terça-feira, 17 de novembro de 2015

A nova Geração de Descendentes Sardos

Como descendente de imigrantes sardos, carrego comigo uma alma altruísta, bem direcionada pelos ensinamentos de meu pai. Gostamos de ajudar e sabemos dividir e estas características nortearam a escolha das profissões na família. Formei nas áreas de humanas, atuando como Técnico em Agropecuária, Extensionista, Gestor Ambiental, Jornalista e Historiador. Atuar na área de humanas foi o tempero que a vida me reservou, trazendo nas entrelinhas do que aprendi, muitas nuances e vivências de meus antepassados. Gosto do ambiente rural. Meus antepassados sardos viveram e contribuíram com suas vidas para o país, mas nos deixou a dignidade de andar de cabeças erguidas, do sono tranquilo e da luta por boas causas. Esta é talvez a maior das heranças...

É fato que nos realizamos com as conquistas dos filhos. Hoje tenho o prazer de acompanhar minha filha Giovanna Kersul Cappai  desenvolvendo trabalho acadêmico no curso de Direito analisando a eficácia da comunicação rural na orientação jurídica ambiental dos produtores rurais na região do sul de Minas. Também alegro ao ver o projeto de minha filha Gizelle Kersul Cappai no curso de Engenharia Civil, ser aprovado em primeiro lugar no Estado de Minas Gerais pela Sociedade Mineira de Engenharia - SME, destacando-se entre 56 projetos apresentados, cuja proposta transforma rejeitos da mineração de quartzito em casas populares.

As sementes plantadas pelos descendentes são testemunhas visíveis que os sardos são vitoriosos além das fronteiras da ilha (A ILHA REALMENTE ATRAVESSOU O MAR) e, na luta pela sobrevivência, entregam-se visceralmente ao trabalho de causas sociais. Além da rigidez, da melancolia e a constante cobrança interior, características típicas da raça mediterrânea, aprendemos a viver com alteridade. A natureza do bem é gerar frutos do bem...

SARDOS PER SEMPRE.




quinta-feira, 16 de julho de 2015

Livro: A ILHA QUE ATRAVESSOU O MAR.


Em breve estarei lançando o meu primeiro livro sobre a imigração dos sardos em Minas Gerais. Estou na fase de contatos com as Editoras. O valor do livro está sendo analisado a R$ 35,00. Será disponibilizado também na versão Ebook, a valor diferenciado para este formato.  Possui 216 páginas.

O livro "A ILHA QUE ATRAVESSOU O MAR" encerra o trabalho de pesquisa jornalística de quase três anos que envolve parte da Família Cappai, as origens e a rara imigração dos sardos em 1897; bem como uma pesquisa histórica na Ilha da Sardenha, berço de meus bisnonnos Giuseppe Cappai e Maria Annica Gessa e meu nonno Raffaele Cappai.

Neste trabalho apresento as origens do sobrenome, sugestões para pesquisar a genealogia das famílias, dicas para reconhecimento da cidadania italiana e a importância da busca de suas origens. Certamente a "viagem" mais importante do ser humano no seu autoconhecimento é o estudo da genealogia. Conhecer suas raízes é se encontrar como ser humano no mundo. Seja descendente de nobres ou plebeus, banqueiros, comerciantes ou rudes pastores de cabras, todos têm histórias para contar. A ilha atravessou o mar, porque a alma do imigrante sardo é imortal, profundamente arraigada na sua gente. O popolo sardo rebrota nas estações, na sazonalidade e fertilidade das terras brasileiras e sua história agora tem motivos para frutificar...




RESENHA

Uma história além-mar, que envolve a imigração de uma família de sardos a Minas Gerais de 1897. Um momento dramático na crise econômica que abateu sobre todo continente europeu; a família feudal Cappai no Reino de Arborea; Reis e rainha da Sardenha; pastores sardos e, incontinenti, o sonho de dias melhores fora do paraíso, num lugar chamado “América”. Os poucos sardos que vieram como “burros de carga” para Minas Gerais, a maioria retornou para a ilha no Mediterrâneo. O abandono das raízes dá início a uma vida de desencontros. A família de Giuseppe e Maria Annica permaneceu em solo mineiro, deixando como herança a Síndrome dos Imigrantes e sua história dispersa. Este é o início da descoberta! Boa parte de nossos sentidos, percepções e reações emotivas, a predisposição do organismo às doenças e a manifestação de patologias mais arraigadas na mente podem ter respostas na genealogia. Quem escreve e junta os cacos é o neto descendente, o jornalista e historiador mineiro José Capaz Dutra Cappai, que pesquisa a história adormecida e fecunda nos documentos históricos. Seus bisnonnos pensavam retornar ao paraíso Sardenha, mas algo impediu a volta. Diante das descobertas, o acaso o leva a reverenciar seus ancestrais; despertando-lhe a saudade de uma ilha que nunca conheceu...

Autor:  José Capaz Dutra Cappai
Contato:  italianocapaz@gmail.com 


quarta-feira, 6 de maio de 2015

Arquivo Público Mineiro - APM / BH

O Memorial do Imigrante encontra-se no site do Arquivo Público Mineiro – APM, sede em Belo Horizonte. Nele podem ser localizados indivíduos que deram entrada na Hospedaria Horta Barbosa, de Juiz de Fora, Imigrantes Italianos e outros em Minas Gerais, ou pessoas que foram registradas nos órgãos de fiscalização de estrangeiros em Minas Gerais no período da imigração. 


Arquivo Público do Estado de São Paulo

O Memorial do Imigrante encontra-se no site do Arquivo Público do Estado, nele podem ser localizados indivíduos que desembarcaram no Porto de Santos, os que deram entrada na Hospedaria de Imigrantes entre 1887 e 1978, ou pessoas que foram registradas nos órgãos de fiscalização de estrangeiros em São Paulo entre os anos de 1939 e 1984. 

sábado, 18 de abril de 2015

Sardo per Sempre.

Ter sangue sardo é...

Cultivar a ilha paraíso no coração, sem fazer da alma uma ilha.
E mesmo cruzando extensos mares, carregar sua história milenar.
É cantar cappela e ecoar seus sentimentos ao longe, abraçando o mundo.
Numa mística forma que envolve todas as estações e sentidos.
É ser forte e galgar alturas como muflones nos rochedos.
Ter a paciência de pastores e monges a vigiar seu rebanho.
É não se entregar fácil aos desafios de seus algozes, na nobreza de javalis.

Ser família, como profissão de fé diária.
Seguir procissões e ritos, pedir a benção do nonno nas árduas campanhas.
É não ceder ao jogo da vida, como pedras que se moldam ao vento inclemente.
Sentir-se parte da natureza, do cosmos às profundezas do ser, colhendo uvas.
Ter adiante das veredas, a presença de São Miguel Arcanjo.
Agir no tempo certo, calmo como a corticeira que se deixa cortar e servir.
Sentir-se pleno aos pés das montanhas, com Gennargentu a nos sondar.

É ter no vino, formaggio di pecora, pane curasao, uma conexão celestial.
Viajar pela gastronomia, como el trenino contornando serras e mar de rara beleza.
Cultivar a arte na madeira, na cortiça e na rocha, gravando-a para a posteridade.
Guardar n’alma, mais de sete mil torres de enigmática beleza, uma parole sem fim.
Desfazer-se das máscaras e do sentir Mamuthones, ao som dos sinos e ventos.
Na manhã seguinte, renascer livre e forte como um histórico Giganti di Prama.
É dizer Io sono Sardo, cujas raízes nurágicas se perdem nas brumas do tempo.

Quando vir a solidão, invade n’alma o canto de launeddas ao vento.
Ou grite e ouça seu eco nas montanhas, como puro manifesto da liberdade.
É falar de política, no ir e vir de ideias gramscianas, de um mundo manipulado e perdido.
Tomar uma Ichnusa, quando todos os argumentos falharem na vagueza do ser.
Ter odores e sabores dos campos floridos e entender a neve, quando tudo adormecer.
Acordar com o dia em brumas na Pinnetta, rodeado de cabras e pensamentos.
É tudo sonhar, sem nunca ter estado no lugar, mas viajar com a alma de Deledda...

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18/04/2015
Poesia de um descendente sardo.
Saudoso da ilha que ainda não conheceu e estudioso de suas raízes.
José Capaz Dutra Cappai, 51 anos.

sexta-feira, 3 de abril de 2015

INTERESSE NA PESQUISA? - Contato direto.

Como jornalista e historiador, estudo a história da imigração dos sardos no Brasil. Também estudo a geneologia de minha família Cappai, com origens em Villasalto na Sardenha. Tenho recebido e-mails, telefonemas e mensagens nos idiomas inglês e francês. Eu falo português e entendo o italiano e o espanhol. Peço que me enviem dúvidas e sugestões por email e responderei imediatamente no seu idioma, usando tradutor. Agradeço a compreensão. Email: italianocapaz@gmail.com
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Come giornalista e storico, studiare la storia dell'immigrazione dei sardi in Brasile. Studiare anche la genealogia della mia famiglia Cappai, con origini in Villasalto in Sardegna. Ho ricevuto e-mail, telefonate e messaggi in inglese e francese. Io parlo portoghese e capisco italiano e spagnolo. Vi chiedo di inviarmi tutte le domande e suggerimenti via e-mail e vi risponderò immediatamente nella tua lingua, utilizzando traduttore. Grazie per la comprensione. Email: italianocapaz@gmail.com
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I’m a journalist and historian, and I have been studying the history of immigration about the Sardinians in Brazil. I also study my family genealogy, Cappai familly, originally from Villasalto, Sardinia. I have received e-mails, phone calls and messages in English and French. I speak Portuguese and understand Italian and Spanish. If you send me any questions and suggestions by email, I will answer immediately in your language, using translator. Thank you for understanding. Email: italianocapaz@gmail.com
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En tant que journaliste et historien, étudier l'histoire de l'immigration des Sardes au Brésil. Étudier également la généalogie de ma famille Cappai, avec des origines dans Villasalto en Sardaigne. Je ai reçu des e-mails, des appels téléphoniques et des messages en anglais et en français. Je parle portugais et je comprends l'italien et l'espagnol. Je vous demande de me envoyer vos questions et suggestions par courriel et vais répondre immédiatement dans votre langue, en utilisant traducteur. Merci de votre compréhension. Email: italianocapaz@gmail.com

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quarta-feira, 1 de abril de 2015

Uma doença maledita no pós-imigração

O TAB – Transtorno Afetivo Bipolar é hereditário na família Cappai. Estudos e pesquisas recentes, feitas por mim e que fazem parte de meu livro, concluem que o "TAB" pode ter levado a família a abandonar a ilha da Sardenha em 1897; os sintomas pós-imigração se repetiram ao alterar o sobrenome da família de Cappai para Capaz (um sobrenome não italiano, muito menos sardo); os efeitos se repetiram novamente com a separação da família entre dois Estados brasileiros na década de 20 (MG e ES) e meu pai João Capaz repetiu o padrão na década de 50 entre dois Estados novamente (MG e RJ).

Analisando este estresse e padrão comportamental, objeto de decisões emotivas muito fortes, a família encontra-se hoje praticamente desagregada entre estes três Estados (MG, ES e RJ). Cabe a este jornalista, bisneto de Giuseppe, o sardo, juntar os fragmentos do passado e de seus ancestrais e montar este quebra cabeça familiar, talvez para sempre sem uma resposta definitiva.

Em primeiro lugar, meu pai sempre acreditou que seu “sobrenome italiano” era Capaz, assim foi comigo por quase 50 anos de minha vida. Pensávamos que só existia nossa família no país, assim viveu a família de seis pessoas isoladas dos outros membros familiares por quase noventa anos em Leopoldina - MG e, muito provavelmente, tenha acontecido com outros núcleos familiares mais distantes. Isto é comprovado, com o registro no Arquivo Público Mineiro, com sede em Belo Horizonte, arquivo que registra a entrada dos imigrantes sardos no Brasil, onde temos mais quatro famílias Cappai além da família do meu bisnonno Giuseppe, que são as famílias de Francesco, Lucífero, Marcellino e Gregório. Não sabemos o grau de parentesco deste enigma sardo e muito menos onde estarão atualmente estas famílias. Mas o fato de ter alterado o sobrenome, não sabemos os motivos, tenha sido uma ruptura traumática e, no mínimo, uma decisão que iria repercutir para sempre na psique da própria família de Giuseppe. 

Um segundo estresse familiar, não menos impactante, é a decisão do meu bisnonno sardo Giuseppe de mudar com parte dos filhos de Minas Gerais para o Espírito Santo, cinco anos após a morte e sepultamento de sua esposa Maria Annica Gessa em Providência, distrito de Leopoldina, MG. Normalmente, dramas muito fortes e que abalam a estrutura familiar tende a unir mais os seus, como forma de reafirmar os votos de família. Isto não ocorreu, mas pode ser interpretado como compromisso do bisavô em deixar seus filhos não casados com melhores perspectivas em outras terras e/ou mais próximos dos parentes e amigos que vieram, e que estariam no Espírito Santo, mas sua decisão foi falha. A nova geração esqueceu do passado e não buscou perguntas e nem respostas, assim o tempo se encarregou de enterrar informações e documentos essenciais ao enigma.

O terceiro estresse familiar ocorre com meu pai João Capaz, primeira geração de sardos no Brasil, possivelmente repetindo o padrão comportamental de bisnonno Giuseppe, abandonaria três dos seus irmãos no Rio de Janeiro. A decisão de mudar de Leopoldina para o Rio de Janeiro viria de seus irmãos Sebastião, Délia e Aparecida e a decisão de não visita-los pelo resto de suas vidas viria de meu pai, o caçula dos irmãos e filho de Raffaele Cappai (Nome no Brasil: Rafael Capaz). O motivo do meu pai sempre foi o preconceito, o estereótipo abominante do “malandro carioca” e da violência no Rio de Janeiro. Meu pai repetiu um padrão comportamental, no inconsciente familiar, desapegando totalmente do que é mais forte neste elo, o abandono do vínculo e das raízes. Fechou-se neste "terceiro ato", a total desagregação da família de Giuseppe, sardos imigrantes que vieram para o Brasil em 1897.

No que refere à separação dramática da Sardenha, minha intuição pede para que não a associe a uma negação, porque espiritualmente sinto saudades fortes da Sardenha que não conheci e meus ancestrais que vieram não se naturalizaram brasileiros; o que me faz crer que tenho em meu inconsciente o amor que tinham por sua terra natal – Villasalto, bem protegida por seu patrono São Miguel Arcanjo. E, no fundo da minha alma, um grito se ergue para que eu retorne à ilha...
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* Estes apontamentos são uma pequena parte de meu livro, que busca remontar a história da família de Giuseppe Cappai (No Brasil, José Capaz) que veio da Sardenha em 1897. Busca embasamentos na pesquisa genealógica, na medicina moderna e na análise antropológica do fenômeno da grande imigração.