Entre os anos de 1880 e 1930, o Brasil recebeu milhares de italianos, numa imigração que só assemelha à diáspora bíblica dos hebreus. Enquanto a Itália passava por uma forte crise econômica, principalmente pós a unificação, com excesso de patrícios e poucos empregos, o Brasil precisa de mão de obra na cafeicultura, com a abolição da escravatura e, posteriormente, como o apelo da industrialização.
Na Itália incentivava a vinda dos italianos com panfletos e publicidade para "fazer a América". Aqui no Brasil, a história era outra, porque era precário e extremamente simples a recepção e o procedimento de registro dos imigrantes e suas famílias pelos órgãos do governo. Vinham abarrotados em navios, eram acolhidos nas Hospedarias dos Imigrantes, cuja ordem era a urgência em despachar os que chegavam para as lavouras. Não havia espaço para todos. Muitos ficaram no anonimato ou morreram como indigentes. Os que morreram em alto mar, foram esquecidos para sempre. A diferença da cultura, do idioma e o despreparo na recepção dos imigrantes separou famílias por toda uma geração.
Em face de todos os erros e desencontros da imigração em massa, a história e a cultura do Brasil foi marcada para sempre com a vinda dos imigrantes italianos. Entre 1870 e 1953 entraram no Brasil 1.565.835 italianos. Deste total, apenas 6.000 eram sardos, os que ficaram no Brasil. Estima-se que na Argentina, o número de imigrantes sardos foi maior dos que ficaram no Brasil, em torno de 17.000. Ainda assim, os sardos eram uma pequena parte na grande parcela de imigrantes italianos.
A família de meu bisavô sardo CAPPAI GIUSEPPE chegou na Hospedaria dos imigrantes em 1897, estava destinado à Fazenda de Café do sr. Antônio Belizandro dos Reis Meirelles, Fazenda Bella Vista, município de Leopoldina. E dentre os poucos sardos que vieram neste ano, seguiu o rito de entrada do imigrante. Dos registros que tenho, ele ficou viúvo em 1912, de sua esposa GESSA Maria Annica, que faleceu com 49 anos no município de Providência, Distrito de Leopoldina, zona da mata mineira. Em 1913 casou seu filho CAPPAI SALVATORE em Leopoldina e mudou-se para Nova Venécia, Estado do Espírito Santo. Em 1917, retornou para acompanhar o casamento de meu avô CAPPAI RAFFAELE. E a partir deste registro, não há mais informações a seu respeito.
O meu trabalho é reconstruir a história, porque ela é a única coisa palpável da família que se dispersou, fragmentou-se após ter o sobrenome alterado no Brasil. Decerto, os CAPPAI são realmente uma família CAPAZ, meu sobrenome no país, e só o tempo para solucionar as lacunas deixadas...
Para ilustrar estes comentários, segue uma propaganda italiana incentivando a imigração, pois no início o governo italiano chegou a colaborar com dinheiro para os imigrantes. Por parte das Hospedarias no Brasil, havia um ritual simples para receber, cuidar e alimentar o imigrante por alguns dias, destinando-os em seguida para o contratante dos serviços. Poucos são os registros deste tempo...
segunda-feira, 3 de março de 2014
domingo, 2 de março de 2014
Genealogia de Eleonora Cappai - Regno de Arborea - Sardenha
Esta é a Arvore Genealógica de Eleonora Cappai de Arborea, personagem histórica no Reino de Arborea da Ilha da Sardenha, período medieval, filha de Mariano IV Cappai de Arborea, descendentes diretos de Vera Cappai, natural de Villasalto. A cidade centenária, antiga vila feudal, tem hoje cerca de 1300 habitantes. Cidade onde nasceu meus ancestrais.
Família Cappai - Os fragmentos históricos se juntam...
GENEALOGIA DA FAMÍLIA
CAPPAI
CAPPAI ANTÔNIO
Casou com AGUS
MARIANNA.
Filho: CAPPAI
GIUSEPPE.
Natural de
Villasalto, Província Cagliari, Sardenha, Itália.
Parente mais antigo:
Vera Cappai, filha do Conde Perra Johanni Cappai, de 1287.
GESSA RAIMONDO
Casou com CONGIU
BÁRBARA.
Filha: GESSA MARIA
ANNICA.
Natural de
Villasalto, Província Cagliari, Sardenha, Itália.
Parente mais antigo:
Benedetto Visconti Gessa, de 1338.
CAPPAI
GIUSEPPE
Nasceu no ano de 1853.
Filho de CAPPAI ANTÔNIO e AGUS
MARIANNA.
Casou com GESSA MARIA ANNICA em 29/12/1883, às 6:40 hs, em Villasalto, Sardenha.
Imigrou para Leopoldina, Minas Gerais, Brasil em 28/06/1897, Navio Equitá, com 45 anos.
Imigrou para Leopoldina, Minas Gerais, Brasil em 28/06/1897, Navio Equitá, com 45 anos.
Veio p/ o Brasil seis filhos: Antônio (13), Maria (10), Salvatore (8), Filomena (6), Danielle (3) e Raffaele (5).
Migrou para Nova Venécia, Espírito
Santo, Brasil, em 1913.
Nada mais se sabe.
GESSA MARIA ANNICA
Nasceu no ano de 1863.
Faleceu em 1912, com 49 anos, e foi enterrada
em Providência, MG, Brasil.
Filha de GESSA RAIMONDO e CONGIU
BÁRBARA.
Casou com CAPPAI GIUSEPPE em 29/12/1883, às 6:40 hs, em Villasalto, Sardenha.
Teve seis filhos: Antônio, Maria, Salvatore, Filomena, Danielle
e RAFFAELE.
Imigrou para Leopoldina, Minas
Gerais, Brasil em 28/06/1897, Navio Equitá, com 35 anos.
CAPPAI RAFFAELE
Filho de GIUSEPPE
CAPPAI e MARIA ANNICA GESSA.
Nasceu em 27/11/1896, às 5:15 hs, Villasalto, Sardenha, Itália.
Imigrou para o
Brasil em 28/06/1897, Navio Equitá, com sete meses.
Casou com Izabel Carlos de Oliveira (18
anos), em 10 de novembro de 1917. Raffaele tinha exatamente 20 anos, 11 meses e
13 dias quando casou. Ocasião que o pai de Raffaele estava com 65 anos.
Teve
sete filhos: Antônio, Ana, Délia, Sebastião, Aparecida, Maria e JOÃO CAPAZ DE
OLIVEIRA.
Faleceu no dia 06/09/1963, às
7:00hs, em Leopoldina, MG, Brasil.
Faleceu com 66 anos, 9 meses e 9 dias.
Faleceu com 66 anos, 9 meses e 9 dias.
Família de Cappai Raffaele no Brasil.
JOÃO
CAPAZ DE OLIVEIRA - Primeira
Geração de sardos nascidos no Brasil.
Filho de RAFFAELE CAPPAI e IZABEL CARLOS DE
OLIVEIRA.
Nasceu
em 17/11/1934, às 6:00hs, em Leopoldina, MG, Brasil.
Raffaele tinha
nesta data 37 anos, 11 meses e 20 dias.
Casou
pela segunda vez em 09/10/1970, com Leda Maria Campos Capaz.
Tem
quatro filhos: João Batista, Edna Lúcia, Daniella Maria e JOSÉ CAPAZ.
JOSÉ CAPAZ DUTRA CAPPAI - Segunda Geração de sardos no Brasil.
Filho de JOÃO CAPAZ DE OLIVEIRA e MARIA JOSÉ DUTRA CAPAZ.
Nasceu em 09/01/1964, às 0:00hs, em Ubá, MG, Brasil.
João Capaz tinha nesta data 29 anos, 1 mês e 22 dias.
Casou pela segunda vez em 01/10/1993, com Rosemara Kersul Capaz.
Tem duas filhas: Gizelle e Giovanna.
CAPPAI MARIA
Filha de GIUSEPPE
CAPPAI e MARIA ANNICA GESSA.
Nasceu no ano de
1887, Villasalto, Província de Cagliari, Sardenha, Itália.
Imigrou para o
Brasil em 28/06/1897, Navio Equitá, com 10 anos.
Casou
com Domenico Gottardo, em 30/07/1921, na Igreja do Rosário, Leopoldina,
MG, Brasil.
Na década de 40 residiam no município de Abaíba – MG.
Na década de 40 residiam no município de Abaíba – MG.
Faleceu em 28/12/1969, às 04:00hs, no Asilo Santo Antônio, Leopoldina, MG, Brasil.
CAPPAI SALVATORE
Filho de GIUSEPPE
CAPPAI e MARIA ANNICA GESSA.
Nasceu no ano de 1889,
Villasalto, Província de Cagliari, Sardenha, Itália.
Imigrou para o
Brasil em 28/06/1897, Navio Equitá, com 8 anos.
Casou
com Hercília Pedrini, em 19/07/1913, na Igreja do Rosário, Leopoldina,
MG, Brasil.
Faleceu
em 25/03/1958, em Nova Venecia, Espírito Santo, Brasil.
CAPPAI ANTÔNIO
Filho de GIUSEPPE
CAPPAI e MARIA ANNICA GESSA. Nasceu no ano de 1884.
Imigrou para o Brasil
em 28/06/1897, Navio Equitá, com 13 anos.
Migrou para o
Espírito Santo, em 1913, possivelmente Nova Venecia.
Nada mais se sabe.
CAPPAI DANIELLE
Filho de GIUSEPPE
CAPPAI e MARIA ANNICA GESSA. Nasceu no ano de 1894.
Imigrou para o
Brasil em 28/06/1897, Navio Equitá, com 3 anos.
Migrou para o
Espírito Santo, em 1913, possivelmente Nova Venecia.
Nada mais se sabe.
CAPPAI FILOMENA
Filho de GIUSEPPE
CAPPAI e MARIA ANNICA GESSA. Nasceu no ano de 1891.
Imigrou para o
Brasil em 28/06/1897, Navio Equitá, com 6 anos.
Migrou para o
Espírito Santo, em 1913, possivelmente Nova Venecia.
Nada mais se sabe.
sábado, 1 de março de 2014
O local de descanso de meus bisavós sardos...
Descobri esta semana,
através da Certidão de Casamento de meu avô sardo Cappai Raffaele, que minha
bisavó Gessa Maria Annica faleceu em 1912 com 49 anos e foi enterrada em
Providência, Distrito de Leopoldina.
Quando nosso bisavô sardo Cappai Giuseppe casou seu filho Cappai Salvatore em 1913, em Leopoldina, mudou-se viúvo para
Nova Venécia (ES) com três de seus seis filhos.
Cappai Salvatore faleceu em
1958 em Nova Venécia (ES), tio-avô de meu pai. Nesta época, já havia o erro no
sobrenome da família, ao invés de Cappai, a família assinava o sobrenome Capaz.
Meu bisavô Giuseppe
retornou para ver o casamento do meu avô Raffaele em 1917. Este evento ficou
registrado nas Certidões do Cartório.
Como meu pai João Capaz de
Oliveira nasceu em 1934, ele não chegou a conhecer seus avós italianos,
naturais de Villasalto, Sardenha. Conhecia apenas seu pai que veio para o Brasil em 1897, que faleceu
como italiano, sem ter naturalizado no país.
Depois disto, a história de
parte da família seguiu para o Espírito Santo e nossa pequena família ficou em
Leopoldina. Esta história ficou desconhecida por 102 anos. A família "Cappai" continua
dividida entre a zona da Mata mineira e o Espírito Santo, sem se conhecer até os dias de hoje. Ainda carregam um sobrenome não italiano, sem conhecer a verdadeira história da família...
Minha missão agora é
localizar o túmulo dos meus bisavós, encontrar os parentes para relatar a
história que pesquiso e registrar mais este momento. Acredito que a história
não deve permanecer apagada em nossas memórias. Uma vez pesquisada e entendida,
tornou-se uma obrigação reunir os fragmentos e compartilhar com nossa geração.
Afinal, um casal trouxe
seus seis filhos para “fazer a América”. E passado pouco mais de 100 anos, a
família se dividiu, mas a memória não pode ser jamais esquecida. Se não fosse o
casal Cappai Giuseppe e Gessa Maria Annica, minha família não existiria hoje neste
país. Somos frutos de uma decisão, de um momento crucial que levou uma família
a enfrentar o mar e começar uma nova vida em terras estranhas. Devo minha vida e
a de minha família a eles...
segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014
O "Falcão da Rainha"
O falcão-da-rainha (Falco eleonorae) é uma ave de rapina,
cujo nome científico é uma homenagem à histórica personagem da ilha da Sardenha,
Eleonora Cappai de Arborea, descendente de Vera Cappai, natural de Villasalto.
Este esbelto falcão
nidifica sobretudo em ilhas no Mediterrâneo, e também nas Canárias. É uma ave
migradora que inverna na ilha de Madagáscar. A espécie é monotípica (não
são reconhecidas subespécies).
Fonte: Foto da Internet.
sexta-feira, 31 de janeiro de 2014
Poesia da alma sardenha, além mar...
50 anos para descobrir...
José Capaz – 31/01
Nasci em terras distantes, longe da terra natal,
Vazio d’alma de uma terra que não conheci,
Mas cultivo a energia de viver nova vida, além-mar.
Lembranças se formam, misturadas a sentimentos díspares,
Alegre, encontro velhos e amarelos documentos,
Eta! tristeza resignada, do tempo perdido e do anseio da
procura.
Acaso sou Giuseppe, acaso sou Antônio, acaso será apenas
eu,
Quanta trama, no fundo da alma que não cessa de
perguntar,
E que às vezes se cala, emudece pela temporalidade da
escolha.
Sono
sardo, mi sono perso, perso come un bambino.
Acaso espera o tempo?! Farei retornar a esta terra jamais
experimentada?
Que registros há neste solo, que me atrai como o imã a
limalha,
E quão grande é a distância que nos separa dos sonhos.
Oh! Deus, que mosaico virou a vida, quando as raízes
afloraram,
Quando poucas respostas vieram pela insistência de seu
servo,
Rasgando a terra que parecia firme, convicta, agora
fértil de indagações.
Sempre gostei do mar, de navegar, da pesca e da brisa,
Que diria as palmeiras dançando ao vento, no frescor
arrancado pelo olhar,
Do cantar das águas do rio, que desaguava no espírito
irrequieto,
E o lavrar da madeira metamorfoseando-se em “mamutones”,
Horas martelando a madeira, criando vida.
E lá estava ela, a ilha que concentrava no coração, do
esquelético ser,
Agora preenchido pela descoberta de que não era um ser
isolado,
Este minúsculo ser perdido no nada, na complexidade do
nexo,
Mas sim era a ilha que habitava no mais profundo de
minhas memórias,
E assim, nas entranhas do DNA, dos Memes, no borbulhar
dos pensamentos,
Está a ancestralidade sarda que atravessou o mar...
sábado, 25 de janeiro de 2014
Poesia dedicada a meus Ancestrais Sardos
RITUAL
NO ALÉM-MAR...
José Capaz – 25/01/2014
Ao mar, sonhos perdidos numa terra que fica,
Desparecendo atrás das vagas ao som do vapor,
Inclemente, determinado, algoz e repleto de vida
mecânica.
Sonhos em turbilhão, espremidos numa “pátria” ambulante.
Aos filhos dos sonhos, a colheita certa da terra
perdida,
Aos filhos dos sonhos, a promessa da colheita farta e
certa.
Oh! América, que dos véus brancos nos remetem a seus
frutos, o café,
Seus “Nuraghes” são como torres verdes, desdobrando
serras,
E suas pedras de divisas sulcam fronteiras entre homens
e lavouras,
Em grande extensão de terras e lutas...
O canto da harmônica veio da nave até a serra “di mio lavoro”,
Regurgita velhos pensares no acalento de uma nova
alegria,
Candura e vaga lembrança, levada ao vento como a
primavera.
E quando acordar deste tempo, sem dores lombares, sem
anseios,
Estarei, não de volta à nave e nem ao passado da Ilha
Perdida,
Mas estarei impregnado na semente, no solo e no ar desta
terra,
Imigrante sardo, enterrado em terras distantes, filho
suado e cansado,
Agricultor, amante, pai, escultor, carpinteiro, pedreiro
e espírito.
E de tudo que foi e partiu, a história se mistura a tantas
outras,
História de fole, acordeon de poesia e contos, do ir e
vir, repetir;
Constrói, destrói, refaz, anima e repensa esta pátria bendita.
Além-Mar, Além-Terra, Além-Vida,
Ninguém há de morrer em vão nesta Terra de todos,
O trabalho é uma vida, completa outro, uma simbiose sem
fim,
Imigrante nascemos, quando aqui aportamos,
Imigrante seremos, quando daqui aportamos.
E esta grande nave, errante no espaço de ondas, segue um
rumo,
No instante em que quatro mouros nos observam:
A família que nos acompanha,
O pensamento e suas estações passageiras,
A fé em dias melhores e
O vazio de estar em uma terra distante.
E, diante deste “mistério nurágico”, se perpetua o rito
à ancestralidade,
Não há documentos; apenas a dispersa, intrigante e tênue
história...
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