvocati di Roma”.

Você pode acessar o artigo pelo linK:

Este especialista pergunta e responde aos oriundis: “É seguro atualmente buscar o reconhecimento da cidadania italiana em um Comune, pela via administrativa presencial, com o auxílio de um assessor na Itália? O que realmente significa a expressão “falsa residência”? Qual a real diferença entre assessores, consultores e “coyotes”?”

E alerta para o grande CUIDADO neste segmento:  “A máfia da cidadania italiana usa centenas de perfis falsos (Facebook) e telefones falsos (WhatsApp), fake news, fotos e depoimentos de falsos clientes. Usam diariamente, 24 horas por dia, dezenas de falsos “grupos de ajuda” no Facebook, alguns com dezenas de milhares de pessoas, para captarem serviços ilícitos... O esquema opera na Itália com o pagamento de propina a servidores públicos e policiais italianos corruptos, numa rede transnacional de tráfico de influência que usa, inclusive, documentos adulterados e residências falsas, por todo o país.”

LEIA ATENTAMENTE AO ARTIGO ESCLARECEDOR DO DR. LUIZ SCARPELLI.
NÃO CAIA EM ARMADILHAS.

Há um convite em seu artigo:  “Venha fazer parte da Corrente do Bem no YouTube contra a máfia da cidadania italiana. Inscreva-se no canal. Aqui você tem informação gratuita e de qualidade. Venha conhecer também o site do meu escritório de advocacia na Itália: https://www.advscarpelli.it . Atuação na cidadania italiana no Tribunal ordinário de Roma, na Itália, 100% dentro da lei, nas vias judiciais materna e paterna.”

FIQUE ATENTO PARA O CAMINHO CORRETO A TRILHAR EM BUSCA DA CIDADANIA ITALIANA; SENÃO VIRA PESADELO...



sexta-feira, 16 de agosto de 2019

ORAÇÕES DE D. MARTA MARRA KERSUL

Há eventos na vida de um vivente que marcam profundamente sua espiritualidade, com serenidade e posição perante a vida e sua passagem por este mundo. E uma delas é entender que não somos matéria carregando um espírito, mas pelo contrário, SOMOS ESPÍRITOS COM EXPERIÊNCIA DE CORPO (matéria). E pessoas ainda em vida, já revelam esta compreensão na vida de oração, alteridade e desapego. E isto aprendi com minha saudosa sogra, Marta Marra Kersul.

MARTA MARRA KERSUL é filha de Custódio Marra e Francisca Marra de Godoy. Faleceu em 01/02/2018, aos 88 anos. Viúva de Expedito Kersul, o "mineirinho", conhecido carnavalesco de Pouso Alegre. Deixou oito filhos: Ronaldo, Rogério, Ricardo, Renato, Régis, Roberto, Rosiane e Rosemara. A D. Marta e D. Franscisca (a Vó Chiquinha) cuidavam do bazar beneficente da Vila Padre Vito, confeccionando roupas para a população carente e participavam dos grupos de oração e estudos na linha kardecista. Dedicaram suas vidas à cepa de grande espiritualidade, deixando fortes exemplos de vida.

E em homenagem a todos meus leitores do Blog, estou disponibilizando o LINK das orações de minha sogra Marta Marra Kersul, para que conheçam, reflitam e bebam nesta fonte de espiritualidade. Há pessoas que passam em nossas vidas e marcam suas presenças para sempre...

LINK:


Dona Marta e a mãe Francisca (Vó Chiquinha) num encontro na família em Itajubá - MG.

Dona Marta, fiel e dedicada companheira de Expedito Kersul, o "Mineirinho".



quarta-feira, 24 de abril de 2019

REFLEXÕES E PENSAMENTOS SOBRE OS ANTEPASSADOS


"ESQUECER OS ANTEPASSADOS É ESTAR EM UM RIACHO SEM FONTE, UMA ÁRVORE SEM RAÍZ."         Pensamento Chinês.

"SOMOS A RAZÃO DAS LUTAS NOS NOSSOS ANCESTRAIS. NÃO DESISTA!"

"QUEM IGONORA DE ONDE VEIO, NUNCA VAI ENCONTRAR O SEU DESTINO..."

"POR MAIS FORTE QUE SEJA O GALHO, QUEM SUSTENTA A ÁRVORE É A RAÍZ. CONHEÇA, VALORIZE E RESPEITE SUA ANCESTRALIDADE".

"TODA ESCOLHA É O FIM DE TODAS AS OUTRAS POSSIBILIDADES".

"AMOROSAMENTE VOLTAMOS OS OLHOS CHEIOS DE GRATIDÃO EM DIREÇÃO AOS NOSSOS ANTEPASSADOS. GRAÇAS A ELES, ESTAMOS AQUI. NENHUMA ÁRVORE ALCANÇA OS CÉUS SEM A FORÇA DE SUAS RAÍZES".

"UMA ORAÇÃO DE GRATIDÃO AOS ANTEPASSADOS É A BASE DE PROSPERIDADE DOS DESCENDENTES".  Seicho-No-Ie

"O TERRENO EM QUE ESTAMOS É SOLO SAGRADO. É O SANGUE DE NOSSOS ANTEPASSADOS".

Repita:  "TODOS MEUS ANCESTRAIS. TODOS MEUS ANCESTRAIS. ESTÃO COMIGO AGORA. ESTÃO COMIGO AGORA!"

"O PASSADO É UM LUGAR DE REFERÊNCIA, NÃO DE RESIDÊNCIA".

"OS SOFRIMENTOS FAMILIARES SÃO COMO ELOS DE UMA CORRENTE, QUE SE REPETEM DE GERAÇÃO EM GERAÇÃO. ATÉ QUE UM DESCENDENTE TOME CONSCIÊNCIA E TRANSFORME A MALDIÇÃO EM BENÇÃO".   Bert Hellinger

"AO VIR AO MUNDO, NO SEIO DE UMA FAMÍLIA, NÃO HERDAMOS SOMENTE UM PATRIMÔNIO GENÉTICO, MAS SISTEMAS DE CRENÇAS E ESQUEMAS DE COMPORTAMENTOS".   Bert Hellinger

"ESTAMOS AQUI PARA APERFEIÇOAR O PROJETO GENÉTICO QUE HERDAMOS DE NOSSOS PAIS. APRENDA A ALEGRAR-SE COM SUA EXISTÊNCIA. AFINE SEUS INSTRUMENTOS, PARA COMPOR UMA NOVA MELODIA PARA SUA VIDA. O MUNDO VAI FICAR MELHOR ATRAVÉS DE VOCÊ".

"AGRADEÇA A SEUS ANCESTRAIS. PERDOE. PENSE POSITIVO SOBRE SUAS ORIGENS. CONCENTRE NOS ESTÍMULOS. SEJA UM OBSERVADOR".   Do livro; "A Ilha que atravessou o Mar".

"A GRATIDÃO AOS ANTEPASSADOS, MELHORA O DESTINO".

"AS PESSOAS NÃO SERÃO CAPAZES DE OLHAR PARA A POSTERIDADE, SE NÃO TIVEREM EM CONSIDERAÇÃO A EXPERIÊNCIA DOS SEUS ANTEPASSADOS".  Edmund Burke.

"UMA PESSOA ESTÁ EM PAZ, QUANDO TODAS AS PESSOAS QUE PERTENCEM A SUA FAMÍLIA TEM UM LUGAR NO SEU CORAÇÃO".

"PRECISAMOS DE TÃO POUCO PARA SERMOS FELIZES. O PROBLEMA É QUE PRECISAMOS DE MUITA PACIÊNCIA PARA COMPREENDERMOS ISTO".

"QUE HAJA PAZ ENTRE OS POVOS, AFINAL SOMOS TODOS IRMÃOS VIVENDO NA MESMA CASA".

"SOMOS TODOS VIAJANTES DESTE TEMPO, DESTE LUGAR. ESTAMOS SÓ DE PASSAGEM. O NOSSO OBJETIVO É OBSERVAR, CRESCER, AMAR E DEPOIS VOLTARMOS PARA CASA".

"AS ESPÉCIES QUE SOBREVIVEM NÃO SÃO AS MAIS FORTES, NEM AS MAIS INTELIGENTES E SIM AQUELAS QUE SE ADAPTAM MELHOR ÀS MUDANÇAS".  Darwin

"CADA UM TERÁ A VISTA DA MONTANHA QUE SUBIR..."

"E AI? VAI ESPERAR A VIDA PASSAR, PARA SE ARREPENDER DAQUILO QUE NÃO FEZ?"

"QUE NOSSAS PROMESSAS SEJAM CUMPRIDAS.
  NOSSAS PRECES SEJAM OUVIDAS
  E NOSSAS LUTAS SEJAM VENCIDAS."

"NÃO IMPORTA O QUE SEUS PAIS FIZERAM, AGORA O RESPONSÁVEL PELA SUA VIDA É VOCÊ..."

"FAMÍLIA NEM SEMPRE É QUESTÃO DE SANGUE. SUA FAMÍLIA SÃO AS PESSOAS QUE QUEREM VOCÊ NA VIDA DELAS. SÃO AS PESSOAS QUE ACEITAM QUEM VOCÊ É. SÃO AS PESSOAS QUE FARIAM QUALQUER COISA PARA TE VER SORRIR. SÃO AQUELES QUE TE AMAM, APESAR DE TUDO..."

"NOSSO DNA NÃO DESBOTA COMO UM PERGAMINHO ANTIGO; NÃO ENFERRUJA NO SOLO, COMO A ESPADA DE UM GUERREIRO MORTO HÁ MUITO TEMPO. NÃO É ERODIDO PELO VENTO OU PELA CHUVA, NEM REDUZIDO A RUÍNAS PELO FOGO E TERREMOTOS. É O VIAJANTE DE UMA TERRA ANTIGA, QUE MORA DENTRO DE TODOS NÓS."   Sykes,2003.


HOMENAGENS:

Família Cappai - (Brasil)

Família Marra e Kersul - (Brasil)


Um passado difícil para os imigrantes e seus primeiros descendentes. 


terça-feira, 23 de abril de 2019

A HISTÓRIA FRAGMENTADA DA IMIGRAÇÃO E O "NÃO PERTENCIMENTO"

Durante cinco anos de pesquisa diária, para reconstituir a história da imigração de meus ancestrais sardos (sendo representante da segunda geração no Brasil e com DNA 100% estrangeiro), não pude deixar de observar o quanto o registro da história foi relegado a segundo plano ou forçados a esta condição. Não raro, documentos são rasgados, queimados, abandonados e muitos, muitos mesmo, são enterrados sem contar sua história a seus descendentes. 

Os imigrantes eram vistos apenas como mão de obra, salvo raras exceções em que vinham com capital para implantar novos negócios na América. Isto a 140 anos atrás, no contexto da monocultura cafeeira e com fazendeiros ávidos pelo lucro, era a realidade. Os relatos que coletei em minhas pesquisas são diversos e bem expressivos, demonstrando a dificuldade na adaptação, o "não pertencimento" à nova terra e condições, a tristeza por não poder retornar as origens, o isolamento e a perda total da identidade. 

A Síndrome de Ulisses, ou doença dos imigrantes, é real e ainda faz estragos nos dias de hoje. Estamos falando da segunda e terceira geração de descendentes dos imigrantes sardos. E isto se estende para outros grupos e etnias, porque o Brasil é um país de imigrantes, com a genética e o espiritual ainda sendo trabalhados. Basta verificar o quanto ainda a mídia ocupa deste tema!

" ...É sabido que meu avô rasgou alguns documentos sardos e outros ficaram retidos quando fugiram da Fazenda onde trabalhavam como colonos, mas meu pai não soube onde isto aconteceu..."    

"Tentei contato com os principais cartórios, seguindo a trilha dos possíveis parentes de meus avós, mas todos, unanimamente, me informaram que nada havia de registro da minha família naquelas localidades."
Trechos de emails de Lucinha Dettori, em 11 de junho de 2015.

"Meu pai foi um sonho realizado. Queria conhecê-lo desde pequena. Era um homem que gostava de viver sozinho. Ficou feliz de me ver. Era muito preconceituoso, não gostava de pretos, de cristãos, não bebia e nem fumava."
Relato de uma prima, que conheceu seu velho pai sardo, "sistemático por natureza", mas de grande coração. Trecho do livro "A ILHA QUE ATRAVESSOU O MAR."

"Minha mãe vivia em conflitos com a família, não se adaptava a nada, abandonou a família e se entregou ao álcool. Éramos três filhos abandonados, porque meu pai "italiano" tomou seu rumo. Chegou ao ponto que minha mãe suicidou... Não sei dizer qual deles tinha raízes na Sardenha..."
Relato triste de um leitor anônimo, da "A ILHA QUE ATRAVESSOU O MAR".

"...ouvindo sugestões da vizinhança que a “fatalidade” de meu nonno era “contagiosa” (câncer de estômago) e, por ignorância da época, teria esvaziado todo seu guarda-roupa e queimado todos seus pertences no quintal. Tudo que estava no bolso das roupas, inclusive documentos pessoais do meu nonno, viraram cinzas."  
Trecho do livro "A ILHA QUE ATRAVESSOU O MAR", sobre os documentos dos ancestrais do Autor.

"Parecia irônico, o "HD" pouco tinha da memória do passado, entrou em conflito com a sopinha de letras e agora deu pane. As primeiras perguntas vieram à mente: Será que existem doenças específicas da imigração? São transmitidas geneticamente a seus descendentes? Teria atravessado o mar, arrastando a crise familiar vivida na Europa? Até onde o trauma do arrependimento de Giuseppe e Maria Annica, repercutiria nos seus descendentes? Se confirmada, quais os sintomas na história familiar? Onde encontrar vestígios de sua manifestação na família? Quais as atitudes da nova geração para evitar que uma padronização comportamental nefasta continue a estigmatizar a família? Que mudanças a segunda geração deve empreender para que envelheça sem somatizar estas heranças genéticas? Chorei copiosamente, desconsolado e só, ao ver meu pai desorientado com os fragmentos de memória, sedado por tarjas pretas..."  
Trecho do livro "A ILHA QUE ATRAVESSOU O MAR", sobre a constatação da doença de Alzheimer no pai do Autor da "ILHA QUE ATRAVESSOU O MAR".

Há estudos e teses que analisam a Síndrome dos Imigrantes, que são acessíveis aos leitores e explanadas no livro "A ILHA QUE ATRAVESSOU O MAR". É importante analisar bem os efeitos desastrosos da imigração no país, ainda hoje, sobretudo porque nosso Sistema de Saúde não aborda esta questão prioritária de saúde pública; tornando-se um problema silencioso na nossa sociedade; persistente por décadas. 

Jorge Fouad Maalouf, em sua tese de Doutorado em Psicologia Clínica, apresentada à Pontifícia Universidade Católica de São Paulo – PUC em 2005, intitulada ― O sofrimento de imigrantes: um estudo clínico sobre os efeitos do desenraizamento no Self ― elucida os efeitos da imigração sobre gerações.

Outro artigo apresentado em 2009 pela portuguesa Dra. Chiara Pussetti, PhD em Antropologia Cultural e Pesquisadora Associada Sénior do Centro de Investigação em Antropologia (CRIA), intitulado ― Identidades em Crise: imigrantes, emoções e saúde mental em Portugal”, define o exato sentimento do imigrante e a falta de percepção dos políticos da época que alimentaram a ―salvação da lavoura‖, um exemplo próximo, vejamos:

"O endurecimento atual das políticas migratórias não favorece em nada a integração, mas antes pelo contrário contribuem para alimentar estereótipos promotores de um clima hostil e de recusa em relação aos estrangeiros. A sua "não colocação social" torna o imigrante num ser simultaneamente invisível e opaco, porque incomodamente presente, intimidativo enquanto símbolo das margens, do que a sociedade tenta excluir e pretende não ver; é o criminoso, o ilícito, o irregular e, portanto, o bode expiatório de qualquer problema social... A psicopatologia identificada no imigrante seria nesta visão o resultado da passagem árdua entre uma cultura e a outra, da falta de integração na sociedade de acolhimento, da crise identitária, da discriminação."

Hoje temos abertura e conhecimento para expor o assunto. Imagine o que passou os imigrantes do século XIX, nossos ancestrais. A maioria enfrentou, remoeu problemas e, por vezes, foi vencido por questões muito maiores daqueles da lida diária. E a genética transmitiu estes sofrimentos às gerações seguintes, que lutaram por adptar-se a "vazios e tristezas existenciais", ao "não pertencimento ao lugar" e, porque não, a práticas suicidas... E a mídia, independente do país e sua evolução social, enfrentam diariamente tais questões.  

Por que?!  Creio que a resposta é simples e está neste problema social, exposta geneticamente a uma parte sensível e fragelada das novas gerações. E o Brasil não escapa deste cenário, porque substituiu a mão de obra de escravos pela mão de obra de estrangeiros, iludindo-os para um paraíso que nunca existiu; em benefício dos barões do café. Atualmente, uns respondem a este "mal silencioso" com forte saudade no peito,  com o trabalho exaustivo, outros com dores físicas, psíquicas e espirituais e outros, no extremo da cegueira, dão cabo da própria vida e de quem estiver  ao redor... E mais uma vez, a mídia enxerga como "câncer da sociedade", "anomalias" ou "fatos isolados"; recusando-se enxergar a realidade histórica: somos um país de imigrantes e seus recentes descendentes... SOMOS FRUTOS DE UMA HISTÓRIA... não máquinas, força de trabalho, meros geradores de impostos, mas... seres humanos...

Para os que enfrentam estes dilemas, recomendo que ANALISEM suas árvores genealogicas, sua história, RECUPEREM a memória familiar (senão as enterrarão em breve), se necessário PROCUREM ajuda médica e espiritual, PERDOEM seus ancestrais por erros cometidos, REVERENCIE seus antepassados (gratidão por sua existência), BUSQUE suas raízes e FALE e ENSINE a seus filhos sobre a bravura e determinação de seus antepassados. A cura se dá pelo diálogo e no ambiente familiar. NÃO ESPERE QUE O GOVERNO O FAÇA. Foi o pivô do problema no passado e agora é apenas aquele que lastima, veta, fecha fronteiras, repreende e usa da lei para os infratores; sem aprofundar no problema que ele próprio criou...

SAUDAÇÕES A TODOS OS DESCENDENTES SARDOS, NO TERRITÓRIO BRASILEIRO E NO MUNDO.

KENT'ANNOS!
Do Autor.