domingo, 3 de março de 2013

Os filhos de Giuseppe Cappai em Leopoldina - MG

Esta é a referência dos casamentos dos Três filhos de Giuseppe Cappai, registrada na Diocese de Leopoldina - MG, com nome das esposas e data do casamento.
O Salvatore Cappai, que na grafia alterou para Salvador Capaz, migrou para Cariacica (ES) na década de 20. No registro da Diocese, consta a grafia correta em italiano, Cappai (nome de ocorrência na Sardenha).

O avô Raffaele Cappai permaneceu em Leopoldina e constituiu sua família nesta localidade da zona da Mata. Seu filho é João Capaz de Oliveira, aposentado pelo DER - Departamento de Estradas de Rodagem de Minas Gerais, que aparece na foto.




Correção do Sobrenome - Jurisprudência


Não é necessário o comparecimento em juízo de todos os integrantes da família para que se proceda à retificação de erros gráficos nos registros civis dos ancestrais. Foi o que decidiu a Quarta Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ), numa jurisprudência de 20/09/2011.

Concluíram que a retificação é legítima e razoável. O relator do caso, ministro Luis Felipe Salomão, destacou que o nome civil está intimamente vinculado à identidade da pessoa, mas sua inalterabilidade é relativa. Segundo esse entendimento, o nome estabelecido por ocasião do nascimento possui “ares de definitividade”, sendo sua modificação admitida somente nas hipóteses determinadas em lei ou reconhecidas como excepcionais pela justiça.

A dupla cidadania é um direito assegurado pela Constituição. O ministro disse que muitos nomes de imigrantes sofreram alterações por ocasião de sua chegada ao Brasil ou mesmo com o passar do tempo, especialmente em virtude do desconhecimento dos idiomas de origem por parte dos serventuários dos cartórios. Citando o artigo 57 da Lei de Registros Públicos, Salomão considerou que cabe ao juiz autorizar a retificação do sobrenome diante de motivo justo.“  A jurisprudência do STJ determina ainda outro requisito para a realização do procedimento: a ausência de prejuízo a terceiros.

Salomão concluiu que “a retificação dos assentos que registram incorreção de grafia significa o resgate da realidade histórica do tronco familiar e sua adequação ao registro público”. 

sábado, 2 de março de 2013

Viajar é preciso...

Uma pesquisa do Instituto Data Popular, no Brasil, mostra que os gastos da nova classe média brasileira com o turismo praticamente quadruplicou nos últimos dez anos. Pulou de R$ 4,4 bilhões para R$ 16,6 bilhões. Isto é muito importante, pois é um investimento a médio/longo prazo para uma mudança de mentalidade no país, pois quem viaja sempre traz uma nova ideia, um novo conceito e uma nova mentalidade em sua bagagem cultural. Este é um bom indicador de crescimento.

Mas mesmo assim, ainda pesa no orçamento do brasileiro uma viagem ao exterior. Como exemplo, sair do Brasil para a Sardenha, Itália, custaria a minha família o trabalho de 5 ou 6 anos de economias. O que exige um planejamento no orçamento da família, ainda mais estudando em escolas particulares. Mas quando lembro que os ancestrais foram obrigados à imigração, sem retorno à sua pátria, em condições muito desfavoráveis, no extremo de uma aventura super radical, afirmo para mim mesmo que uma viagem à Itália é viável e necessária. A família agradece...


Apoio da família na vida é tudo...




Estou postando fotos da minha família; o neto de Raffaele Cappai e bisneto de Giuseppe Cappai.
Minha esposa é Mara e minhas filhas são Gizelle e Giovanna.
As três mulheres que fazem parte de minha vida, com um brilho especial e divino.
Elas me dão a maior força na pesquisa dos ancestrais.

EXPEDIÇÕES DA FAMÍLIA:



Ser italiano no Brasil, sem perder a identidade.


A luta por uma identidade italiana (italianitá) foi uma batalha que os imigrantes, e seus descendentes, tiveram que travar em terras brasileiras. Nesta luta, teve importância a política do governo de Mussolini que buscava resgatar um sentimento de orgulho “de ser italiano" fora da Itália. A italianitá teve um caráter político, com a adesão de muitos imigrantes e descendentes, ao fascismo, o que envolveu também a Igreja, a escola, as associações beneficentes, profissionais e a imprensa. A língua foi um ponto importante, pois o falar italiano era instrumento estratégico de união étnica. E isto preocupou o governo brasileiro...

O uso do idioma no Brasil entrou em declínio desde a década de 1930, com a "Campanha de Nacionalização" do Governo nacionalista de Getúlio Vargas que proibiu seu uso, tanto escrito, como oral. Falar italiano em lugares públicos e privados no Brasil era considerado ofensivo e falta de patriotismo. Os italianos e descendentes foram de certa forma obrigados a aprender o português. Houve grande repressão policial nas colônias, inclusive pessoas foram presas e espancadas por falar o italiano. O mesmo ocorreu com o idioma alemão. Isso contribuiu para que se criasse um estigma, onde muitos pais simplesmente optaram por não transmitir a língua para os seus filhos, visando protegê-los. Somente em lugares afastados e de difíceis acessos, onde a repressão não chegou, como em poucos lugares na serra capixaba (ES) e no Rio Grande do Sul, ainda possuem hoje colônias que falam internamente o idioma de origem, alguns dialetos. 

E é por isto que meu pai João Capaz de Oliveira (Primeira Geração) e meus irmãos (Segunda Geração) não falamos italiano. Por questões políticas e de repressão histórica. Sentimos muito por isto. Mas agora, estudando a história dos ancestrais e a cidadania, entrarei numa escola para aprender o idioma de meus bisavós. 




A origem antiga e incerta do sobrenome (Apellido)


A Wikipedia, a enciclopédia livre virtual, aponta as origens do sobrenome Cappai sendo do catalão-aragonês (a partir de Capay) e, posteriormente, da Dinastia sardo feudal Cappai de Baux, do Reino de Arbórea, no ano de 1320. Cappai é o sangue que corria nas veias de Eleanor de Arbórea, responsável pela famosa Promulgação da Carta de Logu da Sardenha.

Cappai é um sobrenome (Apellido) típico da Sardenha ocidental e Cagliari, de etimologia obscura e origens provavelmente espanhóis, encontramos este nome desde 1200, como uma das famílias nobres, quando João de Chiano Bas-Serra, o Rei de Arborea, um dos quatro estados em que se divide o Sardenha, se casa com a filha do banqueiro Vera Cappai. Sucederam o Conde Johanni Perra de Cappai e Bonifacio Cappai em 1667, este foi premiado com o título de Dom, cavaleiro hereditário e nobre da Sardenha.

O sobrenome é Cappai (Sardenha) poderia coincidir com o plural da família de uma palavra suposto toscana cappaio * capuzes = fabricante. - M. Pittau, Dicionário de Sobrenomes da Sardenha, 1, p. 174. 

CAPPAI é presença generalizada em Porto Torres, Capoterra e Nuraminis. Suas origens mais antigas é contada por um escritor de Macon, Zara, que sugere a origem hebraica , bíblica, "Gabai", da tribo de Benjamim (Que teria referência no livro de Esdras e Neemias).
GABBAJ - Antigo Testamento Neemias 11-8. Em hebraico significa tesoureiro. É um sobrenome comum entre os judeus.  (Documento Condaghe Bonarcado como Capai, Capay, Cappay. Sobrenome derivado desta capa (?) Capai, Gabba (?). 

Enfim, se o CAPPAI no sardo significa "fazedor de capas" e no hebraico "tesoureiro", há de convir que nos dois ofícios, demanda destreza, objetivos e instrumentos afins. 

Uma casa na pátria do inconsciente...

Tem uma imagem de uma casa que sempre esteve em minha mente, desde pequeno. Sempre foi motivo de meus desenhos. Quando eu tinha uns 14 anos, minha mãe Leda Maria, me arrumou tinta e compensado, quando eu pintei a guache esta casa. Depois por diversas vezes, para passar o tempo, eu sempre desenhava a mesma casa. Traz paz saber que ela existe, que está rodeada de água, tem um porto, é uma casa de dois pavimentos que dá uma vista bonita e tem animais no quintal. Hoje, depois de conhecer a história de meus ancestrais, penso que realmente esta casa possa existir e que ficou gravado em minha mente. A imigração forçada fez com que largassem tudo, esquecessem das coisas que tinham, dos momentos que passaram com os amigos, dos animais que tinham e da casa. O italiano desta época era muito apegado a sua terra, às coisas simples e ao cotidiano, então imagino o quão difícil foi negar esta vida que tinham. De alguma forma, em algum lugar, a tristeza da perda e da ligação com a terra ficou gravado forte na alma da família, principalmente a Giuseppe Cappai que teve, junto com sua esposa Maria Annica, decidir por todos o recomeço de uma nova e enigmática vida, além do oceano, em algum lugar desconhecido. Esta casa que desenho desde pequeno é uma ligação com eles, a qual não sei exatamente explicar, mas que - não tenho dúvidas alguma - está ligado com algum ponto das terras da Sardenha, perdida no passado. Pode ser que nem exista mais, que lhe restem apenas os escombros, mas no inconsciente ela não apaga. E é pela memória deles, que pesquiso e retornarei a sua terra de outrora. Pelo olhar do descendente curioso, estarão eles a olhar também?!  Só Deus para dizer, a quem toda a história tem seu sentido supremo e repleto de significados. Così sia!