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JOSÉ CAPPAI - A ilha que atravessou o mar
A FAMÍLIA CAPPAI EM MINAS GERAIS, REGIÃO DA ZONA DA MATA
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JOSÉ CAPPAI - A ilha que atravessou o mar
A FAMÍLIA CAPPAI EM MINAS GERAIS, REGIÃO DA ZONA DA MATA
Esta musica é uma homenagem à ilha da Sardenha, seu povo acolhedor, sua rica cultura e história e a todos os imigrantes sardos pelo mundo e, em especial, no Brasil. A letra da música tem origem no livro "A ilha que atravessou o mar", escrito pelo jornalista José Capaz Dutra Cappai, autor deste Blog, a segunda geração de sardos no Brasil. O arranjo e sonoplastia foi feita por seu fraterno amigo João Batista Faria, em seu estúdio musical em Espírito Santo do Dourado, no sul de Minas Gerais. O video foi carinhosamente feito pela Gizelle Kersul Capaz, filha do Autor.
Espero que gostem do resultado e façam uma prazerosa viagem pela letra e imagem deste video.
A'Kentannos!
https://www.youtube.com/watch?v=EI7au0RLXnI
Tenho o prazer em comunicar que o Livro físico "A Ilha que atravessou o Mar" já está disponível na Editora e poderá ser adquirido através do LINK abaixo.
https://loja.uiclap.com/titulo/ua117911/
Faz mais de dez anos que estudo a genealogia da família Cappai e a rara imigração dos sardos para o Brasil. Sou jornalista formado, com especialização em Historiografia. Muitas descobertas e curiosidades neste período de estudo, que envolve consulta a banco de dados do governo, de entidades específicas, documentos de famílias, cruzamentos de informações a partir de entrevistas, aquisições e leituras de livros e teses sobre a imigração e interpretação dos dados coletados, que culminaram no Livro "A Ilha que atravessou o mar". O livro foi registrado na Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro na época e ficou disponibilizado gratuitamente por anos no BLOG. Neste momento, estou trabalhando no final da revisão da segunda edição, que ainda passará pela revisão de texto e, posteriormente, irá para a Editora. A obra está mais aprofundada na pesquisa. A intenção é colocar o livro em três versões: a primeira em português somente texto para plataformas específicas, a segunda uma edição exclusiva com fotos coletadas durante os trabalhos e a terceira uma edição em italiano.
Peço desculpas pela dificuldade em responder a perguntas. Moro no alto da serra da Maniqueira no sul de Minas Gerais, um pouco distante da cidade e com dificuldades de conexão. Faço contatos e respondo à medida do possível. Dúvidas tem surgido em relação ao sobrenome, possivelmente alguns leitores não conseguiram baixar o livro PDF na sua primeira edição. Retirei do Blog, porque a versão ficou desatualizada. È preciso um pouco de paciência, porque em breve a segunda edição estará disponível a todos. Nas postagens do BLOG é possivel verificar uma sequência cronológica e temática das pesquisas de nossa genealogia.
O sobrenome da família não é CAPAZ, tratando este de origem árabe e não italiana. A maioria dos sobrenomes italianos terminam com "i" no final. O sobrenome de nossos ancestrais é CAPPAI. Era muito comum os erros de nomes e sobrenomes, nas Certidões daquela época. O registro precário e manual, muitas vezes por funcionários públicos sem preparo, se dava em meio à correria das contratações urgentes para as lavouras de café. Os documentos que atestam nossa origem são: a ficha cadastral dos imigrantes na Hospedaria Horta Barbosa de Juiz de Fora, que hoje está arquivada e disponível no Arquivo Público Mineiro - APM em BH; o Registro dos Imigrantes que na época era feito pelas Delegacias de Polícia e, por fim, as Certidões de Nascimento e Casamento que adquiri no Comune Italiano, que no caso é na Sardenha. Também adquiri o Brasão e Histórico da Família, na Heráldica da Espanha.
Estimo que este erro de grafia no sobrenome tenha ocorrido por volta de 1905. Assim o nome de nosso bisavô pioneiro, que deveria ser Giuseppe Cappai (Agus), se transformou no Brasil em José Capaz. Sua esposa Maria Annica Gessa, falecida em 1912 em Providência, zona da mata mineira, também teve algumas versões de seu nome nos documentos. Atualmente aguardo por confirmações sobre o local de sepultamento do bisnonno Giuseppe que acredito estar em Palma. Para quem estuda genealogia, toda espera é um misto de agonia e expectativa. Devemos nossa existência a este casal pioneiro, que teve coragem e ousadia em trazer seis filhos numa viagem incerta por 36 dias em navio a vapor, em mar aberto e superlotado, com riscos de doenças e naufrágio. Após uma década de pesquisa, além da produção do livro, meu objetivo maior é localizar os túmulos dos bisavós, pioneiros na rara imigração da Sardenha para o Brasil, executar reparos se necessário e instalar uma placa em homenagem a eles.
No meu entendimento, todo descendente deve estudar suas origens e reverenciar seus ancestrais. Somos frutos de várias histórias de famílias, acertadas ou desajustadas, que construíram a base de nossa sociedade. Nos bancos das escolas, estudamos a História das Civilizações, a História do Brasil, a História das Revoluções Sociais, a História da Arte e outras tantas, mas reparem que pouquíssimas escolas incentivam o estudo da História Familiar, as nossas raízes. É facil entender que um indivíduo sem história familiar é um ser fragmentado, sem pertencimento e vulnerável; susceptível às promessas de qualquer um ou fácil de ser enganado. Não é por acaso, que nos Estados totalitários e manipuladores, o primeiro alvo é a família; porque o Estado passa a assumir o papel do "pai provedor", que alimenta ilusões e falsas esperanças nas crianças e adolescentes. Por um futuro melhor, ainda desejo ver nas escolas brasileiras, na grade curricular, a genealogia como incentivo ao estudo da história familiar.
"O QUE LEMBRO, TENHO".
Guimarães Rosa
A ciência já desvendou o mistério do tipo sanguíneo dos nossos ancestrais primitivos. O sangue mais antigo da humanidade é o tipo O. A dieta base deste tipo sanguíneo é a proteína animal, porque eram caçadores e nômades. A primeira grande imigração da humanidade foi responsável pela ocupação das Américas, no outro lado do Oceano Atlântico, a mais de 15 mil anos atrás. Este tipo sanguíneo trouxe vantagens para estes primitivos desbravadores, como coração forte, rusticidade e cicatrização rápida, em casos de acidentes. Viviam pouco, no máximo 35 anos de idade, mas eram muito resistentes, adaptando-se bem a ambientes extremos e hostis, desde várzeas úmidas e frias até a altitudes extremas como o alto das Cordilheiras, a mais de 4.000 metros acima do nivel do mar. Este tipo sanguíneo foi responsável pela seleção natural dos indivíduos. É predominante na Europa, na África e nas Américas.
Quando fiz o Teste de DNA para a ancestralidade, sabendo que sou O positivo, tive a surpresa de confirmar que tenho leve propensão a riscos cardíacos, menos de 5%; o que confirma as descobertas da ciência. E com certeza, nossos destemidos ancestrais que atravessaram o mar para ocuparem o território brasileiro, numa época de crise econômica e social na Europa, trouxeram nas veias este sangue "pré histórico" e rústico. Esteve também nas veias do povo nurágico que construiu milhares de torres pela ilha da Sardenha... Grazie a Dio, siamo sardi....
LINK da pesquisa genealógica disponível na internet.
https://www.classicistranieri.
É com muita satisfação que estou pesquisando o braço materno de minhas origens, que remete a uma extensa lista de representantes da família DUTRA, por parte de minha mãe MARIA JOSÉ DUTRA, que tem origem na cidade de Leopoldina, zona da mata mineira. Meu avô é AURELIANO DUTRA NICÁCIO, que segundo genealogistas daquela região, é filho de LAURINDO DUTRA NICÁCIO e de MARIA DE JESUS MOREIRA. Isto é tudo que sabemos até o momento.
A poucos quilômetros de Leopoldina (MG), tem as cidades de Cataguases e Astolfo Dutra, cuja fundação e história remetem a um personagem político mineiro da República Velha, que é Astolfo Dutra Nicácio. Até o momento, apesar do sobrenome composto e similar ao deste personagem histórico, não consegui estabelecer o elo de parentesco e não avancei neste ramo da árvore genealógica, além do nome de meus bisavós maternos. Continua o mistério, até que eu possa deslocar cerca de 500 km de estrada até esta localidade para efetuar pesquisas. Os descendentes dos imigrantes ainda constinuam a pesquisar parentes...
Fato é que esta pesquisa de meus ancestrais, pelo lado materno, vai de encontro a informações da imigração de uma outra ilha, esta de Portugal, que é a ilha dos AÇORES, d'onde veio o primeiro "Dutra" para a ocupação do território brasileiro. Este é nosso parente direto e de tantos outros que se orgulham em ter este sobrenome no documento de RG e na alma.
Por este aspecto geográfico muito peculiar, tenho o prazer, assim como os membros de minha fámilia, de "ser filho de duas ilhas". Na verdade, o título de meu trabalho não deveria ser no singular, mas sim no plural, ou seja, "AS ILHAS QUE ATRAVESSARAM O MAR", prestigiando as ilhas dos AÇORES, em Portugal e a ilha da SARDENHA, na Itália.
Assim, saúdo todos meus ancestrais, também da família DUTRA.
Não é uma tarefa fácil buscar os locais de sepultamentos dos nossos ancestrais, ainda mais passados mais de 100 anos. As certidões nos cartórios se reportam a livros antigos e mutilados pelo tempo e insetos, nem se falava em registro em computadores e impressoras, que são invenções bem mais recentes. Os erros de grafia e informações eram diversos e recorrentes, sem se importarem com fontes de consultas. Isto somava-se ao precário controle dos sepultamentos em covas mal identificadas, que são carcomidas pelo tempo, junto com os registros antigos nos cartórios. E mudando as administrações municipais, de tempos em tempos, com as reformas nos cemitérios (muitas vezes sem o acompanhamento da família), a localização do sepulcro depende da sorte e da persistência, assim como encontrar documentos confiáveis e elucidativos.
E são muito raros os pesquisadores em genealogia, que se interessam pela documentação de forma acadêmica e séria, como a historiadora Nilza Cantoni, a qual tive o prazer de conversar por telefone. Esta pesquisadora desenvolveu um aprofundado estudo de minha arvore genealógica, sendo ela de Leopoldina (MG) e hoje residente em Petrópolis (RJ). E incentivado por sua vida de pesquisa, retornei com mais afinco a busca do casal pioneiro de nossa família sarda, esta rara imigração de uma "ilha" no mediterrâneo, que nos faz sentir tal qual no meio de um oceano de dúvidas...
Giuseppe Cappai (Também conhecido no Brasil como José Capaz), 45 anos, casado com Maria Annica Gessa, 35 anos (Também registrada nos documentos como Anna Gessa). Estas eram suas idades, quando chegaram no Brasil, em 28 de junho de 1897, na Hospedaria Horta Barbosa, de Juiz de Fora.
Na Certidão de Casamento de seu filho mais novo, meu avô, Raffaele Cappai (Também conhecido no Brasil por Rafael Capaz), em 10 de novembro de 1917, que casou com Izabel Carlos de Oliveira (Nesta Certidão, aparece como Izabel da Conceição), Giuseppe Cappai consta como domiciliado e residente no Distrito de Banco Verde da Comarca de Palma - MG e, nesta data, tinha a idade de 65 anos. Enquanto que "Anna Gessa", sua esposa e minha bisavó, havia falecido cinco anos antes, ou seja, em 1912, e sepultada no cemitério de Providência - MG. As distâncias destes distritos em relação a Leopoldina, variam de 30 a 52 km. E os erros não param nas Certidões antigas. Meu avô Raffaele, que tem a Certidão de Nascimento expedida em Villasalto, comune ao sul da ilha da Sardenha, Itália, tem erroneamente como local de nascimento a pequena cidade de Thebas, próximo a Leopoldina - MG. Realizei nesta e em outras Certidões da família, retificações judiciais, saneando os equívocos e erros.
E foi no Distrito de Providência que se deu o casamento de outro filho de Giuseppe, o Salvatore Cappai (Também conhecido no Brasil, como Salvador Capaz), com a italiana Ersília Pedrini. Isto se comprova com o pedido de retificação que também foi feita por seus descendentes de Boa Esperança (ES). Giuseppe Cappai, recém viúvo, estava em Providência no dia do casamento de Salvatore naquele dia de 19 de julho de 1913. Salvatore deu entrada novamente numa Hospedaria de Imigrantes em 1938, conforme registro no Arquivo Público do Espírito Santo. "Salvador Capaz" tinha 50 anos e estava só, aponta este registro. E, fazendo as contas, se o pioneiro Giuseppe Cappai estivesse junto, estaria com 86 anos. Talvez não tivesse forças para mudar para o Espírito Santo, para locais mais distantes como Nova Venécia, Vila Pavão, Castelo; para onde foram seus outros filhos Antônio e Daniele.
E uma foto antiga de Daniele Cappai (Também conhecido no Brasil, como Daniel Capaz), a única que tenho e fornecida gentilmente por primos no Espírito Santo, a foto está cortada bem em cima de Giuseppe Cappai, deixando-o com meia face, e está ao lado deste filho e de seus dois netos menores. Possivelmente, quando Daniele estava ainda na zona da mata mineira, antes de se mudar para o norte do Espírito Santo ou em visita ao pai. E minhas suspeitas retornam para Palmas - MG. Será que no ano seguinte ao falecimento da esposa em Providência, o pioneiro mudou com o filho para esta cidade? Quem sabe foi Daniel que tomou conta do pai no final da vida, antes de ir para Nova Venécia (ES) e posteriormente para Paiçandu, Maringá, Paraná, onde faleceu em 20 de Abril de 1966? Se assim for, minhas pesquisas em busca do meu bisavô pioneiro devem concentrar-se entre os anos de 1917 a 1938, num intervalo de 21 anos.
Outra intuição que tenho a respeito da permanência de Giuseppe Cappai na zona da mata mineira, além deste ponto citado, é sobre a dificuldade de viagens longas e cansativas em 1917, de um Estado para outro (com distâncias que excedem 400 Km), para o bisavô viúvo e com 65 anos. Será que o destemido pioneiro ainda tinha saúde para andanças. E os filhos já estavam casados e famílias formadas ou trabalhando distantes.
Pela movimentação dos seis filhos de Giuseppe Cappai e Maria Annica Gessa, após 1913, tenho o seguinte roteiro: Antônio e Salvatore (Nova Venécia - ES), Maria (Abaíba - MG), Daniele (Paicandú, Maringá, Paraná), Raffaele (meu avô em Leopoldina - MG) e Filomena (Sem informações). Aos poucos, num ritmo bem lento e processual, vou conhecendo os primos, descendentes de meus tios avós.
É dificil conquistar terreno e confiança, com um abismo histórico e de não convivência e delimitados por barreiras geográficas de Estado (E mais ainda, pelo imenso mar até nossas origens diretas na ilha da Sardenha). E, gracas a Deus, temos ferramentas como Whatsaap, Facebook e outros aplicativos de celulares, que ajudam no reencontro dos caminhos. Hoje, temos primos que buscam a cidadania, outros paulatinamente curiosos, os desinteressados e aqueles movidos pela emoção e reverencia à ancestralidade. Eu me encaixo neste ultimo grupo, como o primo Glaycon Araújo (ES), com o qual tenho tido mais contato.
Minha meta, desde 2016 quando iniciei as pesquisas, tem sido encontrar os sepulcros de meus bisavós, recuperar o túmulo pessoalmente e colocar uma lápide de identificação neles. Esta rara e parcialmente desastrosa imigração dos sardos, merece uma lápide com o famoso "SARDO PER SEMPRE", onde estiverem. Mesmo distantes, espacialmente e temporalmente (em dimensões diferentes), de nossos queridos parentes e de nossa ilha de origem, carregamos estas raízes fortes no coração e na alma. Nada apaga, nem a morte há de nos separar, até o retorno final a Villasalto. A pesquisa continua...
GRAZIE A DIO.
SIAMO SARDI.
DIA DE FINADOS.
Hoje é dia de rezar e ter gratidão pelos ancestrais que partiram e deixaram saudades. Não deve ser um dia de tristeza, mas de muita gratidão por nossas raízes, amigos e colegas que compartilharam momentos em nossa existência. Somos resultados destas experiências e contatos, formando uma grande família espiritual. Temos fé e crença firme de que a vida não encerra neste mundo material, pelo contrário, prossegue no além, em outras dimensões e planos.
Com a alma de IMIGRANTES, assim como nossos antepassados atravessaram o grande oceano por uma nova vida no passado, o que possibilitou toda nossa história e existência no presente, todos nós, VIVENTES OU SOBREVIVENTES, também faremos a ultima viagem de nossas vidas. Até que este reencontro aconteça, elevamos até eles nossos pensamentos por todos seus esforços, exitosos ou não, pela família e todos seus sucessores. Que Deus ilumine e abençoe todas as almas.
GRATIDÃO - BENÇÃOS - PERDÃO - PAZ
A KENTANNOS.