quarta-feira, 6 de maio de 2015

Arquivo Público Mineiro - APM / BH

O Memorial do Imigrante encontra-se no site do Arquivo Público Mineiro – APM, sede em Belo Horizonte. Nele podem ser localizados indivíduos que deram entrada na Hospedaria Horta Barbosa, de Juiz de Fora, Imigrantes Italianos e outros em Minas Gerais, ou pessoas que foram registradas nos órgãos de fiscalização de estrangeiros em Minas Gerais no período da imigração. 


Arquivo Público do Estado de São Paulo

O Memorial do Imigrante encontra-se no site do Arquivo Público do Estado, nele podem ser localizados indivíduos que desembarcaram no Porto de Santos, os que deram entrada na Hospedaria de Imigrantes entre 1887 e 1978, ou pessoas que foram registradas nos órgãos de fiscalização de estrangeiros em São Paulo entre os anos de 1939 e 1984. 

sábado, 18 de abril de 2015

Sardo per Sempre.

Ter sangue sardo é...

Cultivar a ilha paraíso no coração, sem fazer da alma uma ilha.
E mesmo cruzando extensos mares, carregar sua história milenar.
É cantar cappela e ecoar seus sentimentos ao longe, abraçando o mundo.
Numa mística forma que envolve todas as estações e sentidos.
É ser forte e galgar alturas como muflones nos rochedos.
Ter a paciência de pastores e monges a vigiar seu rebanho.
É não se entregar fácil aos desafios de seus algozes, na nobreza de javalis.

Ser família, como profissão de fé diária.
Seguir procissões e ritos, pedir a benção do nonno nas árduas campanhas.
É não ceder ao jogo da vida, como pedras que se moldam ao vento inclemente.
Sentir-se parte da natureza, do cosmos às profundezas do ser, colhendo uvas.
Ter adiante das veredas, a presença de São Miguel Arcanjo.
Agir no tempo certo, calmo como a corticeira que se deixa cortar e servir.
Sentir-se pleno aos pés das montanhas, com Gennargentu a nos sondar.

É ter no vino, formaggio di pecora, pane curasao, uma conexão celestial.
Viajar pela gastronomia, como el trenino contornando serras e mar de rara beleza.
Cultivar a arte na madeira, na cortiça e na rocha, gravando-a para a posteridade.
Guardar n’alma, mais de sete mil torres de enigmática beleza, uma parole sem fim.
Desfazer-se das máscaras e do sentir Mamuthones, ao som dos sinos e ventos.
Na manhã seguinte, renascer livre e forte como um histórico Giganti di Prama.
É dizer Io sono Sardo, cujas raízes nurágicas se perdem nas brumas do tempo.

Quando vir a solidão, invade n’alma o canto de launeddas ao vento.
Ou grite e ouça seu eco nas montanhas, como puro manifesto da liberdade.
É falar de política, no ir e vir de ideias gramscianas, de um mundo manipulado e perdido.
Tomar uma Ichnusa, quando todos os argumentos falharem na vagueza do ser.
Ter odores e sabores dos campos floridos e entender a neve, quando tudo adormecer.
Acordar com o dia em brumas na Pinnetta, rodeado de cabras e pensamentos.
É tudo sonhar, sem nunca ter estado no lugar, mas viajar com a alma de Deledda...

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18/04/2015
Poesia de um descendente sardo.
Saudoso da ilha que ainda não conheceu e estudioso de suas raízes.
José Capaz Dutra Cappai, 51 anos.

sexta-feira, 3 de abril de 2015

INTERESSE NA PESQUISA? - Contato direto.

Como jornalista e historiador, estudo a história da imigração dos sardos no Brasil. Também estudo a geneologia de minha família Cappai, com origens em Villasalto na Sardenha. Tenho recebido e-mails, telefonemas e mensagens nos idiomas inglês e francês. Eu falo português e entendo o italiano e o espanhol. Peço que me enviem dúvidas e sugestões por email e responderei imediatamente no seu idioma, usando tradutor. Agradeço a compreensão. Email: italianocapaz@gmail.com
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Come giornalista e storico, studiare la storia dell'immigrazione dei sardi in Brasile. Studiare anche la genealogia della mia famiglia Cappai, con origini in Villasalto in Sardegna. Ho ricevuto e-mail, telefonate e messaggi in inglese e francese. Io parlo portoghese e capisco italiano e spagnolo. Vi chiedo di inviarmi tutte le domande e suggerimenti via e-mail e vi risponderò immediatamente nella tua lingua, utilizzando traduttore. Grazie per la comprensione. Email: italianocapaz@gmail.com
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I’m a journalist and historian, and I have been studying the history of immigration about the Sardinians in Brazil. I also study my family genealogy, Cappai familly, originally from Villasalto, Sardinia. I have received e-mails, phone calls and messages in English and French. I speak Portuguese and understand Italian and Spanish. If you send me any questions and suggestions by email, I will answer immediately in your language, using translator. Thank you for understanding. Email: italianocapaz@gmail.com
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En tant que journaliste et historien, étudier l'histoire de l'immigration des Sardes au Brésil. Étudier également la généalogie de ma famille Cappai, avec des origines dans Villasalto en Sardaigne. Je ai reçu des e-mails, des appels téléphoniques et des messages en anglais et en français. Je parle portugais et je comprends l'italien et l'espagnol. Je vous demande de me envoyer vos questions et suggestions par courriel et vais répondre immédiatement dans votre langue, en utilisant traducteur. Merci de votre compréhension. Email: italianocapaz@gmail.com

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quarta-feira, 1 de abril de 2015

Uma doença maledita no pós-imigração

O TAB – Transtorno Afetivo Bipolar é hereditário na família Cappai. Estudos e pesquisas recentes, feitas por mim e que fazem parte de meu livro, concluem que o "TAB" pode ter levado a família a abandonar a ilha da Sardenha em 1897; os sintomas pós-imigração se repetiram ao alterar o sobrenome da família de Cappai para Capaz (um sobrenome não italiano, muito menos sardo); os efeitos se repetiram novamente com a separação da família entre dois Estados brasileiros na década de 20 (MG e ES) e meu pai João Capaz repetiu o padrão na década de 50 entre dois Estados novamente (MG e RJ).

Analisando este estresse e padrão comportamental, objeto de decisões emotivas muito fortes, a família encontra-se hoje praticamente desagregada entre estes três Estados (MG, ES e RJ). Cabe a este jornalista, bisneto de Giuseppe, o sardo, juntar os fragmentos do passado e de seus ancestrais e montar este quebra cabeça familiar, talvez para sempre sem uma resposta definitiva.

Em primeiro lugar, meu pai sempre acreditou que seu “sobrenome italiano” era Capaz, assim foi comigo por quase 50 anos de minha vida. Pensávamos que só existia nossa família no país, assim viveu a família de seis pessoas isoladas dos outros membros familiares por quase noventa anos em Leopoldina - MG e, muito provavelmente, tenha acontecido com outros núcleos familiares mais distantes. Isto é comprovado, com o registro no Arquivo Público Mineiro, com sede em Belo Horizonte, arquivo que registra a entrada dos imigrantes sardos no Brasil, onde temos mais quatro famílias Cappai além da família do meu bisnonno Giuseppe, que são as famílias de Francesco, Lucífero, Marcellino e Gregório. Não sabemos o grau de parentesco deste enigma sardo e muito menos onde estarão atualmente estas famílias. Mas o fato de ter alterado o sobrenome, não sabemos os motivos, tenha sido uma ruptura traumática e, no mínimo, uma decisão que iria repercutir para sempre na psique da própria família de Giuseppe. 

Um segundo estresse familiar, não menos impactante, é a decisão do meu bisnonno sardo Giuseppe de mudar com parte dos filhos de Minas Gerais para o Espírito Santo, cinco anos após a morte e sepultamento de sua esposa Maria Annica Gessa em Providência, distrito de Leopoldina, MG. Normalmente, dramas muito fortes e que abalam a estrutura familiar tende a unir mais os seus, como forma de reafirmar os votos de família. Isto não ocorreu, mas pode ser interpretado como compromisso do bisavô em deixar seus filhos não casados com melhores perspectivas em outras terras e/ou mais próximos dos parentes e amigos que vieram, e que estariam no Espírito Santo, mas sua decisão foi falha. A nova geração esqueceu do passado e não buscou perguntas e nem respostas, assim o tempo se encarregou de enterrar informações e documentos essenciais ao enigma.

O terceiro estresse familiar ocorre com meu pai João Capaz, primeira geração de sardos no Brasil, possivelmente repetindo o padrão comportamental de bisnonno Giuseppe, abandonaria três dos seus irmãos no Rio de Janeiro. A decisão de mudar de Leopoldina para o Rio de Janeiro viria de seus irmãos Sebastião, Délia e Aparecida e a decisão de não visita-los pelo resto de suas vidas viria de meu pai, o caçula dos irmãos e filho de Raffaele Cappai (Nome no Brasil: Rafael Capaz). O motivo do meu pai sempre foi o preconceito, o estereótipo abominante do “malandro carioca” e da violência no Rio de Janeiro. Meu pai repetiu um padrão comportamental, no inconsciente familiar, desapegando totalmente do que é mais forte neste elo, o abandono do vínculo e das raízes. Fechou-se neste "terceiro ato", a total desagregação da família de Giuseppe, sardos imigrantes que vieram para o Brasil em 1897.

No que refere à separação dramática da Sardenha, minha intuição pede para que não a associe a uma negação, porque espiritualmente sinto saudades fortes da Sardenha que não conheci e meus ancestrais que vieram não se naturalizaram brasileiros; o que me faz crer que tenho em meu inconsciente o amor que tinham por sua terra natal – Villasalto, bem protegida por seu patrono São Miguel Arcanjo. E, no fundo da minha alma, um grito se ergue para que eu retorne à ilha...
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* Estes apontamentos são uma pequena parte de meu livro, que busca remontar a história da família de Giuseppe Cappai (No Brasil, José Capaz) que veio da Sardenha em 1897. Busca embasamentos na pesquisa genealógica, na medicina moderna e na análise antropológica do fenômeno da grande imigração.

domingo, 22 de fevereiro de 2015

21 de Fevereiro - DIA NACIONAL DO IMIGRANTE ITALIANO.

Em comemoração ao Dia Nacional do Imigrante Italiano, tomei um vinho tinto com queijo curado. Tenho muito a agradecer, também comemorar. Mais do que italiano, sinto na veia a origem sarda. IO SONO SARDO. Descobri as raízes de minha família, como meu presente de 50 anos. A história quis assim, que a descoberta maturasse como a uva até chegar ao vinho. Então, na convicção dos dias e na descoberta de um novo tempo, comemoro meu renascimento como um novo ser, um homem sardo.

Como quem renasce para uma nova realidade, pesquiso os costumes, a história e o modo de viver de meu distante povo. Meus olhos estão animados pelo azul turquesa do mar, das montanhas de Gerrei e acerca do povo sardo e suas histórias. Navego pelas fotos antigas e as paisagens novas, como quem degusta o bom vinho. Pergunto às paginas da internet, ávido de respostas e semelhanças, como uma criança que quer saber de tudo ao mesmo tempo. Tenho gosto de aprender. Tenho meu tempo para aprender. E tenho muito a comemorar as aventuras das tantas descobertas. Ora, sou um arqueológo, colecionando fotos e histórias da civilização nurágica. Ora, sou um capricultor, pesquisando a vida de pastores. Ora, sou um antropólogo, vasculhando costumes antigos. Ora, sou descendente da rara imigração de sardos. Ora, sou sardo, escutando o hino sardo e vertendo lágrimas de emoção nas estradas. E neste renascimento, absorvido numa alegria sem fim, percebo que renasci para um novo tempo, porque agora eu tenho realmente uma história e uma identidade. Na procura de meus ancestrais por um novo tempo, descobri agora que sou autor deste novo tempo, até retornar ao berço de minha história.

Agradeço a Deus e a São Miguel Arcanjo pela coragem de meus ancestrais sardos.
Agradeço a decisão da travessia do Atlântico no Vapor Equitá em 1897, motivo de minha existência e de toda a família no Brasil.
Agradeço pelo afloramento de minha história, numa fase de bom discernimento e deleite.
VIVA O "DIA DO IMIGRANTE ITALIANO"!
VIVA AOS SARDOS E TODAS SUAS HISTÓRIAS!
Um brinde a todos que fizeram e fazem a história deste país melhor.



O Alzheimer na vida dos anciãos sardos.

A Sardenha sofre hoje com o envelhecimento progressivo de sua população e também com o aumento dos casos de demência. Dois terços da população anciã sarda porta a doença de Alzheimer, doença degenerativa do sistema nervoso central, que faz com que os idosos fiquem totalmente dependentes.

O Alzheimer é acompanhado de sintomas cognitivos (perda de memória, desorientação e confusão) e, muitas vezes, por sintomas comportamentais (agitação, agressividade, vagando, insônia, recusa para alimentar, alucinações, delírios, desinibição sexual). Estes sintomas são as principais causas de estresse para os familiares e as instituições que cuidam desses idosos.

Minha família descobriu recentemente os sintomas do Alzheimer no meu pai, com 81 anos. Ele faz parte da primeira geração de sardos no Brasil, esta rara imigração no Brasil e nas Américas. Como bom sardo que é, tem uma saúde de ferro (poucas vezes tomou medicamentos) e irá viver bastante. Guarda em seus relampejos de memória, fragmentos do meu avô imigrante e sua família, Raffaele Cappai, que também registro aqui como forma de fragmentos. Decerto, as pinceladas da história retrata bem a difícil vida dos imigrantes sardos nestas terras distantes. 

Leio nas entrelinhas das conversas com meu pai, a transmissão oral e genética de uma Sardenha distante: as casas, o modo de viver, o gosto pelo trabalho e um jeito peculiar do sardo. Então, vamos ao que meu pai fala do passado:

“Meu pai Rafael, falava pouco. Era enérgico. Eu pouco o entendia, era uma língua estranha. Era muito humano, gostava de ajudar as pessoas...”

“Meu pai me ensinou muitas coisas. Fazia questão de me ensinar ofícios, como trabalhar a madeira, fazer uma cerca e construir uma casa. Gostava de ferramentas e esculpir bois e carros de bois na madeira. Fazia isto até na casca de abóbora, enquanto descansava. Dizia para mim, que o saber não ocupa lugar...”Coisas de pastores sardos.

“Foi dito a mim que de onde eles vieram (Sardenha), as casas eram todas de pedras. A família tinha terras lá e muitos pés de uvas. Minha tia, a Maria, que morreu no Asilo de Leopoldina, não tinha um olho desde pequena, porque furou com o galho da videira...”

“Meu pai Raffaele fazia polenta, macetava e colocava no embornal. Amassava com as mãos e comia de vez em quando com carne de porco e torresmo. Assim passava o dia trabalhando em silêncio...”

“Doutor, carne de leitoa é fortificante...” – Encurralados pela invasão, os sardos se concentraram nas terras do interior da ilha. Muito pouco ia ter no litoral, onde estavam os invasores, por isto não interessaram pelos frutos do mar. Historicamente, caçavam javalis e consomem até hoje muito, muito mesmo, carne de porco. Se falar em leitoa, meu pai é 100% sardo.

“Quando vocês eram pequenos (meu pai conversando comigo) tinha vontade de ter uma carroça pequena puxada por um bode. Fiz isto e ficou muito bonito. Também tive um cachorro, mas ele mordeu seu irmão, quando era pequeno, então o dei para outra pessoa cuidar.” – Rebanho caprino e cães fazem parte do cotidiano dos pastores sardos. Herdamos um gosto no passado.

“Esta igreja, aquele mercado e algumas casas deste vilarejo (São Lourenço, perto de Leopoldina) foram construídos pelas mãos de meu pai Rafael. Vinha a cavalo da cidade até aqui. A casa onde nasci está firme até hoje. Os italianos são fogo. Trabalhou muito...”

“Italiano morre de pé...” “Vou ficar para apagar a luz, não tenho pressa de morrer”. - Convicção de descendente de imigrantes, para dizer que italiano não dá o braço a torcer nem para a morte.

“Estou fechando a dispensa com cadeado, porque estão roubando alimentos. Também as janelas, porque há bandidos por toda parte”.  - Enxergo este delírio de meu pai, 81 anos, como uma síndrome do imigrante em terras estranhas, aflorada pelo Alzheimer.

“Não escute o que ele está dizendo...”Palavras do pai, quando um amigo dele chegou perto de nós, quando eu tinha cerca de 14 anos e disse que meu pai era um capeta de arteiro.

“Mas que merda, não posso falar merda...” - Ao corrigir meu pai pelos palavrões proferidos aos 80 anos, uma reação bem à italiana.

“O homem vale o que tem no bolso...” – Palavras de meu pai, quando eu saí de casa pela primeira vez, para estudar fora. Eu nunca esqueci. Será que isto foi dito pela família durante a travessia com o vapor?

Dez por cento do que ganhamos devemos guardar e não se esqueça do dízimo da igreja...” Receita de sardo religioso e precavido.


“Reze para São Miguel Arcanjo, ele vai lhe proteger...” Meu pai sempre me aconselhou, mas ele nunca soube, e só recentemente fiquei sabendo, estávamos falando do padroeiro de Villasalto, a pequena cidade sarda de 1.140 habitantes, de onde veio nossa família.

Recentemente, li o livro "A ILHA DOS ANCIÃOS", de Ben Hills, que aborda "Os segredos dos centenários da Sardenha", da Editora Prumo. Enxerguei nas linhas deste livro muito da vida dos sardos e até meu pai, compreendi o estilo de vida simples e bem focado de meus ancestrais sardos. O que pode ser corrigido? O que pode ser evitado no sofrimento? Nada, apenas curtir, deixar-se viver, bem ao estilo sardo...

Meu pai, filho de Raffaele Cappai, e seu inseparável salaminho italiano.