sábado, 1 de março de 2014

O local de descanso de meus bisavós sardos...

Descobri esta semana, através da Certidão de Casamento de meu avô sardo Cappai Raffaele, que minha bisavó Gessa Maria Annica faleceu em 1912 com 49 anos e foi enterrada em Providência, Distrito de Leopoldina.

Quando nosso bisavô sardo Cappai Giuseppe casou seu filho Cappai Salvatore em 1913, em Leopoldina, mudou-se viúvo para Nova Venécia (ES) com três de seus seis filhos.

Cappai Salvatore faleceu em 1958 em Nova Venécia (ES), tio-avô de meu pai. Nesta época, já havia o erro no sobrenome da família, ao invés de Cappai, a família assinava o sobrenome Capaz.

Meu bisavô Giuseppe retornou para ver o casamento do meu avô Raffaele em 1917. Este evento ficou registrado nas Certidões do Cartório.

Como meu pai João Capaz de Oliveira nasceu em 1934, ele não chegou a conhecer seus avós italianos, naturais de Villasalto, Sardenha. Conhecia apenas seu pai que veio para o Brasil em 1897, que faleceu como italiano, sem ter naturalizado no país.

Depois disto, a história de parte da família seguiu para o Espírito Santo e nossa pequena família ficou em Leopoldina. Esta história ficou desconhecida por 102 anos. A família "Cappai" continua dividida entre a zona da Mata mineira e o Espírito Santo, sem se conhecer até os dias de hoje. Ainda carregam um sobrenome não italiano, sem conhecer a verdadeira história da família...

Minha missão agora é localizar o túmulo dos meus bisavós, encontrar os parentes para relatar a história que pesquiso e registrar mais este momento. Acredito que a história não deve permanecer apagada em nossas memórias. Uma vez pesquisada e entendida, tornou-se uma obrigação reunir os fragmentos e compartilhar com nossa geração.

Afinal, um casal trouxe seus seis filhos para “fazer a América”. E passado pouco mais de 100 anos, a família se dividiu, mas a memória não pode ser jamais esquecida. Se não fosse o casal Cappai Giuseppe e Gessa Maria Annica, minha família não existiria hoje neste país. Somos frutos de uma decisão, de um momento crucial que levou uma família a enfrentar o mar e começar uma nova vida em terras estranhas. Devo minha vida e a de minha família a eles...

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

O "Falcão da Rainha"

O falcão-da-rainha (Falco eleonorae) é uma ave de rapina, cujo nome científico é uma homenagem à histórica personagem da ilha da Sardenha, Eleonora Cappai de Arborea, descendente de Vera Cappai, natural de Villasalto.

Este esbelto falcão nidifica sobretudo em ilhas no Mediterrâneo, e também nas Canárias. É uma ave migradora que inverna na ilha de Madagáscar. A espécie é monotípica (não são reconhecidas subespécies).


Fonte: Foto da Internet.


sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

Poesia da alma sardenha, além mar...

50 anos para descobrir...
                      José Capaz – 31/01

Nasci em terras distantes, longe da terra natal,
Vazio d’alma de uma terra que não conheci,
Mas cultivo a energia de viver nova vida, além-mar.
Lembranças se formam, misturadas a sentimentos díspares,
Alegre, encontro velhos e amarelos documentos,
Eta! tristeza resignada, do tempo perdido e do anseio da procura.
Acaso sou Giuseppe, acaso sou Antônio, acaso será apenas eu,
Quanta trama, no fundo da alma que não cessa de perguntar,
E que às vezes se cala, emudece pela temporalidade da escolha.
Sono sardo, mi sono perso, perso come un bambino.

Acaso espera o tempo?! Farei retornar a esta terra jamais experimentada?
Que registros há neste solo, que me atrai como o imã a limalha,
E quão grande é a distância que nos separa dos sonhos.
Oh! Deus, que mosaico virou a vida, quando as raízes afloraram,
Quando poucas respostas vieram pela insistência de seu servo,
Rasgando a terra que parecia firme, convicta, agora fértil de indagações.

Sempre gostei do mar, de navegar, da pesca e da brisa,
Que diria as palmeiras dançando ao vento, no frescor arrancado pelo olhar,
Do cantar das águas do rio, que desaguava no espírito irrequieto,
E o lavrar da madeira metamorfoseando-se em “mamutones”,
Horas martelando a madeira, criando vida.
E lá estava ela, a ilha que concentrava no coração, do esquelético ser,
Agora preenchido pela descoberta de que não era um ser isolado,
Este minúsculo ser perdido no nada, na complexidade do nexo,
Mas sim era a ilha que habitava no mais profundo de minhas memórias,
E assim, nas entranhas do DNA, dos Memes, no borbulhar dos pensamentos,
Está a ancestralidade sarda que atravessou o mar...



sábado, 25 de janeiro de 2014

Poesia dedicada a meus Ancestrais Sardos

RITUAL NO ALÉM-MAR...
                José Capaz – 25/01/2014


Ao mar, sonhos perdidos numa terra que fica,
Desparecendo atrás das vagas ao som do vapor,
Inclemente, determinado, algoz e repleto de vida mecânica.
Sonhos em turbilhão, espremidos numa “pátria” ambulante.
Aos filhos dos sonhos, a colheita certa da terra perdida,
Aos filhos dos sonhos, a promessa da colheita farta e certa.
Oh! América, que dos véus brancos nos remetem a seus frutos, o café,
Seus “Nuraghes” são como torres verdes, desdobrando serras,
E suas pedras de divisas sulcam fronteiras entre homens e lavouras,
Em grande extensão de terras e lutas...


O canto da harmônica veio da nave até a serra “di mio lavoro”,
Regurgita velhos pensares no acalento de uma nova alegria,
Candura e vaga lembrança, levada ao vento como a primavera.
E quando acordar deste tempo, sem dores lombares, sem anseios,
Estarei, não de volta à nave e nem ao passado da Ilha Perdida,
Mas estarei impregnado na semente, no solo e no ar desta terra,
Imigrante sardo, enterrado em terras distantes, filho suado e cansado,
Agricultor, amante, pai, escultor, carpinteiro, pedreiro e espírito.
E de tudo que foi e partiu, a história se mistura a tantas outras,
História de fole, acordeon de poesia e contos, do ir e vir, repetir;
Constrói, destrói, refaz, anima e repensa esta pátria bendita.


Além-Mar, Além-Terra, Além-Vida,
Ninguém há de morrer em vão nesta Terra de todos,
O trabalho é uma vida, completa outro, uma simbiose sem fim,
Imigrante nascemos, quando aqui aportamos,
Imigrante seremos, quando daqui aportamos.
E esta grande nave, errante no espaço de ondas, segue um rumo,
No instante em que quatro mouros nos observam:
A família que nos acompanha,
O pensamento e suas estações passageiras,
A fé em dias melhores e
O vazio de estar em uma terra distante.
E, diante deste “mistério nurágico”, se perpetua o rito à ancestralidade,
Não há documentos; apenas a dispersa, intrigante e tênue história...


sexta-feira, 4 de outubro de 2013

O Poeta da Vida e da Morte - Augusto dos Anjos

Está enterrado em Leopoldina, zona da Mata mineira, no mesmo Cemitério que meu avô Raffaele Cappai, o inesquecível poeta Augusto dos Anjos, que eternizou suas palavras com a sensibilidade e a profundeza de homens sábios que por aqui passaram.

Traduz em seu tumulo, as palavras em uma lápide, que resume o sentimento dos que partiram, mas que deixam a semente plantada, muito além da mera saudade; que segue enraizando suas impressões e frutos. E quão simbólico se torna para mim, que estuda a árvore genealógica da família, deparando a poucos metros do túmulo do Poeta, meu avô enterrado longe de sua terra natal, a Sardenha, mas que deixa registrado aqui toda uma história que refaço e me orgulho...




domingo, 15 de setembro de 2013

Villasalto - Localizada na região de Gerrei

Um pouco de Geografia.

Descobri que Villasalto está localizada na região de Gerrei, na Província de Cagliari, sul da Sardenha, caracterizada por uma região de montanha, cujo acesso se dá por estrada sinuosa (cheia de curvas), com um passado voltado para mineração.
Quem nos descreve esta região é a Enciclopédia Italiana.
Muito Interessante, cuja história remonta da época dos romanos.
Veja:


CAPPAI - Origem e Ocorrência da família na Itália.

Nos levantamentos demográficos, a família CAPPAI tem como registro 772 famílias na Itália.
Desta quantidade, localiza-se na Sardenha 568 famílias, donde se originou a família Cappai.
Desta família de sardos, estão localizadas 306 famílias na Província de Cagliari (onde se localiza Villasalto).