terça-feira, 19 de agosto de 2014

A descoberta de Salvatore Cappai...

Hoje, 18 de agosto de 2014, numa bela manhã de sol, fui a Providência, distrito de Leopoldina, na zona da mata mineira. Estava acompanhado de meu pai, João Capaz. Fomos até o Cartório de Providência e fomos atendidos pela prestimossa "Cotinha", a sra. Maria das Graças Gouveia, que consultou vários arquivos, livros antigos de 1890 até 1911. Foi uma casualidade encontrá-la, porque estávamos indo ao cemitério, quando pedimos informações a uma pessoa na janela de sua casa, próximo à igreja. Como uma benção, parecia que a "Cotinha" estava a nos esperar, tal a cooperação que nos valeu.

A atenção da funcionária do Cartório foi tão grande que chegamos a encontrar um registro incrível, os parentes que o tempo nos ocultou, que moram no Estado de Espírito Santo, fizeram uma retificação na Certidão de Casamento do Salvatore Cappai em 2005. Salvatore é irmão do meu avô, que veio para o Brasil junto com meus bisavós. Em 1917, quando meu avô casou em Leopoldina, meu bisavô Giuseppe já morava no Espírito Santo, numa cidade que ainda desconheço o nome, juntamente com três filhos, entre eles o "Salvador Capaz", com a retificação, Salvatore Cappai.

Também descobrimos nos velhos documentos que meu tio Antônio, filho de Raffaele Cappai, meu avô, registrou sua filha Rita em Providência. Após tirar fotos dos documentos, pedi para gerar as Certidões, que irão auxiliar muito na árvore genealógica da família. A Rita Luzia é filha de Antonio e Maria Aparecida, pais de Jefferson e Gustavo. É irmã de Maria Capaz, que está em Vitória (ES) e do Jorge Capaz, em Leopoldina (MG). Esta ultima informação só foi possivel através da Internet, no Facebook, uma ferramenta e tanto para quem busca parentes distantes.

Depois do Cartório, fui ansioso no Cemitério de Providência buscar a localização do túmulo de minha bisavó, Maria Annica Gessa. O pequeno cemitério fica no final da única rua do Distrito de Providência (MG), tendo como três divisas mato e defronte uma rua e o antigo trilho da rede ferroviária. Olhamos cada túmulo do pequeno cemitério, de forma que em pouco mais de 40 minutos, já havia olhado todos. Boa parte dos túmulos mais antigos do cemitério estão sem identificação e carcomidos pelo tempo. Assim, teremos que estudar no Cartório de Leopoldina, ao qual está subordinado o distrito, a Certidão de Óbito de minha bisavó. A referência de sua morte está na Certidão de Casamento de meu avô, Raffaele Cappai, que aponta o ano provável de 1912 e o cemitério de Providência. Encontrar o local onde estão enterrados meus bisavós é muito importante, porque afinal a vida de toda minha família se deve a este casal que atravessou o mar em 1897. Sem eles, nada existiria para nós...

Nos levantamentos que fiz no Estado de Espírito Santo, rastreando a família com sobrenome Capaz, que no italiano lê-se Cappai, passei por cidades como Nova Venécia, Castelo, Muqui, Alegre, Cachoeiro do Itapemerim, Vitória, Linhares, Vila Pavão e Vila Valério. Conversei an passant apenas com o Salvador Capaz Neto, que no momento aguardo informações. É primo do Salvador Capaz, residente em Vitória. Decerto serão parentes diretos, por parte do irmão de meu avô Raffaele Cappai. Aguardamos ansiosamente para descobrir mais informações nestas localidades. Tenho uma intuição que meu avô Giuseppe Cappai, conhecido no Brasil como José Capaz, esteja enterrado em Nova Venécia ou Castelo. Pretendo fazer uma expedição no Estado (ES) em breve, para conhecer a serra Capixaba. O tempo irá esclarecer minhas dúvidas.

Na saída por São Lourenço, distrito próximo a Providência, tive a oportunidade de bater uma foto do meu pai em frente ao casarão que pertencia a meu avô Raffaele Cappai, em 1934. Meu pai nasceu neste casarão. Encontrar a construção quase intacta, trouxe esperanças de que irei encontrar mais informações da família, que estou no caminho certo...


Retificação no registro da Certidão de Casamento de Salvatore Cappai, irmão de meu avô Raffaele Cappai, no distrito de Providência, município de Leopoldina, MG.


Não raro, os livros antigos nos cartórios, prefeituras e cemitérios estão carcomidos pelo tempo, devorados por traças e cupins. Há informações que o Governo de Minas Gerais tem projetos para digitalizar todos os documentos históricos nos cartórios mineiros. Rezamos para que isto ocorra antes da voracidade do tempo, a bem das famílias que buscam zelar por suas histórias...



Meu pai, João Capaz, frente à antiga casa de meu avô sardo Raffaele Cappai. Neste casarão, meu pai nasceu em 1934, em São Lourenço, município de Leopoldina, MG. Esta região recebeu muitos italianos na grande imigração, para a mão de obra cafeeira.


sexta-feira, 1 de agosto de 2014

O PARAÍSO SARDENHA

A SARDENHA DOS MEUS ANCESTRAIS SARDOS É AQUELA QUE ESTÁ GRAVADA NAS PAISAGENS DA SARDENHA DE HOJE, QUE COMEÇA AOS PÉS DO MONTE DE GENNARGENTU, NA PEQUENA CIDADE DE VILLASALTO...



VEJO MEUS ANCESTRAIS NOS CAMPOS, NO TRABALHO DIÁRIO DO CRIADOR DE CABRAS, DO APICULTOR, NO PREPARO DO QUEIJO E DO VINHO E EM SUAS VESTIMENTAS. VEJO NAS CRIANÇAS DE ONTEM E DE HOJE NA SARDENHA, QUE RESPIRAM O CAMPO E A VIVENCIAM EM SUA CULTURA... 



A SARDENHA DE MEUS ANCESTRAIS ESTÁ NA ILHA PARAÍSO. ESTÁ NO OLHAR E NOS SEMBLANTES DOS ANCIÃOS, NA FÉRTIL LEITURA FACIAL, NAS RUGAS E EXPERIÊNCIAS DO TEMPO, COMO UM GRANDE LEGADO QUE NÃO PODE JAMAIS SER ESQUECIDO...



MEUS ANCESTRAIS SARDOS ESTÃO VIVOS EM SUA FÉ, QUE ATRAVESSOU DETERMINADA E INABALÁVEL O OCEANO ATLÂNTICO, PARA FRUTIFICAR NAS TERRAS DE MINAS GERAIS, BRASIL...



MEUS ANCESTRAIS TRAZ O AZUL DE UMA ILHA PARAÍSO, UM AZUL INFINITO, QUE MISTURA O MAR AO CÉU, O CORPO E A ALMA NUMA REVERÊNCIA PLANETÁRIA E DIVINA, SEM FIM....



MEUS ANCESTRAIS PERPETUARAM OS FRAGMENTOS DE UMA ILHA MUITO ANTIGA, DISTANTE DE SUAS ORIGENS, COMO PÓLEN AO VENTO...



SARDENHA: TERRA DA CIVILIZAÇÃO NURÁGICA, DE MILENARES OLIVEIRAS E SEU ÓLEO SANTO, DOS VESTÍGIOS HISTÓRICOS DA MINERAÇÃO MILENAR, DO MIRTILO, PAISAGENS PARADISÍACAS, SONORAS LAUNEDDAS, DOS MAMUTHONES, PROCISSÕES RELIGIOSAS, DAS LENDAS E HISTÓRIAS FASCINANTES...



SARDENHA, DE ONTEM E DE HOJE, UM MOSAICO EM MINHA MENTE...
GRAÇAS A DEUS, SARDOS.


Elo das famílias "de Baux" e Cappai.

Os senhores "Les Baux" eram tão orgulhosos no período feudal europeu, que afirmavam ser descendentes de um dos três Reis Magos: Baltazar. Não era em vão que portavam em seu brasão a figura de uma estrela de 16 picos. O poder desta família feudal permitiu adiar por muitos séculos aos Condes de Provence.

A história da família feudal "Les Baux" está cheia de guerras, traição, intriga, sangue e mortes; tão bem caracterizado em diversos filmes de ação pela indústria do cinema. No entanto, essa não era a principal característica. A fama se espalhou de "Les Baux" em toda a Europa, porque entre seus príncipes guerreiros viveram trovadores e poetas, que encontraram proteção e abrigo nos senhores feudais e transformou a cidade em um lugar cheio de galhardia, cavalheirismo, poesia e declarações ardentes de amores.

E da Sardenha feudal temos a família Cappai des Baux, originalmente Capay viscondes de Bas (Baux). Baux ou Bas é o sobrenome de uma família nobre aragonesa antiga que veio para a Sardenha no século 14 com o rei James II de Aragão, durante a sua campanha para conquistar a ilha da sardenha. E a história feudal, da qual origina os reis e rainhas da Sardenha, se inicia com a união de Giovanni de Bas-Serra (Baux), denominado Chiano, Juiz de Arborea, filho do rei Mariano II, que casou com a condessa Vera Cappai (1255 – 1307) da pequena vila feudal de Villasalto, que deveria ter menos de 500 habitantes nesta época.

O Cappai desempenhou um papel importante na história da Sardenha, onde receberam muitos feudos pelo rei que queria recompensá-los pela ajuda que eles deram-lhe para conquistar a ilha da Sardenha. Durante a Idade Média eles detiveram os títulos de conde de Villasalto, Marquês de Muravera e Villarios e, o mais importante de Príncipe de Bas, que eles herdaram porque foram relacionados com os reis da Arborea da família Bas-Serra (Baux).


A família "Les Baux" extinguiu com a princesa Alix, última descendente da casa de Les Baux. A cidade foi absorvida pelas acusações de Provence, o castelo foi destruído e suas terras foram incorporadas ao Reino de França, durante o reinado de Luís XI (1461 - 1483). Por sua vez, na Sardenha, o feudo Cappai caiu junto com o Reino de Arborea, ano de 1420, quando o último rei de Arborea, William III de Narbonne, deu o que restou do antigo reino da Coroa de Aragão por 100.000 florins de ouro.



Brasão (Stemma) da Família de Baux (Bas), relacionado a Giovanni (juiz de Arborea, de 1297 até à sua morte); esposo de Vera Cappai e pai de Andreotto e Mariano III.

Fonte:  http://it.wikipedia.org/wiki/Sovrani_di_Baux 

terça-feira, 22 de julho de 2014

Mulheres escrivãs, reescrevendo a história...

Tenho um especial carinho a duas mulheres que participaram ativamente de minhas pesquisas genealógicas, diretamente como escrivãs na retificação dos registros civis, em cumprimento aos Mandatos Judiciais expedidos, representantes dos Cartórios de Registro Civil dos municípios de Ubá e Leopoldina, em Minas Gerais. De Leopoldina tenho a imagem da dedicada Paula dos reis Ferreira Ávila. De Ubá, terra natal, a atenciosa Jomara Gasparoni.

Muitos foram os erros nas Certidões antigas de minha família, que envolve equívocos nos nomes e sobrenomes, questionamentos de datas e incluindo a citação de uma Certidão de Nascimento de meu avô italiano na cidade de Tebas, o que de fato não se comprovou. Nunca existiu este registro, que talvez tenha servido de argumento durante o casamento de meu avô no civil em Leopoldina. Ele faleceu em 1963, sem ter naturalizado brasileiro. Localizei a Certidão de Nascimento de meu avô Raffaele Cappai em Villasalto, Sardenha, na Itália. Este e muitos outros erros foram corrigidos durante quase um ano de dedicado trabalho, para que eu pudesse reunir estes documentos em favor do requerimento de minha cidadania italiana.

É muito simbólico em minha vida, a presença das mulheres. Por extensão tive quatro mães (minha falecida mãe Maria José Dutra Capaz, minha segunda mãe Lêda Maria Campos Capaz, minha vó mãe Antônia vargas Campos que me criou e minha querida sogra-mãe Marta Marra Kersul) e também tenho três mulheres em minha família direta (Minha esposa Rosemara Kersul e minhas filhas Gizelle e Giovanna). Segue minha lista, com minhas irmãs Edna Lúcia e a Daniella Maria. Da Sardenha, me acolhe em palavras a Angélica Cappai. Quantas mulheres, que até peco em não citar todas neste espaço. E estas mulheres possuem uma santíssima missão, que é transmitir à nossa alma mais sensibilidade e resignação espiritual. Sem estas mulheres fortes, decerto não estaria tão empenhado emocionalmente, envolvido na busca pelas raízes familiares. A história tem um tempero todo especial, com a presença de todas estas grandes mulheres.

Soma-se à lista estas escrivãs incríveis, dedicadas a seus ofícios cartoriais. Minha gratidão por fazerem parte de minha história familiar. Tiveram paciência comigo e com os documentos da família, corrigindo os erros de outrora. Fica a imagem da eficiência e atenção destes Cartórios de Registros Civis na nossa querida zona da mata mineira...

Grazie Mille a tutti.

Uma Sardenha angelical...

De todas as amizades virtuais do Facebook, uma pessoa muito especial me acompanha desde o início de minhas pesquisas genealógicas, que alimenta diariamente minha vontade de um dia viver a "ilha paraíso". É minha irmã adotiva (sorella) ANGÉLICA CAPPAI, moradora de Cagliari, ao sul da Ilha da Sardenha e bem próxima de Villasalto, a terra de meus ancestrais.

Sempre que estou sobrecarregado de trabalho e preocupações, ao passar pelas postagens da "sorella" Angélica, sinto o lado terno e acolhedor da ilha, expresso em suas mensagens singelas. É pela fé e simplicidade que me faz mergulhar no sossego das águas calmas do interior da alma, às vezes esquecido pelo verniz grosseiro dos meus dias tribulados e cansativos. Por isto, dedico esta pequena homenagem a esta distante e tão próxima amiga da Sardenha, que por magia e muito apropriadamente se chama Angélica...



La mia sorella di Sardegna.


quarta-feira, 16 de julho de 2014

Visão de uma época...

"Que coisa entendeis por uma nação, Senhor Ministro? 
  É a massa dos infelizes? 
  Plantamos e ceifamos o trigo, mas nunca provamos pão branco. 
  Cultivamos a videira, mas não bebemos o vinho. 
  Criamos animais, mas não comemos a carne. 
  Apesar disso, vós nos aconselhais a não abandonarmos a nossa pátria? 
  Mas é uma pátria a terra em que não se consegue viver do próprio trabalho?" 


Esta é a clássica resposta de um italiano a um Ministro de Estado da Itália; palavras que ecoam no tempo e nas cabeças dos descendentes de muitos italianos, deixando claras as razões da emigração em massa.


Ao sonhador, as estrelas...

"TENHA ORGULHO DE SEUS HUMILDES ANTEPASSADOS.
  SÃO PESSOAS HUMILDES QUE PROCURO,
  O SAL DA TERRA, POR ASSIM DIZER,
  AQUELES QUE DOMARAM O SOLO BRUTO,
  E FIZERAM NELE AS SEMENTES FLORESCER.

  SÃO ESTES QUE EU GOSTO DE ENCONTRAR,
  QUANDO MERGULHO NA ESTRADA DA GENEALOGIA,
  E É APENAS POR ORGULHO QUE ME DEIXO LEVAR.
  REFAZENDO SEUS PASSOS PARA ASSIM,
  OS IMORTALIZAR...

  AQUELES QUE BUSCAM O PASSADO COM SONHOS DE GLÓRIA,
  DE ENCONTRAR HERÓIS EDUCADOS EM CADA HISTÓRIA.
  NÃO DEVEM JAMAIS SE DESAPONTAR.
  AINDA QUE DESCUBRAM QUE OS HUMILDES BISAVÓS OU TATARAVÓS,
  TINHAM SOMENTE AS ESTRELAS PARA CONTEMPLAR."


Estes são versos de G. Maccoy, na obra "The Sunny side of genealogy", algo como "O lado ensolarado da genealogia". São versos poéticos que expressam exatamente o que sinto em minhas buscas. Valorizo a história de minha família, como matéria-prima do bem sucedido, das sementes que germinaram em solo distante de sua terra natal e, principalmente, o "insight", a intuição do casal Giuseppe Cappai e Maria Annica Gessa que, acompanhado de seis pequenas crianças, vieram buscar seus sonhos na América. Este casal que decidiu o futuro de seus pequenos filhos, dentre eles o meu avô Raffaele Cappai, possibilitou a existência de minha família. Deixaram para trás uma vasta história familiar, de suas vidas difíceis nos campos de Gerrei e suas raízes villasaltensis nos longínquos tempos medievais do Regno d'Arborea, na ilha da Sardenha.

A toda história que hoje pesquiso e debruço maravilhado a cada descoberta, sob os olhos do jornalista e historiador, percebo este o meu maior presente e missão, incrustado e disperso no tempo, à mercê da filtragem e da degustação. Como a oliva, planta nativa na ilha da Sardenha, que do solo pedregoso retira o elixir da longa vida e o presenteia aos homens, o azeite medicinal. Assim são os elementos históricos que hoje nutrem minha vontade de viver e descobrir. Quem sabe um dia caminharei pelo solo "sagrado" desta pequena ilha no mediterrâneo, a Sardenha, refazendo a energia,os laços ancestrais e agradecendo seus maiores frutos plantados em solo brasileiro.

Como devoto de São Miguel Arcanjo, entendo que tiveram a proteção divina de atravessar os mares e enfrentar condições adversas em terras além mar. Agradeço a persistência de meus bisavós e de meu avô, assim como todos os irmãos de meu avô, que deixaram sementes e braços fortes, deste "popolo sardo", nesta terra brasileira... Amém.