terça-feira, 3 de abril de 2018

Lucinha Dettori é parte da ilha que atravessou o mar.


Lucinha Dettori criou filhos e participa da educação dos netos, plantou com certeza muitas árvores e agora lança finalmente seu tão esperado livro. Completa um ciclo de evolução na descoberta mais fantástica de sua vida, que está em comunhão com todos os "oriundis" que fizeram e fazem deste país uma terra melhor para se viver. É um evento memorável e que comemoramos com alegria e muita simpatia. Lucinha é uma descendente engajada na rara imigração sarda para o Brasil. Sua vida é uma reverência aos seus e aos nossos ancestrais que atravessaram o grande mar, doaram as suas vidas em terras distantes, mas que nunca esqueceram a paixão pela "isola paradiso". Tem a genética da bravura de Shardana e da determinação milenar do "popolo sardo", que alça voo bem acima de Gernnagentu para contemplar a beleza da criação...
Além do seu DNA que alimenta os sonhos do reencontro de suas raízes no distante mediterrâneo, traz na voz e no olhar a doçura e a firmeza da poesia sarda. É incansável pesquisadora de nossas raízes de imigrantes, vibrando a cada descoberta e compartilhações no blog "Sardegna sa terra mia". Desperta e alimenta assim a comunhão dos poucos descendentes sardos que ainda permanecem em solo brasileiro, sonhando o dia do retorno.

Fragmentos em comum...

"Acaso espera o tempo?! Farei retornar a esta terra jamais experimentada? Que registros há neste solo, que me atrai como o imã a limalha, E quão grande é a distância que nos separa dos sonhos. Oh! Deus, que mosaico virou a vida, quando as raízes afloraram, Quando poucas respostas vieram pela insistência de seu servo, Rasgando a terra que parecia firme, convicta, agora fértil de indagações.

Sempre gostei do mar, de navegar, da pesca e da brisa, Que diria as palmeiras dançando ao vento, no frescor arrancado pelo olhar, Do cantar das águas do rio, que desaguava no espírito irrequieto, E o lavrar da madeira metamorfoseando-se em “mamutones”, Horas martelando a madeira, criando vida. E lá estava ela, a ilha que concentrava no coração, do esquelético ser, Agora preenchido pela descoberta de que não era um ser isolado, Este minúsculo ser perdido no nada, na complexidade do nexo, Mas sim era a ilha que habitava no mais profundo de minhas memórias, E assim, nas entranhas do DNA, dos Memes, no borbulhar dos pensamentos, Está a ancestralidade sarda que atravessou o mar..."


Parabéns Lucinha. Desejo sucesso no lançamento de seu livro e grandes emoções na visita a ilha. Quando chegares em Cagliari, reza para Nossa Senhora de Bonária, a protetora dos navegantes. Assim como nossos ancestrais que atravessaram o grande mar e possibilitou nossas existências, como descendentes à procura de nossas raízes, nos tornamos igualmente navegantes. Que os bons ventos guiem seus caminhos. A"kentanos mia sorella...


Capa do livro "Lagrimas por Rosello", da autora sarda mineira Lucinha Dettori.
Busca arrecadações para seu lançamento, através do Link 






quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018

domingo, 4 de fevereiro de 2018

Adeus minha também mãe!


A figura da mãe não é a biológica ou a que cria, mas toda mulher que está presente em nossas vidas, incluindo a sogra. Posso atestar como a luz deste dia e o pulsar deste coração, que minha sogra foi minha mãe. Durante os ultimos 30 anos, escutava ela repetir que eu era o filho que ela não teve. Dona Marta (Marta Marra Kersul, 88 anos) teve oito filhos e eu seria o nono que aguardava espiritualmente. Cheguei da zona da mata para o sul de Minas, de uma localidade a quase 500 quilômetros daqui. Cheguei e fui acolhido por uma alegre, festiva e participativa família. E presenciei a partida de duas gerações, cuja história começa em 1905 com a "Vó Chiquinha", seguido pelo "mineirinho" (Expedito Kersul) e a Dona Marta. Todos partiram e deixaram o fruto desta encantadora família, minha esposa Rosemara Kersul, minha iluminada esposa e companheira de muitas caminhadas. E a história prossegue.

Apesar de ter raízes católicas, tive acesso a fragmentos da doutrina espírita, através da família que me adotou. Nos ultimos 30 anos, aprendi a ter uma visão da morte diferenciada, a serenidade com que conversavam e tratavam a "desencarnação" e a certeza da continuidade da caminhada. Tenho certeza desta consciência dos que partem, tendo a fé como bússola desta caminhada que ainda não terminou. Assim, analisando sereno a partida da Dona Marta no dia 01/02/2018, entendo que a dor não é tanto dos que partem, mas de quem fica; pois no mundo material ainda convivemos com as incertezas deste mundo. Um dia entenderemos, de fato, que somos seres espirituais com experiência de corpo, num estágio transitório de aprendizagem...









sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

A ALMA DO BRASÃO DA FAMILIA CAPPAI - UMA ÁRVORE


Uma informação histórica muito curiosa diz respeito ao "Feudo Villasalto-Muravera", da qual a família Cappai detinha seu poder no Reino de Arborea, no sul da Ilha da Sardenha. A base deste feudo era a pequena Villasalto, onde nasceram meus ancestrais, a partir de meu avô Raffaele Cappai. Neste período histórico medieval, o símbolo do "Regno di Arborea" era uma árvore, que está presente nos brasões (Stemmas) das cidades. Como ocorre com Oristano, a cidade que no período medieval, pelo ano de 1280, abrigou Mariano IV Cappai de Arborea e a lendária Eleonora Cappai de Arborea, autora da Lei "Carta de Logu". Esta árvore está na alma do Brasão da família Cappai. Estamos falando do Reino sardo e suas leis, que perdurou por mais de 500 anos, antes do Resorgimento (Unificação da Itália).

Próximo dali, a cidade de Villasalto deveria ser uma vila feudal com menos de 600 habitantes. Hoje é uma pequena cidade de 1351 habitantes, aos pés do Monte de Gennargentu, região de Cagliari, no sul da Sardenha. Desta, por volta do ano de 1300, sairia do ventre de Vera Cappai, a casta de reis e rainha da Sardenha, da Dinastia Cappai de Baux, a partir de seus filhos Andreotto e Mariano. Da união deste feudo Cappai com o Regno de Arborea viria seus títulos de nobreza e feitos históricos; eventos aos quais dedico hoje meus estudos de historiador. Pouco se resgata da história da personagem Vera Cappai, de Villasalto; talvez pelo distanciamento temporal dos eventos ou pelo fato que os homens da época tinham mais de uma mulher e as questões de família eram puro interesse de somar forças e conquistas. A Dinastia Cappai não foge a estas regras...

Outra informação curiosa é sobre a "Alma do Brasão" de minha família. A árvore que representa a união da Dinastia Cappai ao "Regno de Arborea" é uma alusão ao "albero eradicato", muito provavelmente faz menção à ocupação de uma região inóspida, ao desbravamento e corte de árvores. Ou, quem sabe, à supressão de uma raíz na árvore genealógica, pelos interesses da realeza. As lutas sangrentas no período medieval, tão comum nos filmes que retratam este período, alude também aos aragoneses a ameaçarem os sardos a "cortar as mãos e os pés, que permaneciam relutantes no confisco de seus bens. A Batalha de Sanluri, história sangrenta entre sardos e aragoneses em 30 de junho de 1409, anualmente comemorada na batalha campal com trajes típicos medievais e terminam com a tipica gastronomia da ilha e visita a castelos.


Brasão da Família Cappai, tendo como alma do Brasão a Árvore (Albero Eradicato), símbolo do Reino de Arborea.


Stemma da cidade de Oristano, ilha da Sardenha, berço de Mariano IV e Eleonora d'Arborea; com a "alma do brasão" a árvore representativa do "Reino de Arborea", presente também no Brasão da Família Cappai.


Vitrô na Igreja de San Martino, em Oristano, apontando no primeiro plano a realeza do Reino de Arborea, símbolo da árvore (Albero) presente no Brasão da Família Cappai.


Aos pés da estátua de Eleonora d'Arborea, em Oristano (ilha da Sardenha), o leão como símbolo da bravura defende o Reino de Arborea, representado pelo Albero Eradicato; a árvore presente também no Brasão da Família Cappai.

A ILHA QUE ATRAVESSOU O MAR


RESENHA DO LIVRO

Uma história além-mar, que envolve a imigração de uma família de
sardos a Minas Gerais de 1897. Um momento dramático na crise econômica
que abateu sobre todo continente europeu; a família feudal Cappai no Reino de
Arborea; Reis e rainha da Sardenha; pastores sardos e, incontinenti, o sonho
de dias melhores fora do paraíso, num lugar chamado “América”. Os poucos
sardos que vieram como “burros de carga” para Minas Gerais, a maioria
retornou para a ilha no Mediterrâneo. O abandono das raízes dá início a uma
vida de desencontros. A família de Giuseppe e Maria Annica permaneceu em
solo mineiro, deixando como herança a Síndrome dos Imigrantes e sua história
dispersa. Este é o início da descoberta! Boa parte de nossos sentidos,
percepções e reações emotivas, a predisposição do organismo às doenças e a
manifestação de patologias mais arraigadas na mente podem ter respostas na
genealogia. Quem escreve e junta os cacos é o neto descendente, o jornalista
e historiador mineiro José Capaz Dutra Cappai, que pesquisa a história
adormecida e fecunda nos documentos históricos. Seus bisnonnos pensavam
retornar ao paraíso Sardenha, mas algo impediu a volta. Diante das
descobertas, o acaso o leva a reverenciar seus ancestrais; despertando-lhe a
saudade de uma ilha que nunca conheceu...

250 páginas.


6º ENCONTRO DA FAMÍLIA MARRA - 2017

Acompanhamos com muita emoção o 6º Encontro da Família MARRA (25-26 Nov./2017) no Hotel Fazenda Villa Verde, Estiva - MG. Participaram cerca de 70 pessoas neste Encontro anual. A confraternização anual da FAMÍLIA MARRA a cada ano, ocorre em locais diferentes, em locais turísticos da região sul mineira.

A Família Marra está forte e crescendo, agora com mais bisnetos. Da veia poética e melódica italiana, como todo ano acontece, estava lá esbanjando musicalidade, o Tio Marcos de Itajubá e filhos, Moema representando a Família do Tio Messias, entre outras apresentações, que são sempre realizadas após o jantar de confraternização. Sem esquecer dos brindes e lembranças carinhosamente preparados pelo casal Beto e Lena e da organização do evento feita pelos irmãos Ronaldo e Régis. Registro este memorável e alegre evento da família Marra.

Felicitações a todos pelo sucesso do evento e por dar-me a honra de participar desta alegre e participativa família.


Encontro Anual da Família Marra, Nov. 2017.

Família Cappai no "Encontro da Família Marra 2017".

Fotos de outros encontros:





terça-feira, 19 de setembro de 2017

DNA do descendente sardo


No dia 19 de setembro de 2017, às 7:30hs, recebi o tão esperado resultado do mapeamento genético do meu DNA, pelo lado paterno e materno, feito pelo laboratório do My Heritage sediado em Houston, Texas, EUA. 

O resultado foi surpreendente após 35 dias de espera. Revelou a predominância no DNA de 96,4% de material genético de origem europeia

Deste percentual, 89,7% origina no sul da Europa, pelas etnias ibéricas (64%), sardônia (19%), grega (6,7%); seguidos do Judeu asquenazita (4,8%), do Norte da Europa e Europa Ocidental, as etnias irlandês, escocês e galês (1,9%), do Oriente Médio (2,6%) e da África Ocidental, Nigeriano (1%). 

O registro da “antiga biblioteca” do DNA aponta a origem ibérica, destacadamente Portugal, devido ao casamento do meu avô paterno, o sardo Raffaele Cappai, com uma descendente direta de portugueses e de meus avôs pelo lado materno, Aureliano Dutra Nicácio e Maria Vieira de Carvalho, ambos descendentes diretos de portugueses. A diversidade ibérica também pode ser destacada pelo histórico domínio catalão aragonês no período medieval sardo.  É igualmente interessante (19%) o registro da etnia rara e preservada dos sardos do interior da ilha, entre as mais antigas da Europa. O registro da Grécia (6,7%) pode estar associado também à presença histórica de invasores no sul da ilha da Sardenha; uma vez que não localizei “casamento grego” nas ultimas sete gerações da família. Em percentuais menores no DNA, as etnias irlandesa, escocesa, galesa (1,9%), Oriente Médio (2,6%) e Africana ocidental (1%) podem se relacionar à miscigenação histórica dos povos dos países ibéricos. O DNA conta a história e origens do indivíduo e da humanidade. 

È muito fascinante o Teste de Ancestralidade feito pelo My Heritage. Recomendo a todos, como complemento do estudo genealógico da família, o que irá facilitar o levantamento da árvore genealógica pela consaguinidade.

Para conhecer o trabalho de mapeamento genético da humanidade, assista o vídeo da NatGeo no Youtube, intitulado "A GRANDE ÁRVORE GENEALÓGICA", através do Link:  https://www.youtube.com/watch?v=NCTuvJWnsTM&t=44s

O custo atual do mapeamento genético, considerando o gasto do correio com as amostras para os EUA, é de R$ 350,00. Vale a pena conhecer as origens. Esta pesquisa complementa a árvore genealógica, que deve ser montada no site do My Heritage.