sexta-feira, 26 de outubro de 2018

CIDADANIA - "A lei da selva"


O título que dou a esta postagem é uma externação de minha indignação pelo ser humano e, com especial destaque para o jeito latino ou "jeitinho brasileiro", que sempre vê uma chance em tudo, de ganhar o "maledeto" dinheiro fácil às custas dos outros. Talvez, num ambiente mais amplo, esbarramos na corrupção política e no atraso do país em várias áreas, porque não se age com honestidade e respeito ao outro. Assim, ficamos todos reféns, nas mãos dos espertinhos. E, refém desta situação no meu processo de cidadania, não posso deixar de falar do problema que atinge a centenas de outros "oriundis" aflitos...

Depois de esperar QUATRO ANOS NA FILA, gastar na obtenção de todos os documentos, tradução e apostilamentos, chegamos ansiosos no agendamento da entrega dos mesmos no Consulado. O sistema de agendamento é "on line", direto no site do Consulado, onde se aguarda uma vaga. O dia estando "verde" no calendário, clica no dia em aberto e assim ocorre o agendamento. Simples assim?! Não é o que ocorre. Todos os dias estão ocupados e, segundo informações, o Consulado atualiza o sistema sempre à 24:01hs. Isto mesmo, conta este precioso segundo da virada. 

Você pode acreditar neste segundo, porque é neste segundo (APÓS QUATRO ANOS DE ESPERA) que estará sua esperança de se tornar oficialmente um italiano, mesmo que seu DNA seja 100% europeu. É neste precioso segundo que se aloja os oportunistas e o "jeitinho brasileiro". Ao invés de aguardar e clicar nesta vaga (liberada todos os dias no sistema, às 24:01hs) SOMENTE AQUELES QUE ESTÃO COM TODA SUA DOCUMENTAÇÃO PRONTA PARA SER ENTREGUE, entra em ação os "espertinhos" para segurar este precioso lugar na fila. Possivelmente, seguram a vaga, até quem não tenha interesse na cidadania, mas possa vender o lugar na fila. Assim a angustia dos honestos é a tônica deste momento, após correr tanto atrás de documentos. E pasmem!!! O valor da vaga que seguraram desonestamente, com certeza, é de quase R$ 3.000,00 (Três mil reais). Além da fraude no sistema, o valor é bem superior ao que o Consulado Italiano cobra para analisar os documentos, que é de 300 euros ou, em valores de hoje, R$ 1.252,71. E tem "consultores" ou "facilitadores" que oferecem este serviço na internet, conforme verão no "Print screen" da tela, a seguir. É por isto, que estou tão descrente deste país...

Da parte do Consulado Italiano, creio que não saibam da ocorrência destes fatos que são bem explanados em vídeos do Youtube ou em sites ditos "especializados". Por outro lado, o Consulado não responde emails e muito menos reclamações (Em sites como "Reclame aqui"), não se envolve nestas questões. Eu tive um acidente na lavanderia de casa em fevereiro, sofrendo um trauma no cóccix e tenho dificuldades para ficar assentado, principalmente em carro. Resido em Pouso Alegre, a 390 km do Consulado Italiano em BH, cerca de cinco horas de viagem. Enviei email pedindo orientações e não obtive nenhuma resposta. Este não é o problema, porque posso tomar analgésicos para amenizar a coccidínia e viajar parte do trajeto em pé no ônibus. Mas o problema principal é que não consigo agendar no Consulado a entrega dos documentos. Hoje é dia 26/10/2018 e meu prazo encerra em 31/10. Faz mais de mês que não consigo agendar e posso perder os quatro anos de espera na fila, assim como todo os gastos que tive com cartórios, traduções e apostilamentos. 

Por princípio de honestidade, que veio com meus ancestrais imigrantes e do berço, eu não pago para "facilitadores desonestos" qualquer quantia. A exploração dos imigrantes no passado se estende até os dias atuais. Se eu não tiver vaga nesta bendita agenda do Consulado, eu esperarei paciente por uma chance de ir pessoalmente na Sardenha para requerer minha cidadania. Que dure mais cinco ou dez anos, mas eu não compactuo ou fomento corrupção! Se eu não conseguir, vou cuidar de minha saúde e juntar recursos para ir a Villasalto, com as bençãos de seu Patrono, São Miguel Arcanjo. COSÌ SIA.


Um dos anúncios na internet, oferecendo vaga no agendamento do Consulado por elevado valor.

Interface do site do Consulado, apontando inexistência de vagas no momento da consulta. 


domingo, 21 de outubro de 2018

ENCONTRO ANUAL DA FAMÍLIA MARRA


Ocorreu entre os dias 19 e 21 de Outubro de 2018, o Encontro anual da Família Marra. O local deste ano foi novamente no aconchegante Hotel Fazenda Vale Verde, em Estiva (MG). Foram dias de Confraternização e reencontro com familiares, com descontraídos eventos para as gerações de "oriundis"; nos quais a musicalidade, declamações de poesias e troca de informações realimentou o espírito italiano de todos. Tenho participado desde 2013, quando iniciou este evento memorável da família de minha esposa Mara.

Gostaria muito que estes Encontros Anuais de Família fossem uma realidade também para a Família Cappai, mas me parece remota de acontecer, dada a condição de nossa rara descendência (são poucos os sardos que restaram da imigração tardia no país, sendo atualmente desconhecidos entre si), a migração desastrada pós guerra para outras regiões dos poucos remanescentes e a tímida e quase inexistente atividade dos "Circolos Sardos". Por ora, não existe uma entidade social que cadastre, reaviva e resgate a cultura dos sardos no país. Por isto convido por meio deste Blog, que comecemos a pensar num evento de aproximação. Num primeiro momento, através da rede social e de mensagens, a organização de informações e palestras (nas quais posso me apresentar como historiador e escritor sobre o tema, juntamente com outros "oriundis"), até que possamos começar nossos encontros anuais. Estejam onde estiverem, a Sardenha é nossa origem comum. E podemos fazer desta saudosa origem, um belíssimo reencontro de descendentes sardos...

O Encontro da Família Marra, onde participo como "agregado", tem sido um forte estímulo para que eu prossiga em minhas pesquisas. Semanas atrás viajei na ideia de montar um espaço aberto ao público, para divulgar e preservar a memória da imigração dos sardos. Agradeço muito a  família Marra, que me acolheu com o mais puro espírito italiano, alegre e fraternal. Estou grato a Deus e ao capricho da história, por este inestimável presente. Este espírito de união, cada vez mais raro, é com toda certeza a semente que deixaram além-mar e que continuará a frutificar aqui por muitas gerações.

Em homenagem ao Encontro, disponibilizo aqui as fotos dos painéis dos Encontros Anuais da Família Marra. Assim como fiz a árvore genealógica de minha Família Cappai, que já está disponível no site do "MY HERITAGE", irei auxiliar a Família Marra para que também disponibilize na rede social a sua árvore genealógica. É uma louvável ação para que os arquivos de família não se percam com o tempo e estejam sempre a disposição de outras famílias, agora e no futuro.







Moradia no "Timbó", perto de Careaçu (MG) no sul de Minas, onde os primeiros imigrantes da Família Marra iniciaram sua belíssima trajetória. 



sábado, 29 de setembro de 2018

Pesquisar para economizar - Cidadania


Passei por uma experiência esta semana muito interessante, durante o processo de apostilamento das Certidões. E acho interessante passar esta experiência. Sempre achamos que o preço de cartórios é tabelado e não há como escapar. De fato, os cartórios cobram caro e tudo é motivo e brecha para cobrar mais, seja no reconhecimento de firma, mais selos ou certidões vencidas. Resignado com as tabelas dos cartórios em Minas Gerais, que sempre apresentavam valores parecidos, independente da localidade, acabei deixando levar e gastei uma boa soma durante o período de quatro anos de espera na fila. Não sabia quando iria ser chamado a apresentar os documentos, por isto procurava estar sempre de posse das Certidões válidas. Esqueci que no Brasil, mesmo o Consulado sendo italiano, a burocracia é exercício para "monges tibetanos". Num dado momento, descobri que as Certidões deveriam ser de inteiro teor e os valores foram mais salgados... Haja paciência e "denaro"...

Recentemente precisei apostilar duas Certidões minhas, juntamente com as traduções juramentadas. Estas foram feitas pela Patrícia Rizzotto, excelente tradutora de Uberlândia. Por surpresa ao tentar apostilar mais Certidões em minha cidade (Pouso Alegre, sul de Minas), fui orientado que não poderiam apostilar, porque a tradutora não reconheceu firma de sua assinatura. Prestem atenção! O apostilamento em Minas Gerais é R$ 106,00 por documento e mais R$ 25,00 por folha acrescida. De tal forma, que o serviço que eu precisava, iria ficar em mais de R$ 470,00. Estava inconformado por pagar mais esta leva de documentos, mas estou numa fase que não dá mais para desistir. E foi assim que liguei para a tradutora para saber como iríamos fazer com o reconhecimento de firma de sua assinatura.

A tradutora orientou a entrar em contato com o Cartório JK, em Brasília (DF), onde tem firma reconhecida. Achei curioso, porque até então lidava com quatro cartórios diferentes em regiões diferentes de Minas Gerais, mas daí a mandar os documentos para Brasília era no mínimo uma "aventura burocrática" além dos limites do Estado. Mas os tempos são outros. No site do Cartório JK mostra uma Brasília eficiente, pois os documentos "ficam prontos em 24 horas". E foi assim que enviei a documentação. Mas, pasmem com o preço!!! O custo do apostilamento é de apenas R$ 38,00 por documento, sem acréscimos. E foi assim que os 470 reais de Minas Gerais se transformou em apenas 177 reais em Brasília. Foi ai que concluí, o que todo empresário mineiro já conhece há décadas, que Minas Gerais é o Estado mais voraz da Federação.

Outra questão específica, antes de localizar a prestimosa tradutora Patrícia Rizzotto, procurei por tradutores juramentados no sul de Minas. Verifiquei a inexistência deles no interior do Estado. Pedi informações a vários contatos e acabei com uma indicação no próprio cartório. Um tal "JB" se apresentou como tradutor em três idiomas e me pediu o valor de R$ 1.200,00 nas duas Certidões. Fiquei apavorado com o preço. Entrei em contato com vários tradutores em Belo Horizonte e alguns cobraram em torno de R$ 600,00. Tive a curiosidade de checar a lista de tradutores na JUCEMG - Junta Comercial e o tal "JB" não constava na lista, mas justificou que trabalhava com uma liminar. Enfim, não aprofundei na questão e fiz nova pesquisa, até que encontrei a Rizzotto Traduções ao valor de R$ 350,00. Estou citando os preços, porque na JUCEMG me informaram que as traduções tem PREÇOS TABELADOS pelo governo. Seja o que for, há muita coisa suspeita neste segmento. Se no passado, haviam atravessadores no agenciamento de imigrantes para a lavoura de café que vitimavam nossos antepassados em seus sonhos na América, hoje temos aproveitadores que estão enganando os oriundis no retorno às raízes...

Então, meus caríssimos oriundis em busca da cidadania, ATENÇÃO! Muita atenção para com os valores que estão pagando por serviços e também junto aos cartórios. Pesquise preços, porque a diferença vai te surpreender também...

LINK do Cartório JK: http://www.cartoriojk.com.br/

Buona fortuna!!!
Un mega abbraccio a tutti.

José Capaz


quarta-feira, 22 de agosto de 2018

LIVRO "A ILHA QUE ATRAVESSOU O MAR", disponível para downloader.


Prezados leitores do Blog "Italianocapaz",

Depois de muitas pesquisas com editoras e gráficas, estudando qual a melhor forma de disponibilizar para venda o livro "A ILHA QUE ATRAVESSOU O MAR", decidi deixar ele disponível em PDF no próprio Blog.

A "ILHA QUE ATRAVESSOU O MAR" é uma obra que durou quase cinco anos de pesquisa para se concretizar. Dediquei a esta pesquisa jornalística com zelo e afinco, como profissional formado na área, com especialização em historiografia. Espero que gostem do resultado. Pretendo pesquisar num futuro breve os documentos e pessoas na Sardenha, para transformar (quem sabe!) num romance com o mesmo título. Afinal, a raridade, as informações e os fatos que levaram os sardos a esta imigração rara, merecem nossa especial atenção, dentro da imigração italiana que ajudou a  formar este país.

Não é fácil editar e publicar obras no Brasil. Procurei editoras, gráficas independentes e por  impressões a preços populares, sempre com o objetivo de viabilizar o custo final da obra. Por fim, analisei no fundo da alma o "porque" de ter mergulhado nesta pesquisa. Fiz isto buscando minhas raízes e finalmente entendo hoje que, mesmo fragmentados, somos partes de um todo. SOMOS UMA GRANDE E DISPERSA FAMÍLIA, próximos ou não, mas para sempre SARDOS!!! Ou, quem prefira, italianos! 

Mas esta jornada não termina aqui. Estou disponibilizando para downloader o meu trabalho de anos de pesquisa. Irei continuar estudando as árvores genealógicas da família Cappai no Brasil, quiçá de outros sardos. Por isto, coloco-me a disposição de dúvidas e orientações a outros curiosos da imigração italiana. É um trabalho independente, sem prazo para terminar, custeados pelo autor. 

ACESSE GRATUITAMENTE SEU LIVRO, através do LINK ao lado.

Espero que gostem do livro "A ILHA QUE ATRAVESSOU O MAR". Façam seus comentários e tire suas dúvidas, através do email do autor:

sardocapaz@gmail.com

O AUTOR.



sábado, 18 de agosto de 2018

CONHECER E PERDOAR - O caminho para a cura


Nos últimos cinco anos, boa parte do meu tempo está cercado de estudos sobre a ancestralidade, mas também dedico ao conhecimento das áreas ambiental, mineração a agricultura, as quais estou envolvido com 33 anos de profissão. Minha visão é de um neófito e parcialmente leigo em certas ocasiões no que refere ao místico. Mas sou bem conduzido pela racionalidade e pela visão antropológica, me preservando em minhas crenças e convicções. Considero esta postura saudável, frente a tantos “doxas” divagantes na mídia, que fazem uma salada das teorias filosóficas, antropológicas, correntes humanistas e terapêuticas, pensadores e TUDO, TUDO MESMO, no viés de uma época com excesso de informações, um marketing constante de produtos e ideias. Mais confunde, do que explica.

Há três anos me tornei vegetariano, após a morte de nosso labrador de 13 anos e tenho me interessado também pela cura e tratamentos alternativos. Vivemos uma “época naturalista”, abrilhantada pelas centenas de “especialistas em generalidades” que invadem a rede, como alunos assíduos do “Tio Google”.  Um exemplo que tive esta semana veio com o “zumbido nos ouvidos”, que se persiste por duas semanas. Vejam bem, que se trata de uma questão física, conhecida pela medicina como Tinnitus. Fiz uma pesquisa na internet, consultei médicos (que inclusive tem o problema) e passei a me observar. Irei apontar as possíveis causas deste “Zumbido nos ouvidos”, para depois associar e concluir algo pessoal em relação aos estudos da ancestralidade, que nos interessa neste Blog.

Chegaram para mim diversas informações sobre o Tinnitus, o famoso zumbido nos ouvidos que atinge 28 milhões de brasileiros (15% da população brasileira, sg USP), independente da idade. Sabe-se pela ciência que não tem causa certa ou cura imediata. Mas os “achologistas de plantão” mergulham em explicações como mediunidade, glândula pineal, comunicação com espíritos e aliens, frequências de outras dimensões ou da própria terra , comunicações telepáticas ininteligíveis, possessão, etc... Para os médicos não tem causa certa, podendo ser perda de audição pela idade (tenho 54 anos) ou exposição a ruídos frequentes ou som alto, o que não é o caso. Por opção, não irei tomar mais antibióticos, principalmente pela incerteza da causa e seus efeitos colaterais. Por fim, observando minha rotina, passei a questionar minha vida vegetariana e esbarro nas deficiências minerais da vitamina B12 e Ferro. Vou fazer exame de sangue para tirar esta dúvida. Prossigo na trilha da biologia, sem divagar pelo misticismo.

Agora sim, vamos falar de nossa querida ANCESTRALIDADE. É inquestionável pelo que estudamos até então, a importância da herança genética (DNA) e o que somos hoje, entenda-se também as idiossincrasias ou heranças psíquicas. Entre estas, podemos citar a “Síndrome de Ulisses” ou o “Mal dos estrangeiros”, que aborda problemas de adaptação ao meio, ansiedade, depressão e sentimentos de não pertencimento ao lugar e a cultura; herdado inclusive de nossos ancestrais imigrantes. Em alguns esta Síndrome é latente e em outros se externam em violência e marginalidade, podendo ser evidenciada por gerações. ISTO É CIÊNCIA. Existem tratados e estudos científicos contemporâneos que abordam este tema atual, bem brasileiro, porque somos uma nação formada pelo braço de imigrantes, muitos explorados pela economia e politica desastrosa de uma época recente.

Mas os “achologistas” entendem profundamente da herança genética também. E no abstracionismo das causas internas, “o bicho pega”. E assim o camarada está possesso por espíritos de seus antepassados, está carregado, é pobre porque está estigmatizado pelos seus ancestrais, está amarrado por questões negativas do passado, precisa fazer regressão para saber porque é assim (e até descobre que foi um rei rico e opressor) e assim, nesta viagem sem rumo, surgem terapias e remédios miraculosos fantásticos que podem lhe transformar numa nova e bem sucedida pessoa, num passe de mágica que “depende de você”. Algumas terapias são perigosas, talvez ideológicas, que induz a pessoa a desligar de seu passado, como se não existisse, que você tivesse uma origem. Diz que esta “nova vida” (plena, feliz, independente e rica, de sucesso individual...), repito, necessita seu “desligamento do passado”. Alega que todas as heranças ruins foram herdadas do passado, como se fossem somente isto, mas esquecem da dualidade de todas as questões que envolvem a vida e suas interações.

Para quem visita meu BLOG e gosta de estudar a ancestralidade, vou dar um conselho despretensioso. Sou apenas um jornalista, que gosta de história. Desconfie de toda técnica, terapia, ideologia ou ideia que impõe um ponto de vista único, radicalizado, que pregue a ruptura como única saída. DIZER NÃO A SUAS RAÍZES ANCESTRAIS, EVITANDO-A OU A CONDENANDO COMO CULPADA DE TODAS SUAS MAZELAS MATERIAIS OU ESPIRITUAIS É UM ERRO. Toda questão tem duas ou mais versões. Pesquise antes. No meu ponto de vista, conhecer e perdoar é o caminho para a cura. Quando você culpa seus antepassados, gera rancor e raiva e isto traz doenças. Quando você rejeita o passado ou não está “nem ai” para as coisas velhas, isto cria e perpetua doenças psíquicas. Nossa geração é um pouco mais esclarecida, inclusive pela mídia e alta carga de informação que temos, mas é preciso FILTRAR AS INFORMAÇÕES. A cura está no conhecimento atual de si mesmo, mas também através de nossa história. Isto é humanização, independente do “lixo cultural” que está no ar, independente de gurus, crenças ou seitas.  

Num ambiente mais amplo, INTERESSA PARA GOVERNOS POPULISTAS E MANIPULADORES QUE OS INDIVÍDUOS NÃO TENHAM HISTÓRIAS, NÃO TENHAM PASSADO E NEM MESMO FAMÍLIAS; que sejam realmente empreendedores, individualistas e bons pagadores de impostos. É esta a oratória de nosso tempo, que muitas vezes reproduzimos seus jargões com “sapiência” ingênua. Um país que escravizou os negros e iludiu os imigrantes para substituir sua mão de obra e que perpetua por séculos uma elite corrupta no poder, DE FATO, não interessa que famílias unidas e íntegras formem cidadãos conscientes. È vero! Toda ideologia que fragmenta o indivíduo e a família com falsas promessas serve a este “status quo”, a este governo da desordem. Esteja atento ao bombardeio de informações neste país e preserve sua família e história.

Desejo que São Miguel Arcanjo proteja seus caminhos, descobertas, sua cura e de suas gerações passadas, atuais e porvir.

José Capaz
18-08-2018



quinta-feira, 16 de agosto de 2018

Apostimentos de Documentos para a Cidadania


Respondendo a dúvidas de outros colegas na busca da cidadania italiana:

O apostilamento, com base na APOSTILA DA CONVENÇÃO DE HAIA é o reconhecimento da autenticidade do documento oficial (Neste caso, as Certidões dos Cartórios de Registro Civil no Brasil), atribuindo a ela o valor e reconhecimento no Exterior, em outros países. Ela simplifica e agiliza os processos de reconhecimento da cidadania. Os documentos apostilados nos Cartórios de Notas no Brasil podem ser levados direto aos órgãos oficiais de outros paises (aqueles relacionados na Convenção de Haia), para que sejam analisados e juntados em outros processos. Vários são os Cartórios  de Notas que já aderiram no Brasil ao apostilamento. O custo varia de região para região e de Estado, mas aqui em Pouso Alegre, no sul de Minas, saiu por R$ 106,40 o documento (frente e verso) e acrescenta R$ 22,40 por folha a mais no documento.

Para recordar. Este apostilamento ocorre em cada Certidão de Inteiro Teor atualizada, referente aos eventos NASCIMENTO, CASAMENTO E ÓBITO de cada ancestral. Segundo informações que obtive, mesmo que nossas Certidões tenham tempo útil pequeno aqui, 90 dias (coisa de Brasil), na Itália considera que se não houver nenhuma alteração, a Certidão pode ser aceita no período de até um ano. As certidões  italianas tem validade bem superior as do Brasil.  

A reta final de agendar a entrega de documentos no Consulado nos deixa ansiosos. É uma grande emoção depois de tantas pesquisas, documentos perdidos e gastos. Mas vale a pena os esforços. É o sentimento profundo da aproximação de nossas raízes e ancestralidade. Infelizmente não localizei os documentos originais do meu "nonno", que faleceu em terras brasileiras como legítimo sardo. Ao conquistar a cidadania, todas as vezes que segurar os documentos italianos nas mãos como GIUSEPPE, sentirei ainda mais cercado de meus ancestrais. ESTÁ NO NOSSO DNA, ESTARÁ NOS DOCUMENTOS E EM NOSSAS ALMA ESTE "PERTENCIMENTO".

Não percam a esperança, porque somos frutos de desbravadores e destemidos imigrantes. Desejo Buona fortuna e proteção a todos que pesquisam, valorizam a cultura italiana e estão no caminho de obter sua cidadania.

Abaixo, segue a imagem do documento resultante do APOSTILAMENTO, específico à Certidão de Óbito de meu "nonno" RAFFAELE CAPPAI, seguido de sua foto e da família que constituiu no Brasil.

Apostilamento da Certidão de Óbito de meu "nonno". Este documento específico, obtido no Cartório de Notas, deve acompanhar todas as Certidões e Documentos no processo de cidadania.

RAFFAELE CAPPAI, meu nonno, filho eterno da Sardenha.

Família de meu "nonno" Raffaele Cappai. 

SARDO SIAMO, PER SEMPRE!!!


segunda-feira, 6 de agosto de 2018

COMO A POLÍTICA E A ECONOMIA IMPUSERAM AS REGRAS


Durante a ditadura de Getúlio Vargas, na década de 40, o governo brasileiro pressionou de fato os imigrantes, que já traziam o temor e a desconfiança em suas bagagens e experiências em terras estranhas a seus costumes e origens. Nos dados históricos, constatamos que as ações governamentais eram bem rigorosas quanto a expressão da cultura e o idioma por parte dos imigrantes. O governo temia que as influências externas pudessem vir com os imigrantes, podendo abalar a estrutura do governo com o anarquismo e prejudicar o nacionalismo que era estimulado com a ditadura de Vargas. Este povo valente fez mais pelo país, do que ameaçar com esta temível "anarquia" e "vandalismos". Os imigrantes contribuíram muito por impulsionar o país na industrialização e no desenvolvimento, após serem explorados em sua grande parte como mão de obra barata pela voraz aristocracia cafeeira. 

Neste aspecto, o autor de "A ILHA QUE ATRAVESSOU O MAR", aponta os fatos históricos que mostram a eficácia do país, principalmente o Estado de Minas Gerais, em arrebanhar grandes levas de miseráveis com a falsa promessas de um "Paraíso nas Américas", com predicativos como: "país da oportunidade", "abundâncias", "riquezas minerais", ter seu próprio "castelo" e, é claro, com todas as ajudas do governo. Na verdade, o governo buscava a mão de obra para jogar nas mãos dos ávidos fazendeiros, que perderam seus escravos após a Abolição dos escravos no país. Uma vez dentro do país, eram abandonados a própria sorte nas mãos dos fazendeiros. Mas antes disto, eram habilmente cadastrados pelo governo na chegada do Porto e nas hospedarias, para que as famílias fossem separadas e não pudessem se organizar contra o governo. Muitas tragédias familiares foram deliberadamente provocadas, com muitos "indigentes" enterrados em valas comuns. Sem alternativas para "o que restou das famílias", muitas retornaram a seus países e migraram para países vizinhos. 

Na escravidão, a regra era a chibata nas costas dos escravos e, posteriormente, os contratos leoninos e a exploração politico-econômica com os imigrantes. O Brasil foi construído desta forma, com base na exploração sem limites de seres humanos; um Kharma que se arrasta e tem sua perpetuação nos corruptos, larápios e corruptos atualmente no poder, cheios de falácias e dissimulações, enganando o povo, enquanto enriquecem... Ainda hoje, pouco mais de 100 anos do fim da imigração que marcou este país, este "poder público" contribui para a formação de favelas, a marginalização, a pobreza, a precária falta de infraestrutura e educação no país. Os malfeitores se organizam em partidos políticos e defendem regras que só a eles interessam. O problema não era com os imigrantes, mas já se encontrava aqui e enraizou de forma cancerígena no DNA de alguns brasileiros...

Os cartazes ameaçavam os imigrantes a abandonarem seus costumes e culturas no país e eram espalhados nas regiões onde se concentravam, como este no Rio Grande do Sul, a seguir:


Aviso colocado em locais de frequentação pública. Este no Rio Grande do Sul, no ano de 1942.  Fonte: Acervo de Edilberto Luiz Hammes.


Cartaz motivacional que era utilizado para busca de mão de obra na Itália, algumas com subsídios do próprio governo italiano. Estes imigrantes foram iludidos para "conquistar" um paraíso que não existia. Muitos descendentes de italianos não conhecem as histórias de seus ancestrais, não tem documentos ou fotos, porque foram intencionalmente apagadas por pressões do governo, que impôs uma identidade aos novos cidadãos. Meus ancestrais NÃO NATURALIZARAM brasileiros, foram um dos poucos nesta RARA IMIGRAÇÃO que não retornaram à Sardenha... morreram como sardos nestas terras...

No livro "A ILHA QUE ATRAVESSOU O MAR", conto fragmentos de minha família sarda, separados pelas fases históricas no país e como este representante da segunda geração de sardos percebe esta herança cognitiva e psicológica. É minha parca contribuição a minhas raízes, do qual me orgulho profundamente.

Autor: José Capaz
Jornalista e escritor.